Entrevista: Estreia! Carolina Dieckmann se abre sobre cantar pra valer pela primeira vez nos palcos com “Karolkê” e revela o que a motivou: ‘Quero que as pessoas saiam dali corajosas’

Apaixonada por experiências inéditas, Carolina Dieckmann está prestes a enfrentar um interessante desafio! Pela primeira vez, a atriz vai encarar os palcos com uma nova missão: cantar e encantar. A musa estreia seu novo espetáculo “Karolkê” nesta quinta-feira (01), e em entrevista exclusiva ao hugogloss.com, falou se já considerou ter uma carreira musical, comentou tudinho sobre sua “peça-show”, além de ter aberto o coração sobre a criação dos filhos e sobre como eles se ligaram nesse projeto.

Construído em parceria com o produtor Léo Fuchs e seus amigos músicos Pretinho da Serrinha e Vinicius Feyjão, o “Karolkê” é difícil de se encaixar numa categoria. Mesmo assim, Carolina não tem dúvidas sobre seu objetivo principal: “É um karaokê em que eu estaria cantando junto com as pessoas. A ideia é que as pessoas cantem o tempo inteiro. Por causa disso, a gente fez um repertório só de músicas muito conhecidas, pra que as pessoas que quiserem cantar, possam cantar, né?”.

Carolina Dieckmann encarou o microfone no “Karolkê” e não ficou uma verdadeira fadinha? Linda! (Foto: Divulgação)

Relação com a música

Nessa sua nova fase, a estrela explora a antiga paixão pelo canto, que a segue desde criança! “A música entrou na minha vida muito antes de eu pensar em ser atriz. Eu já gostava de cantar, só que eu nunca levei a sério. Era uma coisa tão íntima, tão hobby… um prazer tão com cara de encontros familiares, encontro com os amigos, que eu nunca me neguei a cantar… Então não é que eu negasse essa minha paixão pela música. Mas eu não investia nela”, contou Carolina.

Mas não pense você que este é um salto de vez para uma carreira musical! “‘Ah, agora a Carolina vai cantar?’ Não, não é agora, eu canto a minha vida inteira. E agora eu estou mostrando uma coisa que eu tenho prazer de fazer”, respondeu ela, explicando não se sentir como uma cantora, mas como uma intérprete, uma “atriz que canta”. Aliás, para ela, essa tem sido uma “experiência muito enriquecedora”.

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Apesar da forte relação com a música desde a infância, estar num projeto como o “Karolkê” e cantar pra valer diante de uma plateia nunca passou na mente da nossa estrela: “Nunca me imaginei. Realmente, isso daí foi uma ousadia assim inacreditável, sabe?”. De qualquer forma, Carol não descarta a possibilidade de ter um álbum ou coisa do tipo. “Eu já não duvido de mais nada… Imaginar, realmente, eu não imagino assim. É um deixa a vida me levar”, declarou a bela. Quem sabe um dia, né?

Família

Parte da emoção envolvida na nova peça, se deve à relação de cada música com a artista. Não só com Carol, mas também com sua família. Durante a rotina de ensaios, feitos em casa mesmo, seus filhos Davi e José também tiveram uma participação ativa no projeto. “Tem várias músicas que a gente canta por causa do Davi. Aí teve um ensaio que o Davi falou pra eu cantar uma música que eu cantava muito com ele. Eu falei, ‘Ai filho, essa a mamãe não vai aguentar cantar porque eu vou chorar e eu não quero chorar’”, confessou a mamãe coruja.

Quem vê Carolina Dieckmann assim toda à vontade no ensaio aberto do show, nem se lembra de que é a primeira vez dela cantando pra valer nos palcos! Maravilhosa! (Foto: Divulgação)

“Então eles tiveram uma participação bem interessante nesse projeto e no processo em si, de participar, de estar junto, foi bem legal”, adicionou Carolina. Para matar a saudade dos seus amores na turnê do “Karolkê”, Carolina espera dar algumas pausas para voltar pra casa. Mas ela vê isso com bons olhos: “A graça é essa. O artista vai pra muitos lugares e às vezes os projetos que a gente faz longe de casa propõem uma entrega muito diferente”. Sem planos para a TV por enquanto, pouco após sua destemida Afrodite em “O Sétimo Guardião”, seu foco agora será a turnê com o espetáculo.

E já, já teremos a estreia desse showzão! O “Karolkê” estará no Teatro Iguatemi Campinas nos dias 01 e 02 de agosto, e em São Paulo no dia 06 de agosto, no Teatro Porto Seguro. Sem dúvidas, será icônico!

Carolina Dieckmann levará os shows que rolavam em sua casa com os amigos para os palcos!  (Foto: Manuela Scarpa e Iwi Onodera/Brazil News)

Confira na íntegra a entrevista com Carolina Dieckmann!

Hugo Gloss – Como você descreveria o Karolkê? É como um musical, uma peça, um show musical?

Carolina Dieckmann – Essa é a pergunta mais difícil de todas. A gente fica pensando se a gente acha que é um sarau. Porque não é de fato um karaokê. Não é uma banda para as pessoas cantarem. Quando a gente botou “Karolke”, é um karaokê que eu estaria cantando junto com as pessoas. A ideia é que as pessoas cantem o tempo inteiro. Por causa disso, a gente fez um repertório só de músicas muito conhecidas, pra que as pessoas que quiserem cantar, possam cantar, né? Porque as músicas são bem conhecidas.
Então, classificar exatamente o que que é, acho que é mais parecido com um sarau do que com uma peça, ou do que com um show. Se fosse um show, seria um show acústico, porque só tem duas pessoas no palco. Então, é uma “peça-show”.

HG – E de onde veio a ideia de fazer esse espetáculo?

CD – A ideia foi do Léo Fuchs. Eu já estava me encontrando no ano passado com o Pedro Baby, o Pretinho e o Feyjão, que são meus amigos da vida, e a gente estava querendo fazer alguma coisa relacionada com a música. A gente não sabia exatamente o quê, mas a gente queria compor umas músicas, de repente gravar uma. Enfim, a gente entrou num processo de se encontrar com alguma regularidade e produzir alguma coisa. Porque eu sempre gostei desse meio, os meninos também, então a gente entrou nessa.

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Só que nesse meio tempo, o Pedro Baby teve um filho, tá com um filho recém-nascido, agora já deve ter uns 6 meses. Nasceu no meio desse processo. E o Pretinho estava com a turnê dos Tribalistas e lançando a carreira solo dele, com show, preparando todas essas coisas. Então a gente viu que não dava pra fazer o projeto como a gente queria naquele momento. Como eu e o Feyjão estávamos com a agenda um pouco mais livre, eu estava morando no Brasil sem a minha família, então todo o tempo que eu não estava gravando a novela, eu tinha um tempo livre.

A gente continuou se encontrando e o Léo falou, “Gente, vamos fazer alguma coisa? Vamos fazer um pocket do que é o nosso projeto? Se o nosso projeto é uma coisa musical mais extensa, com mais gente no palco, vamos fazer uma coisa vocês dois. Vamos já começar a pensar no que a gente gostaria de inspiração e tal”, e aí eu achei muito estranho. ‘Léo mas será?’ E um dia ele falou, ‘Carol, vou aí na sua casa conversar com você’. E chegou aqui com uma data. ‘Eu tenho as datas 1 e 2 de agosto em Campinas. Então vamos fazer? Vamos experimentar?’ E eu falei, ‘Vamos’. Isso tem um mês e meio.

E a gente levantou esse projeto muito na mão, mesmo. Eu que fiz a parte gráfica do projeto. O Léo como produção faz tudo sozinho. A gente chamou pessoas íntimas da gente, que a gente queria que tivessem perto nesse momento. Então é um projeto que é muito feito dentro de casa, sabe? Os ensaios foram todos aqui na minha casa. E a gente tá muito animado. A gente tá achando que ele ficou exatamente o que a gente queria. Uma coisa gostosa de presenciar. Mais do que assistir, a gente quer que as pessoas gostem de estar lá. Gostem de ouvir uma música antiga e se lembrar de alguma coisa, gostem de cantarolar uma parte, gostem de ver um pouco também. Então, a experiência pra gente é o que mais conta.

HG – Em “Karolkê”, você retoma a parceria com Léo Fuchs e Pretinho da Serrinha, de “Tryo Elétryco”. Como é trabalhar com eles?

CD – Essa parceria nasceu antes do “Tryo Elétryco”, o Tryo foi um ensaio dessa parceria. Mas a gente tem ideia de trabalhar juntos há muito tempo. Eu sou super amiga dos dois e cada vez mais, a gente é muito próximo mesmo na vida. E eu acho que trabalhar com amigo é uma sorte imensa. Eu realmente acho a coisa mais legal do mundo. Porque se você encontra amigos que têm disciplina, têm seriedade e têm a mesma maneira que você de trabalhar e de ver com um encontro profissional, é uma sorte imensa. Porque nada parece trabalho.

A gente tá sempre junto porque a gente quer. Daí acaba o ensaio e a gente não quer ir embora, porque a gente quer continuar junto. E aí, agora a gente decidiu fazer a nossa mini-turnê toda de ônibus, pra gente ficar o tempo inteiro juntos. Então a gente tá vivendo realmente uma lua de mel.

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O Pretinho que tá fazendo o projeto e que não pôde estar no palco, ficou como diretor musical, fica o tempo inteiro querendo estar. Aí, já decidiu que vai cantar no show de São Paulo pra participar. E aí tá mal mandando mensagem, que ele foi fazer show com Seu Jorge e ele tá o tempo inteiro, ‘Filma, não sei o quê’, querendo estar junto, então, isso na verdade é o mais importante, isso é o mais legal.

HG – Você canta desde quando? Quais suas primeiras memórias com a música… e por que nunca se lançou como cantora?

CD – Desde que eu nasci eu acho que eu canto. Eu me lembro assim muito pequena, a minha mãe viajava muito e como ela viajava muito, ela viajava culpada. Então ela sempre falava pros filhos: ‘Que que vocês querem de presente? Que eu vou trazer um presente’. E eu passei a minha infância inteira, desde que eu era muito pequena, 3, 4 anos, até os 10, pedindo microfone. A minha mãe achava que eu ia ser cantora de qualquer jeito, porque eu só queria saber de cantar.

Então, na verdade, a música entrou na minha vida muito antes de eu pensar de ser atriz. Eu já gostava de cantar, só que eu nunca levei a sério. Era uma coisa tão íntima, tão hobby… um prazer tão com cara de encontros familiares, encontro com os amigos, que eu nunca me neguei a cantar. Eu já tive alguns convites, cantei uma vez com Ed Motta no Faustão, depois Mumuzinho me chamou para gravar uma música e eu gravei. Então não é que eu negasse essa minha paixão pela música. Mas eu não investia nela.

E aí, de repente, com essa ideia do Léo, falei ‘Por que não?’. Pra ser atriz eu não preciso ser só atriz, posso ser uma atriz que canta. E no palco, fazendo o Karolkê eu me sinto uma intérprete. Não é que eu penso ‘Agora eu sou uma cantora’. Não, eu sou uma atriz afinada, estudiosa disso, gosto de cantar, tenho muito prazer e tô amando interpretar essas canções. Pretinho ontem estava falando, ‘Caramba, Carol, as coisas que você faz com as mãos! Já trabalhei com várias cantoras que ficam fazendo aula de corpo, pra poder incorporar o gesto na canção, enquanto tá cantando e você faz isso naturalmente’. E isso faz parte da minha escola, né? De cantar sentindo, de ser atriz, de passar a vida inteira colocando meus sentimentos no meu corpo. Então, pra mim, está sendo uma experiência muito enriquecedora como atriz. A gente que é artista é muito inquieto, né? A gente tá sempre inventando um negócio. Melhorando um negócio aqui, ou acrescentando um ali. Eu vejo assim, de verdade, com muita naturalidade.

HG – Como foi a seleção do repertório? Quais músicas das escolhidas que mais te tocam ou que falam sobre momentos específicos de sua vida… tem alguma?

CD – Tem muitas [que me tocam]. Da parte do sertanejo, os sertanejos que a gente escolheu – que é uma música muito brasileira, que fala muito do Brasil, sim – como tem muita música sertaneja famosa, as que a gente escolheu são as que eu mais gosto de cantar. Então, na parte de sertanejo, por exemplo, tem uma parte que sempre me emociona.

Aí tem um medley também – é tudo grupinho de música. Aí tem um grupo de gringo, uma do John Lennon, uma do Queen, que são também as músicas que eu realmente mais gosto de cantar. Então, eu acho que a parte da emoção fica nesse sentido. Dentre todas essas que a gente acha que seriam legais de cantar, porque são muito famosas e porque as pessoas vão poder cantar junto, escolher as que mais me emocionam. Então, o show é muito emotivo pra mim. O tempo inteiro lembro de situações, ou cantando com uma amiga há muito tempo atrás, ou vendo um filme. O tempo inteiro, eu tô ali transbordando emoções de memórias minhas mesmo.

HG- Você fez alguma preparação prévia para essa nova série de shows? Você chegou a fazer aulas de canto, explorou mais alguma técnica ou foi só no gogó com suas habilidades mesmo?

CD – Aula de canto, não. O que aconteceu foi que ontem [segunda-feira] de manhã eu acordei e falei, Léo, o quê que você acha da gente chamar uma professora de canto no ensaio pra ela dar uma olhada, ver se eu tô fazendo alguma coisa errada. E aconteceu isso ontem. A gente recebeu uma professora de canto pra olhar o que eu estava fazendo. E ela falou, ‘Carolina, assim, você canta do seu jeito. Você não tá com dificuldade de atingir as notas que você tá se propondo. Não tem nada que eu possa fazer. Eu posso te ajudar a aquecer sua voz – que é uma coisa que eu nunca soube. Desaquecer sua voz. Eu posso te ajudar tecnicamente a você estar com a voz preparada pra fazer o show. Mas não tem mágica. O que você já tá fazendo, você já tá fazendo’.

A gente fez isso literalmente ontem. Fora isso, tudo que a gente tá fazendo no palco fui aprendendo com o Pretinho, com o Feyjão, observando algumas coisas, algumas coisas tem mais esforço. Alguns instrumentos que eu toco que demoraram mais pra pegar, porque eu nunca tinha encostado no instrumento, outros que eu tinha mais facilidade. Mas o legal é estar no palco assim vulnerável, fazendo tudo com amor, com entrega, despojamento, sem me levar a sério.

É um show pra todo mundo sair dali com vontade de fazer alguma coisa que, de repente, sempre quis fazer e ‘não faço porque é dentista’. O cara sempre quis pintar e não pinta porque ele é dentista, vive estudando. Por isso, sair dali com vontade de fazer alguma coisa que talvez não seja sua coisa principal. Porque todo mundo pode ser mais uma coisa, todo mundo pode se experimentar, todo mundo deve se experimentar, e colocar pra fora essas coisas. Então o meu desejo é esse. Que as pessoas se emocionem e saiam dali corajosas.

HG – Você se imaginava fazendo isso algum dia? Cantando pra valer diante dos palcos?

CD – Não, nunca me imaginei. Realmente, isso daí foi uma ousadia assim inacreditável, sabe? Se o Léo não tivesse falado, não tivesse colocado pilha, certamente ia ficar pra um dia. E aí fica um dia, e aí espera o Pretinho e o Pedro Baby ter uma hora… E quando a gente estava pensando em gravar as músicas, a gente nunca pensou em show. A gente queria ter músicas nossas. Seria uma coisa que ficaria realmente pra algum dia. Então, a força do Léo nesse projeto é muito séria e muito importante.

Ah, agora a Carolina vai cantar? Não, não é agora, eu canto a minha vida inteira. E agora eu tô mostrando uma coisa que eu tenho prazer de fazer. E quando a gente faz as coisas com coração, com prazer, se tem uma coisa que a gente aprende na vida é que só faz sentido mesmo quando tem coração, quando tem entrega. Então, tudo que a gente faz com coração, que a gente faz com uma intenção, com uma energia, tende a dar certo. E o dar certo nem sempre é dar público. Às vezes, é só satisfação. É só você se entregar, é você ser feliz. Se eu fizer os espetáculos e se eu vir as pessoas cantando comigo, não importa se é uma, se é dez, se é 100, se eu vir elas entendendo e se conectando comigo ali, pra mim já é incrível, já é o que eu busco mesmo.

HG – Depois de se aventurar nessa nova experiência, você já considerou participar, ou se aceitaria um convite de algum programa de competição musical? Popstar, Show dos Famosos, por exemplo.

CD – Não, por causa da competição. Eu não tenho maturidade pra lidar com competição. Quando eu vejo esses programas eu fico pensando, ‘Ai meu Deus o quê que o outro vai fazer’, aí o outro faz e eu choro, eu sou muito emotiva. E também não é onde eu quero botar minha energia, eu não gostaria mesmo de colocar minha energia numa competição. Eu quero mesmo colocar nos meus erros, nos meus acertos e poder me emocionar acima de acertar ou errar, sabe?

HG – Seguindo nessa linha, já se imaginou algum dia gravando um álbum, tendo suas próprias músicas?

CD – Eu já não duvido de mais nada. É isso que eu posso dizer. Imaginar, realmente, eu não imagino assim. Mas eu também não duvido. É um deixa a vida me levar, e de vez em quando vem um amigo meio maluco que nem o Léo, que coloca uma data, aí você aceita… e quando você vê, você tá fazendo. E eu quero estar nessa vida desse jeito mesmo, sabe? Mudando de opinião, sendo arrebatada pelas coisas, pelas pessoas. Essa é a maneira que eu me vejo na vida e que eu quero continuar me vendo.

HG – Depois de ter superado tantos desafios na carreira de atuação e agora enfrentando mais um deles, você acredita que ainda existe alguma coisa que te desafia? O que você ainda quer experimentar algum dia? E que não se vê fazendo nunca?

CD – Certamente, tudo me desafia. Mesmo eu tendo uma carreira já, já tendo feito muita coisa, já estou há tanto tempo fazendo, sempre que eu pego o personagem. eu tenho um frio na barriga, eu me sinto desafiada, senão eu não saio de casa. Eu quero sair de casa pra ficar com a perna bamba, sabe? Pra me jogar. Eu não quero sair de casa pra ficar repetindo, como se eu fosse uma máquina dentro de uma fábrica. Eu quero fazer sempre diferente, sempre desafio, sempre novo.

O que eu não me imaginaria fazendo eu não imagino, eu nunca pensei nisso. Mas essa coisa de competição, por exemplo, é uma das que eu não tenho vontade. Competição é uma coisa que eu não me vejo fazendo. Eu não gosto de dizer não, de ficar dizendo que que eu não faria, eu não sei. Eu realmente não me vejo, mas nada é tão “não absoluto”. Às vezes é do momento da nossa vida, sei lá.

HG – Temos planos para TV?

CD – Não, que eu acabei de fazer a novela, né? Parece que eu nem saí da novela. Então agora esse segundo semestre vai ser uma coisa que eu vou me dedicar a esse projeto.

HG – Qual papel você queria desempenhar nas novelas? Tem algum que você acha que poderia ser importante pra sua carreira?

CD – Milhões de papéis. Eu não teria nem como citar. Todos os que eu não fiz, né? Pra mim, não tem isso de ‘Já fiz muito mocinha, agora quero vilão’, não existe isso. Eu quero contar histórias. O que me move na minha profissão é contar histórias, não é contar estereótipos. Não é ‘Ah não, então eu já tiquei. Já fiz uma cega, então agora eu quero fazer uma rica’, entendeu? Pra mim uma personagem é muito além das principais características, ou da função dramatúrgica que ele tem. Pra mim, uma personagem é contar uma vida, contar uma história. Então, tudo que eu não fiz, é o que eu gostaria de fazer, não tem como citar.

HG – Sabemos que você tem um forte apego pelo José, pelo Davi, e claro, pelo maridão Tiago também. Nessa nova rotina agitada que vem aí, como fica a saudade da família? Eles vão te acompanhar? Você vai dar algumas pausas para voltar para casa?

CD – Eu vou dar algumas pausas pra voltar pra casa. Nesse primeiro processo, eles estavam aqui no Rio. Quer dizer, o José e o Davi estão até agora, o Tiago que já voltou. Mas eles passaram esses últimos três meses comigo aqui, acompanharam muito de perto os ensaios, tiveram comigo a maior parte do tempo, então, ainda não senti. E aí, obviamente é essa vida que eu tenho de ter uma casa fora, né? Que é você ir achando os tempos e contratempos pra poder manter a família, continuar regando as plantinhas e ao mesmo tempo ir atrás dos seus sonhos, que muitas vezes não estão do lado da nossa casa.

Carolina Dieckmann durante o ensaio aberto que contou com a presença de Preta Gil e Mumuzinho. (Foto: Divulgação)

Eu vejo também com muita naturalidade. Tinha uma frase do Marcelo Mastranelli que falava assim, ‘Minha profissão é ficar com uma mala pronta do meu lado e aí alguém me chama, eu pego a mala e vou’. E é isso, assim. A graça é essa. O artista vai pra muitos lugares e às vezes os projetos que a gente faz longe de casa propõem uma entrega muito diferente. Então, tem graça tudo. Tem graça fazer do lado de casa, como vou fazer hoje aqui no Fashion Mall, que é praticamente vizinho da minha casa, e tem graça fazer no Japão, sabe?

HG – Eles palpitam nos seus trabalhos, dão opiniões nas coisas que você faz, filmes, novelas, peças?

CD – Filmes e novelas, não. Porque acho que eles não manjam, não tem tanto interesse assim em ficar lendo sinopse comigo. Mas nesse projeto, por exemplo, que eu ensaiei a maior parte aqui em casa, tem várias músicas que a gente canta por causa do Davi. Aí teve um ensaio que o Davi fez que ele falou pra eu cantar uma música que eu cantava muito com ele. Eu falei, ‘Ai filho, essa a mamãe não vai aguentar cantar porque eu vou chorar e eu não quero chorar’. Então eles tiveram uma participação bem interessante nesse projeto e no processo em si, de participar, de estar junto, foi bem legal.

HG – E como tem sido a experiência de criar dois meninos? Encarar a fase da adolescência foi um período mais difícil, ou foi tranquilo?

CD – Foi super tranquilo, o Davi foi um adolescente bem tranquilo. Ele já tá com 20 anos, então ele já nem é mais adolescente e foi bem tranquilo. Ele é muito certinho, muito responsável, muito compenetrado nas coisinhas dele, então foi uma dádiva, ter um adolescente como ele. E o José agora tá entrando na adolescência, ele vai fazer 12 anos.

Esse universo de menino é um universo que eu me sinto muito à vontade, porque eu tenho 3 irmãos homens. Eu fui criada com menino, então eu tenho muita facilidade pra lidar com homem mesmo, com as questões, com as brincadeiras, eu tenho muita intimidade. Porque cresci no meio de um monte de menino, sempre com brincadeira de menino, com papo de menino, com impaciência de menino, muito mais do que com as coisas de menina. Acho que eu teria mais dificuldade se eu tivesse uma filha mulher.

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HG – Se você pudesse dar um conselho a si mesma sobre maternidade, o que você diria?

CD – Eu diria pra me assustar menos. Porque é isso, mãe sempre toma muito susto. A gente tá sempre com o coração na mão e, no fim das contas, o que tem que acontecer, acontece. Então, se eu pudesse voltar atrás, eu tentaria me manter mais tranquila mesmo, porque é muito amor, né? Parece que é um pedaço da gente andando pelo mundo, então, difícil controlar o coração.

HG – Só para fechar, uma curiosidade nossa: nessa turnê, qual é a única coisa que não pode faltar no seu camarim?

CD – Gente eu nem pensei nisso… Acho que é água. Vou ter que beber muita água, vou ficar com a boca muito seca de nervoso e todo mundo fala que tem que hidratar muito, né? Quando penso num camarim eu penso num copo d’água. Água mesmo.