O ex-técnico da Coreia do Sul, Hong Myung-bo, recebeu ameaças de morte após a eliminação da seleção na fase de grupos da Copa do Mundo. Diante do caso, a polícia sul-coreana reforçou o esquema de segurança para a chegada dele no Aeroporto Internacional de Incheon, na madrugada local desta terça-feira (30). Hong, inclusive, pediu demissão ao final do torneio.
As ameaças começaram a circular nas redes sociais logo depois da seleção sul-coreana ser eliminada do Mundial. A equipe terminou em terceiro lugar no Grupo A, com uma vitória em três jogos. Já no domingo (28), circulou em uma comunidade online uma postagem com a seguinte frase: “Vou assumir a responsabilidade e matar Hong Myung-bo”.
O autor, que afirmou ser um cidadão norte-americano de 41 anos, escreveu que iria ao Aeroporto de Incheon para tirar a vida do treinador quando ele desembarcasse no país. O post, porém, foi excluído da internet.
A polícia sul-coreana iniciou uma investigação para identificar os responsáveis por essa e outras publicações. Além disso, montou um esquema especial de segurança para a chegada da delegação. Segundo o jornal Korea JoongAng, mais de 100 agentes serão mobilizados no aeroporto, e o trajeto da equipe será separado do fluxo dos demais passageiros para evitar tumultos.

A Agência de Polícia Metropolitana de Incheon informou que 160 policiais e 25 guardas de segurança especiais estarão envolvidos na ação. “Decidimos escalar agentes para prevenir acidentes que possam ocorrer durante o processo de entrada [no país]. Responderemos com rigor a quaisquer atos ilegais, incluindo o arremesso de objetos”, declarou a autoridade, em nota repercutida pelo The Sun.
Para tentar reduzir a exposição, a Associação de Futebol da Coreia do Sul (KFA) decidiu separar Hong e outros oito jogadores do restante do grupo no embarque de volta para a Coreia do Sul. Eles deixaram Guadalajara, no México, onde se concentraram durante a Copa, em um voo separado nesta segunda (29).
“Incompetente”, diz presidente da Coreia do Sul sobre ex-técnico
A revolta com a eliminação da Coreia do Sul se estendeu por todo o país, e Hong foi apontado como o principal culpado. No domingo (28), o presidente sul-coreano, Lee Jae-Myung, afirmou que o fracasso da equipe foi consequência de falhas organizacionais e chamou o técnico de “incompetente”.
“Eu sinto não apenas confusão, mas também perplexidade com esse resultado inesperado. No fim das contas, o ditado ‘a escolha das pessoas é o princípio de todas as coisas’ foi provado mais uma vez. Se valoriza mais os aliados do que a competência e se seleciona uma pessoa incompetente como comandante, o resultado é óbvio”, escreveu o presidente, em um comunicado no X.
Myung ainda cobrou uma investigação do governo sobre a contratação de Hong, em julho de 2024. “O fato de ser possível uma nomeação descuidada que não distingue o público do privado e prioriza o interesse pessoal sobre o interesse público se deve à impossibilidade ou dificuldade de monitorar, fiscalizar e responsabilizar os detentores do poder de nomeação”, pontuou.
Leia a íntegra:
최휘영 장관님과 관련 공무원 여러분 애쓰셨습니다.
저도 전임 명예 프로축구단장이자 심정적 붉은악마로서 예상밖 결과에 당황을 넘어 황당함을 느낍니다.
결국 인사가 만사임이 다시 한번 증명됐습니다. 능력보다 네편내편을 더 중시해 무능한 사람을 지휘관으로 선발하면 결과는 불보듯… https://t.co/wNwtKlo1qY
— 이재명 (@Jaemyung_Lee) June 28, 2026
A indignação da população foi tamanha que um bares e restaurantes espalhados pelo país colocaram cartazes proibindo a entrada de Hong Myung-bo. A emissora pública KBS chegou até a borrar o rosto do ex-técnico em imagens exibidas na televisão. Os torcedores, por sua vez, organizaram uma petição para que ele deixe o futebol sul-coreano definitivamente.
The Korean media is doing the absolute most right now. 🇰🇷📺
Broadcaster KBS literally went all the way to Monterrey to investigate the team’s hotel, trying to see if the accommodations were to blame for the poor performance against South Africa.
To make it worse, they even… pic.twitter.com/uyBXfp3gtW
— Ultras Clips (@ultras_clips) June 28, 2026
Demissão do técnico
Horas depois, Hong anunciou sua saída do comando da seleção. Conforme a imprensa, a decisão de Myung-Bo já estava ensaiada desde a manhã de domingo. Ele, inclusive, havia conversado com jornalistas de seu país, no centro de treinamento da delegação asiática, em Zapopan, no México.
“A todo o povo sul-coreano que ama e apoia a nossa seleção, gostaria de pedir sinceras desculpas. Hoje, anuncio que deixarei o cargo de técnico da seleção. Não foi uma decisão fácil assumir este posto, mas, uma vez que o assumi, não pensei em outra coisa a não ser em agir com responsabilidade até o último momento. Acreditava que essa era a única maneira de trabalhar”, declarou, em coletiva.
Por fim, ele reconheceu a parcela de culpa diante da eliminação da seleção. “Como técnico principal, nenhuma explicação pode se sobrepor ao resultado final. Não consegui entregar o resultado que o nosso povo esperava. Assumo total responsabilidade. Quero agradecer aos membros da comissão técnica e à equipe de apoio que trabalharam comigo em prol de um objetivo comum. Hoje, deixo o cargo de técnico da seleção nacional. No entanto, meu amor pelo futebol sul-coreano permanece inalterado. A partir de agora, apoiarei a seleção da República da Coreia na missão de reconquistar a confiança e o carinho do nosso povo”, concluiu Hong.
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