Netflix testa nova funcionalidade e revolta diretores e atores; Serviço de Streaming se justifica: “É frequentemente requisitada”

Eita! Parece que um teste recente realizado pela Netflix para uma nova função no serviço de streaming não foi bem aceito pela indústria cinematográfica. Após a notícia da ferramenta vazar em sites de tecnologia, vários diretores manifestaram seu descontentamento pelas redes sociais. Diante da repercussão negativa, a plataforma resolveu se pronunciar sobre o caso.

O novo controle testado pela Netflix permitiria que um telespectador aumentasse ou diminuísse a velocidade de reprodução da produção à qual estivesse assistindo. Ele só seria usado para filmes e séries baixados no celular, entretanto.

Apesar disso, a decisão foi detonada por cineastas e estrelas nas redes sociais, incluindo o ator Aaron Paul, que protagoniza “El Camino: A Breaking Bad Movie”, lançado recentemente no serviço. “Parem. Como a pessoa que falou sobre isso no artigo eu sinto o direito de me pronunciar”, escreveu ele no Twitter, respondendo a uma matéria sobre a ferramenta.

O ator, então, deixou claro que não concordava com a função. “Não há NENHUMA CHANCE da Netflix seguir em frente com isso. Isso significaria que eles estão completamente tomando o controle da arte de todo mundo e destruindo. A Netflix é muito melhor que isso. Eu não estou certo, Netflix?”, concluiu ele

Judd Apatow, diretor de “Missão Madrinha de Casamento”, revelou que lutaria contra a plataforma caso a ferramenta fosse aprovada. “Não me façam ligar para cada diretor e criador de série na Terra para lutar contra você nisso. Me poupe tempo. Eu vou vencer, mas vai levar um bom período. Não mexa com a nossa velocidade. Nós damos coisas legais para vocês. Deixem-nas como elas foram feitas para ser vistas”, ameaçou.

O diretor de “Os Incríveis”, Brad Bird, e o co-diretor de “Homem-Aranha: No Aranhaverso”, Peter Ramsey, também atacaram a proposta. “Outra espetacular má ideia. Outro corte na experiência já machucada do cinema”, lamentou Bird. “Tudo tem que ser feito para os mais preguiçosos e sem bom gosto nenhum?”, questionou Ramsey.

“Essa é uma ideia terrível. Eu e todo diretor que eu conheço vamos lutar contra isso”, concordou Peyton Reed, responsável por “Homem-Formiga”.

A nova ferramenta da Netflix foi extremamente criticada pela indústria cinematográfica (Foto: Reprodução)

Com tanto feedback negativo, não demorou muito para a Netflix se posicionar sobre o assunto. Através do blog oficial da empresa, Keela Robison, a vice-presidente de inovação de produto, justificou a ideia, dizendo que inúmeras ferramentas são testadas regularmente e nem por isso são aprovadas.

“No último mês nós começamos a testar vários controles adicionais, incluindo a habilidade de: alterar o brilho no seu celular sem ir para as configurações, bloquear sua tela e achar as configurações de língua e áudio mais facilmente e variar a velocidade na qual você assiste a algo no celular”, afirmou ela, acrescentando que queria explicar mais detalhes do produto, dada a quantidade de questionamentos que ele levantou.

“Este é um teste exclusivo para aparelhos móveis e dá para as pessoas a habilidade de variar a velocidade na qual elas assistem a algo em seus celulares ou tablets – mudando de normal para mais devagar (0.5X ou 0.75X) ou mais rápido (1.25X ou 1.5X). É uma ferramenta que já está disponível há muito tempo em aparelhos de DVD – e que é frequentemente requisitada por nossos membros. Por exemplo, pessoas querendo reassistir à sua cena favorita ou com vontade de ir mais devagar porque é um título estrangeiro”, detalhou Robison.

A vice-presidente ainda acrescentou que a função não seria imposta a nenhum espectador. “Nós somos sensíveis às preocupações dos criadores, e não incluímos as grandes telas, particularmente as TVs, no teste. Nós também automaticamente corrigimos as falhas de áudio nas velocidades lentas e rápidas. Além disso, os membros devem escolher variar a velocidade cada vez que assistirem a algo novo. A Netflix não vai manter as configurações baseadas em sua última escolha”, pontuou.

Por fim, ela disse que a Netflix não tem “planos de colocar em prática nenhum desses testes em curto prazo”. Além disso, Keela destacou que a introdução de novas ferramentas sempre depende do feedback recebido. Desta vez o feedback já foi deixado bem claro, né?