Jornalista expõe rotina de Robinho na prisão e acordo interno do jogador: ‘Ele fala sozinho pelo pátio’

De acordo com Ullisses Campbell, Robinho teria ajudado outros presos com orientação jurídica e em troca recebia proteção interna em Tremembé e escapava dos serviços de limpeza

Robinho não se adaptou à rotina da prisão, segundo Ullisses Campbell, autor do livro “Tremembé: O presídio dos famosos”. Em episódio recente do Flow Podcast, ele informou que o ex-jogador fala sozinho nas dependências do presídio e ainda nega a autoria do crime a que foi condenado.

O ex-Seleção Brasileira foi detido em março de 2024, por estupro coletivo, e atualmente cumpre pena de nove anos na Penitenciária II de Tremembé, em São Paulo. A condenação ocorreu na Itália, mas a sentença foi recebida pela Justiça brasileira após homologação do STJ.

No papo com Igor Coelho, Campbell descreveu a vida de Robinho no presídio. “Eu diria que ele não está adaptado. Os últimos relatos que eu tive, é que ele está andando pelo pátio, falando sozinho”, contou.

O jornalista observou que parte da adaptação à vida atrás das grades, geralmente, se inicia quando o acusado assume a autoria do crime. Robinho, porém, continua se declarando inocente e enfrenta dificuldades no seu cotidiano.

Fotografia de registro de Robinho na Penitenciária em Tremembé (Foto: Reprodução)

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“Ele não está adaptado na cadeia. Acho difícil ele se adaptar. Se adaptar é aceitar a condição. Se enquadrar na rotina, não sofrer por estar ali, trabalhar, frequentar a capela, rezar. Isso é se adaptar. No caso do Robinho, ele ainda não internalizou que cometeu crime. Ele se diz inocente até agora. Ele acha que é uma condenação injusta, porque ele não teria cometido crime, segundo ele”, descreveu o jornalista.

Foi então que Campbell expôs as versões dos depoimentos de Robinho. “Primeiro, ele negou que tinha transado com a mulher. Depois ele disse que não houve estupro, porque não teve a conjunção carnal. A mulher só teria feito sexo oral nele. Quer dizer, forçadamente, né? Porque ela estava bêbada. E depois ele vem com a tese de que foi consentido”, narrou.

“Ele não aceita. Ele diz que é inocente, que a mulher era daquelas que fica cercando jogador de futebol. O fato da mulher dele ter perdoado ele e visitá-lo na cadeia faz com que ele tenha esse aval de ser inocente. E se você não aceita nem a sentença que lhe foi imposta, você não vai aceitar estar lá. Ele acha que é injusto”, completou Ullisses.

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Acordos e trocas com detentos

Conforme o jornalista, o ex-jogador tem ajudado outros detentos oferecendo orientação jurídica com advogados indicados para aqueles que dependem da Defensoria Pública para a revisão das penas. Em troca, Robinho não tem atuado nos serviços de limpeza em Tremembé e recebe proteção dos demais presos.

Ulisses Campbell é autor do livro “Tremembé: O presídio dos famosos” (Foto: Reprodução/Youtube)

“Ele divide cela com um preso. Ele é um ‘astro’. Qualquer preso que chegue com essa alcunha dele, ele já jogou na Seleção. A própria comunidade vai cuidar dele. Ele disse que os presos vão contando os dramas para ele. O maior problema dos presos é não ter advogado para acompanhar a execução penal”, explicou.

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Na sequência, Ullisses detalhou a relação entre o famoso e os demais detentos. “O livro explica muito bem essa hierarquia. Ela funciona muito bem. Os famosos têm a questão social. Os presos que têm muita grana como Robinho, acabam sendo protegidos e bajulados por quem tá na base da pirâmide. A maior parte da comunidade carcerária é gente pobre”, salientou.

Por fim, Campbell revelou que a presença de Robinho em Tremembé tem aguçado a curiosidade de pessoas relacionadas aos demais presos. “Um preso me disse que o filho não o visitava há um ano e veio para ver o Robinho”, recordou ele.

Assista à íntegra:

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