Vídeo feito por passageiros mostra início do fogo dentro do balão antes de cair em SC

Das 21 pessoas que estavam no balão, oito morreram e 13 ficaram feridas

O momento em que um balão pegou fogo em Praia Grande, no sul de Santa Catarina, no sábado (21), foi filmado pelos turistas. As imagens foram divulgadas pelo Fantástico deste domingo (22), e mostram desde o início do passeio até quando os passageiros percebem as chamas. Das 21 pessoas que estavam dentro do balão, oito morreram e 13 ficaram feridas.

Ao todo, o passeio deveria durar cerca de 45 minutos. No entanto, poucos minutos após a decolagem, o balão pegou fogo. Conforme a reportagem, o voo aconteceu nas condições climáticas ideais: céu limpo, ausência de vento e temperatura de 13 °C.

Na gravação, feita dentro do balão, é possível ouvir as tentativas de controlar a situação e notar a tensão de todos. Um dos passageiros chegou a sugerir que abafasse as chamas com um casaco. Uma segunda pessoa propôs lançar o cilindro para fora.

Ao dominical, os sobreviventes relataram o pânico que sentiram. “A gente percebeu o início das chamas no piso. Depois, ele [o fogo] foi até o cilindro”, contou Marcel Cunha Batista, engenheiro de software, que fazia o passeio com sua companheira.

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Victor Mondino e Lais Paes, outro casal que estava no balão, também descreveram o episódio. “Ele (o piloto) conseguiu descer [o balão] e, ao mesmo tempo, disse: ‘Pessoal, na hora que bater, vocês pulam. Ou seja, no chão’. Quando o cesto tocasse o solo, era para a gente pular”, recordou Victor.

Lais, por sua vez, confessou o desespero que sentiu ao ver as chamas. “Eu não percebi que nem todos tinham conseguido pular. Vi que alguns estavam ali e pensei: ‘Deu certo. Nos salvamos, né?’. Mas, quando virei, vi que o balão ainda estava no ar e começamos a ver as pessoas caindo”, disse.

Parte dos passageiros conseguiu saltar durante a tentativa do pouso forçado. Com isso, o cesto do balão ficou mais leve o que o fez subir rapidamente, levando aqueles que não tinham conseguido sair. Pouco depois, a estrutura caiu em chamas.

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As cenas também chocaram quem viu a tragédia de longe. “Horrível de se ver. Estamos acostumados a ver em filmes, mas não ao vivo”, disse o aposentado Valdir Scain. “A gente viu o balão pegando fogo, as pessoas se jogando ou caindo. Vai ser difícil esquecer”, confessou a empresária Vânia Scain.

Ao todo, o acidente durou aproximadamente quatro minutos. De acordo com a Polícia Civil, quatro pessoas morreram ao saltar do balão e outras quatro foram carbonizadas. Cinco dos treze sobreviventes foram levados ao hospital e já receberam alta.

Equipes de resgate e o IML foram chamados para o local do acidente (Foto: Reprodução/TV Globo)

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O piloto Elves de Bem Crescêncio, licenciado pela ANAC para pilotar balões livres, tentou apagar as chamas com um extintor, mas o equipamento falhou. Em depoimento, ele ainda explicou que tentou conter o fogo com os pés antes de recorrer à outra tentativa. Elves afirmou que ligou para o 190 e permaneceu no local após o acidente, colaborando com as autoridades.

O Fantástico também divulgou o depoimento dele. “Decolei e, algo em torno de 2 minutos de voo, eu sinto um cheiro de queimado dentro do cesto. Quando eu olho pra baixo, a capa do tanque de gás tinha o início de um incêndio. Foi horrível”, testemunhou o piloto, mostrando as queimaduras nas mãos.

Mais de 130 agentes de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul participaram do resgate. Em nota, a empresa responsável pelo balão, Sobrevoar, declarou que segue todas as normas da ANAC, lamentou o acidente e informou que está prestando apoio às famílias das vítimas.

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Conforme a agência, o balonismo é uma atividade aerodesportiva considerada de alto risco. O equipamento envolvido no acidente tinha capacidade para levantar até 1.950 quilos. Após o ocorrido, porém, a prática está temporariamente suspensa na cidade.

As investigações continuam em andamento. O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, afirmou que a fiscalização do setor é de responsabilidade da ANAC, que autoriza a operação, o registro dos balões e a habilitação dos pilotos.

Além disso, autoridades locais discutem a criação de um protocolo específico de segurança para a prática do balonismo no estado. Ainda ontem, foram sepultados os corpos de sete vítimas.

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