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Em novo vídeo, Nelson Piquet repete racismo e faz comentário homofóbico sobre Lewis Hamilton; assista

Desde o começo da semana, o assunto está entre os mais comentados da web; o brasileiro havia pedido desculpas à Hamilton

Mais um vídeo de Nelson Piquet chamando Lewis Hamilton de “neguinho” circula na web nesta sexta (1°). No começo da semana, outro trecho da mesma entrevista do brasileiro para o canal do YouTube “Enerto”, gravada no fim do ano passado, viralizou. Na ocasião, o brasileiro chamou o heptacampeão pelo termo pejorativo por três vezes. Nas novas imagens divulgadas hoje (30), o ex-piloto aparece repetindo a expressão e ainda faz um comentário desrespeitoso e homofóbico sobre o britânico.

No trecho obtido pelo site “Grande Prêmio”, o jornalista Ricardo Oliveira perguntou a Piquet o que ele achava da temporada de 1982 da Fórmula 1 e do campeão daquele ano, Keke Rosberg. Curto e grosso, ele afirmou que o suéco “era um bosta”. Em seguida, ele comparou Keke com o filho, Nico Rosberg, campeão mundial de F1 em 2016, e citou Hamilton. “O Keke? Era um bosta, não tinha valor nenhum. É que nem o filho dele (Nico). Ganhou um campeonato. O ‘neguinho’ devia estar dando mais c* naquela época, aí tava meio ruim”, disse Nelson Piquet. Assista:

Na quinta-feira (30), de acordo com a colunista Julianne Cerasoli, do UOL, Max Verstappen falou pela primeira vez sobre o termo racista usado por seu sogro, Nelson Piquet. O piloto da Red Bull, citado no vídeo que rodou o mundo desde segunda-feira (27), namora a filha do brasileiro, Kelly Piquet.

A declaração foi feita nos bastidores do Grande Prêmio da Grã-Bretanha, que acontece nesse fim de semana. “Provavelmente a escolha de palavra dele não foi a mais correta. Contanto que você evite usar essa palavra novamente, você deve se desculpar e seguir em frente”, disse o atual campeão mundial.

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Pedido de desculpas

Na quarta-feira (29), o brasileiro publicou um comunicado pedindo desculpas a Hamilton. Contudo, apesar de divulgar a nota, Piquet minimizou o peso do termo utilizado por ele, alegando que a mídia e os internautas interpretaram a expressão de forma equivocada.

“O que eu disse foi mal pensado, e não defendo isso, mas vou esclarecer que o termo usado é aquele que tem sido amplamente e historicamente usado coloquialmente no português brasileiro como sinônimo de ‘cara’ ou ‘pessoa’ e nunca teve a intenção de ofender”, alegou o tricampeão brasileiro.

“Eu nunca usaria a palavra que estou sendo acusado em algumas traduções. Condeno veementemente qualquer sugestão de que a palavra tenha sido usada por mim com o objetivo de menosprezar um piloto por causa de sua cor de pele”, retrucou Piquet. Confira a nota na íntegra.

O termo

O assunto foi um dos mais comentados da semana, quando o vídeo de Piquet viralizou na web, e se tornou objeto de indagações dos internautas. Em entrevista à BBC, Thiago Amparo, professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas), explicou que a expressão “neguinho” é, historicamente, utilizada para inferiorizar pessoas pretas.

“O uso da palavra ‘neguinho’ é uma forma comum de racismo no Brasil porque é empregada em especial para ressaltar algo de errado que se pensa que alguém fez, como quem diz que tal pessoa só poderia ter feito aquilo por ser negra. É uma palavra que, no diminutivo e no contexto, serve para reduzir de forma paternalista pessoas negras a inferiores intelectualmente”, afirmou o advogado.

Entre as definições do termo, elencadas pelo Dicionário Priberam, está “uma designação vaga de pessoa indeterminada“. Neste sentido específico, trata-se de expressão adotada de forma coloquial no estado do Rio de Janeiro. No entanto, conforme detalha o repórter Luiz Teixeira no Blog Voando Baixo, não é comum que se use o termo – com esse sentido – direcionado de forma específica a um indivíduo, e ainda por mais de uma vez, como Piquet fez com Lewis.

Relembre o caso

Em novembro do ano passado, o ex-automobilista brasileiro deu uma entrevista para o canal do YouTube “Enerto” em que chama o heptacampeão de “neguinho”. Apesar de ter sido publicado há um tempo, o vídeo começou a circular nas redes sociais neste domingo (26). Na terça (28), Lewis Hamilton se posicionou contra a fala discriminatória de Nelson Piquet. A Fórmula 1 e a Mercedes também publicaram comunicados repudiando falas racistas contra o piloto britânico.

No trecho que viralizou, Piquet comentava a tentativa de ultrapassagem de Verstappen sobre Hamilton em 2021. Os pilotos disputavam o primeiro lugar na corrida e a situação resultou em um acidente.

“Não. O neguinho meteu o carro e ele deixou”, disse Piquet. “Mas foi o que o Senna fez”, respondeu o youtuber, relembrando a manobra do brasileiro. “Não. O Senna não fez isso. O Senna saiu reto”, retrucou ele. “Você acha que ele não faria aquela curva?”, questionou novamente o entrevistador.

“Não. Ele foi assim ‘aqui eu (Verstappen) arranco ele de qualquer maneira’ […] e o neguinho deixou o carro. É porque é uma curva muito alta. Não tem jeito de passar dois carros, e não tem jeito de botar o carro do lado. Ele (Verstappen) fez de sacanagem”, concluiu. Assista:

Na manhã de terça (28), Lewis Hamilton se manifestou sobre o caso. De início, o piloto repostou um tuíte de um internauta que dizia: “E se Lewis Hamilton apenas tuitasse ‘Quem diabos é Nelson Piquet?’, e então fechasse o Twitter”. “Imagine“, adicionou o britânico à publicação.

Em português mesmo, o corredor fez outra publicação em seguida. “Vamos focar em mudar a mentalidade”, escreveu. Por fim, Hamilton detalhou mais o que tem a dizer sobre o caso. “É mais do que linguagem. Essas são mentalidades arcaicas que precisam mudar e não têm lugar no nosso esporte. Fui cercado por essas atitudes e alvo delas a minha vida toda. Houve muito tempo para aprender. Chegou a hora da ação”, declarou.

A Fórmula 1 também se posicionou contra as falas, sem citar o nome de Nelson Piquet. “Falas discriminatórias e racistas são inaceitáveis e não podem ter espaço na sociedade. Lewis é um incrível embaixador do nosso esporte e merece respeito. O esforço incansável dele para aumentar a diversidade e a inclusão é uma lição para muitos e é algo com que estamos comprometidos na F1”, disse a nota publicada no Twitter.

A Mercedes, equipe que Hamilton representa nas corridas, também se manifestou. “Condenamos veementemente qualquer uso de falas racistas e discriminatórias. Lewis tem liderado os esforços para combater o racismo no nosso esporte e é um verdadeiro campeão de diversidade dentro e fora das pistas. Juntos, compartilhamos o desejo de um esporte diverso e inclusivo e esse incidente ressalta a importância fundamental de continuarmos nos esforçando para um futuro melhor”, publicou a empresa.