Após Scorsese, Coppola, diretor de “O Poderoso Chefão”, detona filmes da Marvel de forma contundente: ‘Desprezíveis’

Parece que Martin Scorsese não é o único diretor de cinema aclamado que não gosta da Marvel. Durante uma conversa com jornalistas em Lyon, na França, Francis Ford Coppola revelou que também não é fã dos filmes de heróis e apoiou a declaração de seu colega de profissão.

Segundo o ‘Yahoo’, o diretor da trilogia “O Poderoso Chefão” não fez questão de esconder seu sentimento negativo em relação aos filmes que arrecadam milhões de bilheteria. “Quando Martin Scorsese diz que os filmes da Marvel não são cinema, ele está certo porque nós esperamos aprender algo do cinema, ganhar algo, algum esclarecimento, conhecimento, ou inspiração”, afirmou Coppola, indicando que tais longas não levariam a uma reflexão.

Prestes a receber o prêmio Prix Lumiere, por sua contribuição ao cinema, o também roteirista deu a entender que todas as produções do estúdio contavam a mesma história. “Eu não sei o que alguém ganha assistindo ao mesmo filme repetidas vezes”, refletiu ele, detonando as produções do tipo. “Martin foi bondoso quando ele disse que não é cinema. Ele não disse que é desprezível, o que eu acabo de dizer que é”, concluiu.

Responsável pela franquia de “Guardiões da Galáxia”, James Gunn, que já havia rebatido os comentários de Scorsese, defendeu novamente os filmes do estúdio. “Muitos dos nossos avôs pensavam que todos os filmes de gângster eram os mesmos, chamando-os de ‘desprezíveis'”, escreveu o diretor em suas redes sociais, sem mencionar nomes.

Coppola é outro diretor que quer passar longe da Marvel! (Foto: Getty; Divulgação)

“Alguns de nossos tataravôs pensavam a mesma coisa dos filmes de faroeste e achavam que os longas de John Ford, Sam Peckinpah, e Sergio Leone eram exatamente iguais”, continuou Gunn, citando uma experiência própria de exemplo. “Eu me lembro de um tio-avô com quem eu estava brigando sobre ‘Star Wars’. Ele respondeu dizendo: ‘Eu já assisti quando era chamado 2001 e, nossa, como era entediante”.

Ao terminar sua comparação, James escreveu que nunca será possível que um filme agrade a todos. “Super-heróis são simplesmente as aventuras gângster, cowboy e do espaço sideral de hoje. Assim como alguns filmes de super-heróis são péssimos, alguns são lindos. Como filmes de faroeste e gângster (e antes disso, apenas FILMES), nem todo mundo vai ser capaz de apreciá-los, até alguns gênios. E está tudo bem”, concluiu ele.

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Many of our grandfathers thought all gangster movies were the same, often calling them “despicable”. Some of our great grandfathers thought the same of westerns, and believed the films of John Ford, Sam Peckinpah, and Sergio Leone were all exactly the same. I remember a great uncle to whom I was raving about Star Wars. He responded by saying, “I saw that when it was called 2001, and, boy, was it boring!” Superheroes are simply today’s gangsters/cowboys/outer space adventurers. Some superhero films are awful, some are beautiful. Like westerns and gangster movies (and before that, just MOVIES), not everyone will be able to appreciate them, even some geniuses. And that’s okay. ❤️

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Para quem não se lembra, no começo do mês, Martin Scorsese, diretor de “Taxi Driver” e “O Infiltrado”, disse à revista Empire que não consegue se manter a par das superproduções com personagens derivados dos quadrinhos.

“Eu tentei, sabe? Mas não é cinema”, disse, quando questionado se tinha visto os filmes da Marvel. “Honestamente, o que eu consigo pensar deles, mesmo que sejam bem feitos, com atores fazendo seu máximo de acordo com as circunstâncias, é que são parques de diversões. Não é o cinema de seres humanos tentando emitir experiências emocionais e psicológicas para outro ser humano”, opinou.

O comentário gerou muita polêmica e grandes estrelas das produções saírem em defesa do estúdio, incluindo Robert Downey Jr, nosso Tony Stark. Apesar de ter dito ser importante lidar com diferentes perspectivas durante bate-papo no programa de rádio “The Howard Stern Show”, o ator disparou que a fala de Scorsese só “não faz sentido”.