A Diretoria de Crimes Cibernéticos da Polícia Federal (PF) derrubou os perfis em redes sociais que postaram vídeos com a trend ‘Caso ela diga não’, que incita violência contra mulheres. Na tarde desta segunda-feira (9), a corporação afirmou ao blog de Julia Duailibi, da GloboNews, que abriu um inquérito para investigar o conteúdo viral.
Em nota, a PF declarou que a apuração teve início após o recebimento de denúncias. “No curso das diligências, a Polícia Federal solicitou à plataforma, a preservação dos dados e a retirada do material. Durante a análise, também foram identificados outros vídeos vinculados à tendência, que foram igualmente removidos. As informações reunidas serão analisadas para adoção das medidas cabíveis“, apontou.
Nesta terça (10), a Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados vai votar um requerimento para a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigar a trend. De autoria do deputado federal Pedro Campos (PSB-PE), o pedido é para a PGR tomar medidas necessárias à responsabilização criminal dos criadores e participantes da publicação, por apologia à violência.
Em entrevista ao “GloboNews Mais”, Campos afirmou que a conduta dos influenciadores caracteriza “apologia ao crime” e apontou “crise de masculinidade” como combustível para a violência digital. “O que temos visto é uma reação completamente absurda à ocupação de espaços de poder pelas mulheres. Os homens estão perdendo aquele papel de únicos provedores e comandantes, e a resposta é atualizar o machismo e o patriarcado para o século 21 através da internet“, declarou.

Além da punição individual aos influenciadores, Campos também defendeu que a investigação da PF e o avanço da PGR foquem na estrutura das empresas de tecnologia. “É fundamental entender o que essas plataformas estão fazendo para coibir que esse tipo de conteúdo circule. Não podemos permitir que a disseminação de ideias que geram comportamentos violentos seja lucrativa ou facilitada pela falta de moderação“, disse o deputado.
‘Caso ela diga não’
A trend voltou a viralizar no TikTok neste mês, ou seja, no mês do Dia da Mulher. Nos vídeos, criadores de conteúdo simulam situações de abordagem romântica, como um pedido de namoro ou casamento, com a frase “treinando caso ela diga não”.
No entanto, os autores encenam reações agressivas diante da possibilidade de rejeição. Ao supostamente escutarem um “não”, desferem socos em objetos, simulam golpes de faca e tiros. Perfis de casais homoafetivos que reproduziram o conteúdo também foram localizados por uma reportagem da Folha de S. Paulo.

O portal g1 também analisou 20 vídeos divulgados no TikTok, publicados entre 2023 e 2025. As publicações são de perfis de 883 até 177 mil seguidores, e acumulam mais de 175 mil interações na plataforma. Yuri Meirelles foi um dos influenciadores que fez a trend na rede social, no ano passado. O vídeo voltou a viralizar e após as críticas, o marido de Nathalia Valente apagou o conteúdo e se desculpou nesta segunda-feira (9).
“Na época, foi uma brincadeira, uma trend que estava tendo, que você mostrava golpes que faria na sua mulher se ela não aceitasse o pedido de casamento“, pontuou o ex-participante de “A Fazenda 15”. “Um ano atrás eu postei esse vídeo aqui no TikTok e hoje eu olho para trás e me dá uma vergonha absurda. Foi o maior absurdo que eu já postei na minha vida e eu vim aqui pedir perdão para vocês“, destacou.
Confira a íntegra:
Yuri Meirelles pede perdão pelo vídeo e diz q vai conscientizar seu público sobre o número 180 https://t.co/rBtqvF3E6T pic.twitter.com/2a7FA7evGI
— s3u futuro ex 🏹 (@s3ufuturoex) March 9, 2026
O que diz o TikTok?
Em nota à Folha de S. Paulo, o TikTok afirmou que “os conteúdos que violam nossas Diretrizes da Comunidade foram removidos da plataforma assim que identificados. Nosso time de moderação segue atento e trabalhando para identificar possíveis conteúdos violativos sobre o tema“.
“Não permitimos discurso de ódio, comportamento violento e de ódio ou promoção de ideologias de ódio. Nossa prioridade é manter a comunidade segura e protegida, e continuamos a investir em medidas contundentes que reforçam e defendem ativamente a segurança de nossa plataforma“, completou.
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