Viúva de petista assassinado se emociona em entrevista ao Fantástico: ‘Perdi o pai dos meus filhos por um extremismo ridículo’; assista

Pamela Suelen Silva relembrou, às lágrimas, os últimos momentos do marido

Header (8)

Pamela Suelen Silva, viúva do guarda municipal Marcelo Aloizio de Arruda, afirmou ao Fantástico, neste domingo (10), que está “sem chão” com a morte do marido. O crime aconteceu em Foz do Iguaçu, no Paraná. O tesoureiro do PT morreu depois de ser baleado na própria festa de aniversário na noite de sábado (9).

Marcelo estava completando 50 anos. Ele chegou a ser levado para o Hospital Municipal, mas não resistiu aos ferimentos. Além da esposa, deixa quatro filhos, sendo um deles um bebê de apenas um mês. “É uma extrema estupidez tudo isso que aconteceu, perder o pai dos meus filhos por um extremismo ridículo. Isso é horrível. A dor de toda família é terrível“, disse Pamela. “É irreparável tudo o que está acontecendo”, declarou, às lágrimas.

A Polícia Civil informou que o atirador é o policial Penal Federal Jorge Jose da Rocha Guaranho. Segundo Pamela, Marcelo foi baleado após a celebração do parabéns, com a festa já próxima do fim. “A gente já estava finalizando a festa, estávamos em umas quinze pessoas”, relembrou ela. Minutos antes, ao ser abordado pelo policial penal federal, o tesoureiro do PT disse que se tratava de uma festa particular e teria pedido para Guaranho deixar o local. “Ele gritava: ‘é Bolsonaro’, e gritava coisas contra o PT”, afirmou a viúva. Assista:

Continua depois da Publicidade

“A esposa dele (Jorge) falou para ele parar, mas ele estava muito alterado. Ele (Jorge) falou para o Marcelo: ‘Eu vou voltar, eu vou voltar’. Quando ele retornou, saiu do carro atirando”, disse Pamela. “O Marcelo defendeu todos que estavam lá. Infelizmente, nós perdemos ele. Estou sem chão. Eu nem sei o que falar”, desabafou.

“Espero que haja justiça e que acabe toda essa violência. Isso só causa tragédia”, completou. O secretário de Segurança Pública de Foz do Iguaçu, Marcos Antonio Jahnke, lamentou a morte e afirmou que a Polícia Civil investigará as motivações do crime. “Pelo que a gente percebeu foi uma intolerância política”, apontou.

Uma câmera de segurança registrou o momento em que o policial invadiu a festa de aniversário e matou o guarda municipal. Após ser atingido, Marcelo cai no chão, e ainda consegue reagir, disparando contra o invasor, que fica ferido. Até o momento, não há uma informação precisa sobre o estado de saúde de Guaranho. A Polícia Civil havia informado, no domingo (10), que ele teria morrido. Ainda na noite de ontem, as autoridades voltaram atrás e afirmaram que Guaranho estava internado em estado grave.

Contudo, durante coletiva de imprensa realizada por volta do mesmo horário de domingo (10), a delegada Iane Cardoso disse que Guaranho estava hospitalizado em “estado estável”. “A informação que a gente tem é que o agente penal não veio a óbito, como estão informando ai. Ele não veio a óbito. Pelo contrário, ele está em estado estável. Inclusive ele foi autuado em flagrante, é bom deixar claro. Então, o delegado que estava de plantão na noite de ontem autuou o indivíduo em flagrante de delito. Ele está custodiado pela Polícia Militar enquanto recebe auxílio médico“, relatou aos jornalistas.

Continua depois da Publicidade

O crime aconteceu durante a festa de aniversário de 50 anos de Marcelo Arruda. Filiado ao PT, ele decidiu comemorar a data com as cores e símbolos do partido, e fotos do ex-presidente Lula. A festa reuniu cerca de quarenta convidados na sede da Associação Esportiva Saúde Física Itaipu. De acordo com o boletim de ocorrência, Jorge José da Rocha Guaranho invadiu o local, por volta de 23h de sábado (9), acompanhado da mulher e do filho e começou a xingar os presentes. “Aqui é Bolsonaro”, gritava ele, que foi mandado embora pelo aniversariante. Os dois não se conheciam.

Cerca de 20 minutos depois, Guaranho voltou, sozinho e armado. Ele avançou contra Marcelo e efetuou os dois primeiros disparos. O guarda municipal foi ao chão, mas conseguiu reagir, atirando três vezes contra o invasor. Arruda foi levado ao hospital, no entanto, não resistiu aos ferimentos.