Uma jovem de 23 anos desenvolveu uma infecção grave após um mergulho em uma piscina de hotel nos Estados Unidos. Alexis Williams e dois primos foram diagnosticados com uma superbactéria perigosa logo após utilizarem a área de lazer do Residence Inn Ann Arbor Downtown, no estado de Michigan. O caso foi divulgado em uma matéria do “Fantástico” deste domingo (21).
A jovem, que está processando o hotel, afirma que entrou na piscina entre os dias 24 e 25 de junho, período em que havia se ferido levemente na perna. Pouco depois, os primos começaram a passar mal, com vômitos e febre, enquanto Alexis sentiu fortes dores. No hospital, o diagnóstico foi Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), uma bactéria agressiva, resistente a antibióticos e capaz de corroer tecidos.
“Chegou a um ponto em que tinha que ser carregada, porque eu não conseguia andar”, relatou Alexis, que hoje depende da ajuda da mãe para tarefas cotidianas. A família acusa o hotel de negligência. Um relatório oficial do Departamento de Meio Ambiente, Grandes Lagos e Energia de Michigan (EGLE) revelou falhas na segurança da piscina. Segundo o órgão, duas amostras da água indicaram contaminação elevada. Ainda, não havia registro de cloro na amostra.

A piscina só foi fechada temporariamente após a EGLE notificar o hotel sobre os níveis insatisfatórios. Uma nova amostragem feita em 8 de julho indicou novamente ausência de cloro e pH elevado. Só então o hotel optou por um fechamento voluntário, para realizar um tratamento mais intenso da água.
O advogado de Alexis, Ven Johnson, afirmou em nota: “O hotel tinha esses resultados de teste, mas optou por ignorá-los e manter a piscina aberta. Não foi um acidente, mas um flagrante desrespeito à segurança pública… Entramos com uma ação civil para responsabilizar o Residence Inn, não apenas pelo sofrimento de Alexis, mas também para garantir que nenhum outro hóspede do hotel seja exposto a tal imprudência. Incentivamos outros hóspedes do hotel que adoeceram ou apresentaram sintomas semelhantes após nadar na piscina do Residence Inn a entrarem em contato com o escritório Ven Johnson Law”.
A MRSA está classificada entre as superbactérias mais perigosas do mundo. Segundo especialistas, ela pode causar amputações, infecções generalizadas e até levar à morte. A preocupação com microrganismos resistentes já é discutida por organismos internacionais, como a ONU, que prevê até 10 milhões de mortes anuais por infecções desse tipo até 2050, caso não surjam novos tratamentos.

Diante desse cenário, pesquisadores do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), em Boston, estão desenvolvendo métodos para acelerar a descoberta de antibióticos usando inteligência artificial. Os algoritmos criados já conseguiram gerar mais de 36 milhões de moléculas e apontar quais têm atividade antimicrobiana. Esse processo, que antes levava anos, agora pode ser feito em questão de dias, e já avança para testes em laboratório. As pesquisas miram patógenos como a gonorreia e o próprio estafilococo áureo, responsável pela infecção de Alexis. A esperança é que a tecnologia inaugure uma nova fase no combate às superbactérias.
Veja a reportagem na íntegra:
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