A polícia do Rio de Janeiro acredita que o menor investigado no caso de um estupro coletivo em Copacabana seria a “mente por trás” do crime. Segundo o delegado Angelo Lages, da 12ª DP, ao g1, o suspeito também teria criado o plano para um segundo caso de abuso que foi denunciado em seguida.
De acordo com o agente, a Polícia Civil chegou a pedir à Justiça a busca e apreensão do adolescente por entender que ele tinha proximidade com as vítimas e poderia ter articulado os episódios investigados. O caso é tratado como ato infracional análogo ao crime, já que o suspeito é menor de idade. O processo está sob análise da Vara da Infância e da Juventude.
“A gente representou pela busca e apreensão, até por entender que ele é a mente por trás disso tudo. Ele que tinha a confiança das vítimas (…). Então, a gente entende e entendia, na época que eu representei, que era necessário a apreensão dele”, afirmou Lages. Apesar da solicitação da polícia, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) se manifestou contra a internação do adolescente.
Assista:
Rio de Janeiro – O delegado Angelo Lages, da 12ª DP (Copacabana), afirmou que considera o menor investigado como a “mente por trás” de pelo menos dois casos de abuso no Rio — o estupro coletivo em Copacabana e outro caso denunciado após a revelação do primeiro crime.
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— g1 (@g1) March 4, 2026
A investigação também tenta analisar possíveis provas. Segundo o delegado, os agentes vão solicitar à Justiça a quebra de sigilo telefônico dos acusados no caso envolvendo uma adolescente de 17 anos em Copacabana. “Nós vamos solicitar as quebras telemáticas dos aparelhos dos acusados, já que eles não nos disponibilizaram qualquer acesso na hora que se apresentaram”, declarou Lages.
A polícia também avalia ampliar o pedido de quebra de sigilo para outras denúncias relacionadas ao grupo: “Em relação aos outros inquéritos que estão aqui, que são duas outras vítimas, a gente pode, nesses outros casos, representar pela quebra do sigilo telemático das pessoas envolvidas nesses outros estupros”.
O crime
O crime ocorreu na noite de 31 de janeiro deste ano, em um imóvel na Rua Ministro Viveiros de Castro. No entanto, só veio a público no sábado (28), quando a polícia indiciou os quatro jovens suspeitos. Conforme o relatório final do inquérito produzido pela 12ª DP (Copacabana), a vítima foi convidada por um adolescente, colega de escola, para ir ao apartamento de um amigo dele. O menino teria pedido que a jovem levasse uma amiga, mas, como ela não conseguiu, foi sozinha.
Os dois, inclusive, viveram um relacionamento entre 2023 e 2024, mas não se encontravam desde então. No elevador, o jovem avisou que mais amigos estariam no local e sugeriu que fariam “algo diferente”, o que a vítima recusou. Já no apartamento, ela foi levada para um quarto e, enquanto mantinha relação sexual com o menino, os outros quatro rapazes entraram no cômodo.

De acordo com a vítima, após a insistência do adolescente, ela concordou que os amigos permanecessem no quarto, desde que não a tocassem. No entanto, como apontou o depoimento, os rapazes tiraram a roupa, passaram a beijá-la e apalpá-la, forçando-a a praticar sexo oral e sofrendo penetração por todos. Ela afirmou ainda que levou tapas, socos e um chute na região abdominal.
Em determinado momento, a vítima disse que tentou sair do quarto, mas foi impedida. Ela também relatou que, ao deixar o local, enviou um áudio ao irmão dizendo que acreditava ter sido estuprada. Depois, a adolescente contou o que havia ocorrido à avó e procurou a delegacia para registrar o caso.
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