Neguinho da Beija-Flor expõe motivo para deixar a escola e incômodo em último desfile: “Não me senti bem”

Cantor era intérprete da Beija-Flor de Nilópolis há mais de 50 anos

Neguinho da Beija-Flor explicou por que decidiu deixar o Carnaval carioca após 54 anos como intérprete da Beija-Flor. Em entrevista ao Metrópoles, o sambista relembrou sua saída da função, falou sobre a experiência no desfile deste ano e comentou os próximos passos de sua carreira.

O fim de uma era… Neguinho da Beija-Flor explicou a decisão de deixar o Carnaval carioca após 54 anos. Em entrevista ao Metrópoles, nesta sexta-feira (4), o cantor de 77 anos relembrou a conversa que teve com a escola de samba e lamentou uma situação que ocorreu durante o desfile deste ano. Atualmente, Neguinho se dedica à carreira solo e prepara uma turnê pelo Brasil.

Neguinho decidiu entregar o posto em 2025, após anos como o principal intérprete da Beija-Flor. Segundo o sambista, a escolha partiu dele, porque considerou que havia chegado o momento de “passar o microfone para a próxima geração”. Em 2026, o artista participou do desfile como baluarte da escola, título que representa uma “memória viva” da agremiação. A experiência, no entanto, não agradou.

“Não foi legal. Quer dizer, é um casamento que se desfez depois de 54 anos. Eu me senti meio desconfortável. Eu desfilei com uma faixa de baluarte, mas te confesso que eu não me senti muito bem. Tanto é que no Desfile das Campeãs, eu não desfilei, porque eu honestamente não me senti legal”, admitiu.

Continua depois da Publicidade

Questionado sobre um eventual convite para desfilar novamente com a escola, ele foi categórico: “Carnaval, desfile das escolas de samba, já foi. É uma decisão que a gente tomou para sempre”.

Ludmilla ao lado de Neguinho da Beija-Flor durante ensaio técnico para o Carnaval de 2023. (Foto: Daniel Pinheiro/AgNews)

Apesar do incômodo, Neguinho se mostrou satisfeito por ter deixado a função no auge, sem precisar ser afastado por outros motivos. “Toda a minha carreira eu fui o único. Eu fui o mais jovem compositor, vencedor de samba enredo sozinho. Fui eu quem criou os alusivos, que hoje todo mundo faz. Eu fui o primeiro compositor a dar um título a uma escola de samba que até então era considerada de médio porte e eu fui também o único que entrei campeão e saí campeão. Sou o primeiro intérprete que saiu do desfile no auge. O único que passou o microfone. Porque os outros, um foi por falecimento, o outro por doença, o outro foi mandado embora”, avaliou.

A expectativa de Neguinho era de que a mudança diminuísse o ritmo de trabalho, mas, segundo ele, isso não aconteceu. Hoje, o artista estreia o espetáculo “Neguinho da Beija-Flor Canta Sua História” no Rio de Janeiro. A apresentação também deverá passar por São Paulo, Manaus e outros oito estados brasileiros.

Neguinho foi intérprete da Beija-Flor por 54 anos (Foto: Divulgação/Globo)

Continua depois da Publicidade

Ele ainda será homenageado na peça musical “O Neguinho da Beija-Flor”, inspirada em sua história. “Às vezes, até tem hora que eu me belisco para ver se é real essa homenagem. Eu acho que nem mereço ter essa história sendo representada no teatro. Mas está emocionante”, comemorou.

Siga o Hugo Gloss no Google Discover e acompanhe nossas notícias