O fim do TikTok nos Estados Unidos? Presidente Donald Trump diz que aplicativo será banido do país; Empresa e influencers se manifestam

Seria esse um adeus dos norte-americanos ao TikTok? Nessa sexta-feira (31), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou a repórteres que viajavam com ele no avião presidencial “Air Force One”, que a rede social seria banida do país já neste sábado (1º).

“No que diz respeito ao TikTok, vamos proibi-lo nos Estados Unidos”, declarou. Sem entrar muito em detalhes, o líder republicano disse que tem toda a autoridade para anunciar medidas definitivas contra o aplicativo, por meio de “poderes econômicos emergenciais” ou de uma “ordem executiva”.

Nas últimas semanas, funcionários e legisladores norte-americanos demonstraram preocupação com a possibilidade de o TikTok ser usado por serviços de inteligência chineses, como ferramenta de espionagem. Em entrevista à Fox News, feita no início do mês, o secretário de Estado Mike Pompeo declarou que a população deveria usar a plataforma, “apenas se quisessem que suas informações privadas caíssem nas mãos de partidos comunistas chineses”.

Trump quer banir o TikTok dos EUA. (Foto: Getty)

Segundo a agência Bloomberg, Trump anunciará ainda hoje um decreto para obrigar a ByteDance, empresa chinesa avaliada em US$ 100 bilhões (R$ 521 bi), a vender suas operações nos EUA. Outros relatórios, incluindo da Fox News e do The New York Times, afirmaram que a Microsoft estaria negociando para adquirir a rede social.

Em contrapartida, a repórter Raquel Krähenbühl, correspondente da Globo News em Washington, informou em seu Twitter que em seu pronunciamento no Air Force One, “Trump deixou claro que não era à favor de um acordo que permitisse empresas estadunidenses a comprarem essas operações do TikTok”.

Se confirmada, a proibição será o mais recente episódio da “Guerra Fria 2.0” entre os EUA e a China. Para o republicano, bloquear o aplicativo seria “uma das muitas” maneiras de atingir o regime chinês. Na tentativa de apaziguar a situação, a ByteDance nomeou um executivo da Disney, Kevin Mayer, para chefiar seus negócios no país.

“Não somos políticos, não aceitamos publicidade política e não temos uma agenda política. Nosso único objetivo é permanecer uma plataforma dinâmica para que todos possam desfrutar”, anunciou o norte-americano, em coletiva de imprensa.

O TikTok também está sendo investigado pela Comissão Federal de Comércio e pelo Departamento de Justiça dos EUA, sob suspeita de que o aplicativo estaria coletando informações sobre menores de 13 anos sem a autorização dos pais, o que violaria as leis americanas de privacidade e um acordo prévio da ByteDance com autoridades do país. “Todo o setor de negócios está sendo examinado cuidadosamente, e com razão. Devido às origens chinesas da empresa, estamos sendo examinados ainda mais de perto. Nós aceitamos o desafio”, frisou Mayer.

Segundo a Variety, ainda é incerto como a ordem de Trump seria aplicada, em prática. Uma das opções, seria o chefe de Estado punir a Apple e o Google, caso as empresas mantivessem o aplicativo disponível para download em seus sistemas operacionais, adicionando o TikTok em uma lista de “entidades estrangeiras que apresentam grande risco de desvio para programas armamentísticos de destruição em massa, terrorismo, ou outras atividades contrárias às políticas ao sistema nacional de segurança estadunidense”.

Entretanto, colocar o TikTok nessa lista seria “legalmente duvidoso”, segundo James Lewis, diretor de política de tecnologia do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS). “Não há evidências de que o TikTok tenha se envolvido em atividades criminosas que ameaçam a segurança nacional dos EUA, embora o aplicativo tenha sido multado por supostas violações da lei de privacidade de dados infantis dos EUA (que a FTC está investigando)”, declarou ao The Verge.

Ainda segundo a organização dos advogados ACLU, “banir um aplicativo como o TikTok, usado por milhares de norte-americanos para se comunicarem, estaria ferindo a liberdade de expressão, e seria tecnologicamente impraticável”.

Declaração do TikTok

A gerente geral do TikTok nos Estados Unidos, Vanessa Pappas, divulgou um vídeo no perfil oficial do aplicativo.  “Quero agradecer aos milhões de americanos que usam o TikTok todos os dias, mostrando criatividade e alegria. Estamos vendo todo o apoio, e queremos dizer que não planejamos ir a lugar algum”, avisou.

“O TikTok é um espaço para criadores e artistas se expressarem e se conectarem com pessoas com histórias diferentes. Também temos muito orgulho dos 15 mil funcionários que trabalham nesse aplicativo, e dos 10 mil empregos adicionais que providenciaremos a esse país nos próximos 3 anos. Fico feliz em anunciar que temos um fundo de US$ 1 bilhão para apoiar nossos criadores, e quanto à segurança, estamos criando o aplicativo mais seguro possível, porque sabemos que é a coisa certa a se fazer”, concluiu.

@tiktok

A message to the TikTok community.

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Tik Tokers se manifestam

Muitos criadores se tornaram fenômenos dentro da plataforma, acumulando milhões de seguidores e tornando o aplicativos como maior fonte de trabalho e renda. Membros de grupos como a “Hype House” e a “Sway House” se manifestaram sobre a possível queda do app, nos Estados Unidos.

Charli D’Amelio, a pessoa mais seguida dentro da rede social, com 75,4 milhões de seguidores, fez um questionamento aos fãs. “Tenho 1950 vídeos salvos nos rascunhos. Devo postar todos eles agora?”, escreveu.

A irmã de Charli, Dixie D’Amelio, também se despediu dos fãs, por precaução. “Oi, pessoal! Só queria postar algo aqui… provavelmente pela última vez. Que dia ótimo! Esses últimos dias estão sendo ótimos! Ok, tchau!”, ironizou.

“O TikTok me deu muitos amigos e memórias pelas quais serei eternamente grato”, comentou Griffin Johnson.

Bryce Hall já aproveitou para vender seu peixe. “Olá pessoal! Bryce Hall, ex-TikToker, falando. Como vocês sabem, o TikTok vai ser banido! Se estou com medo? Claro que não! Eu sou um youtuber! Então se quiserem se inscrever no meu canal, façam isso, porque vou postar muito mais conteúdo lá, agora que não precisarei mais dançar o ‘Renegade'”, brincou.

Tony Lopez foi outro que tirou sarro das dancinhas tão famosas no aplicativo. “Esse sou eu tentando convencer o Trump a não banir o TikTok”, escreveu na legenda de um vídeo fazendo passinhos.

Addison Rae, outra grande influenciadora que ganhou fama na plataforma, também repostou um vídeo em seu Twitter, dizendo que passaria por alguns perrengues na hora de conseguir um novo emprego. “Gerente do McDonalds: ‘Ah, então diz aqui que você trabalhava com o TikTok. Quais habilidades você pode trazer para a empresa?”, diz a legenda do vídeo em que um menininho aparece requebrando.

A má notícia é que sentiremos falta de acompanhar alguns criadores, caso o TikTok seja realmente banido. A boa, é que o app segue firme no Brasil! Por aqui, o “Renegade” vai continuar!