Pela primeira vez no Brasil, árbitro para jogo de futebol devido a gritos homofóbicos da torcida; Assista ao vídeo e entenda mudança

Um passo de cada vez e a gente vai caminhando para um futebol com menos preconceito. Nesse domingo (25), pela primeira vez no Brasil, o árbitro de uma partida de futebol parou o jogo após ouvir gritos homofóbicos vindos da torcida. Na ocasião, Vasco e São Paulo se enfrentavam pela 16ª rodada do Brasileirão.

Anderson Daronco relatou em uma súmula que ouviu o grito “time de viado” da torcida do Vasco para a equipe são-paulina durante o segundo tempo. Ele, então, paralisou a partida e reportou o caso aos treinadores. Vanderlei Luxemburgo pediu, com gestos, para que os torcedores vascaínos parassem.

Veja o vídeo do momento:

Ao final da partida, o Vasco venceu o São Paulo por 2 a 0, entretanto o time pode sofrer punições por conta da torcida. No dia 19 de agosto, o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) determinou que atitudes homofóbicas em estádios podem custar três pontos na tabela do campeonato brasileiro. A decisão começou a valer a partir dessa rodada.

Na manhã desta segunda (26), a diretoria administrativa do Vasco publicou, no site do clube, uma nota oficial, repudiando o episódio e pedindo desculpas a todos os envolvidos. “Em relação ao episódio registrado na partida deste domingo (25/08) contra o São Paulo, o Club de Regatas Vasco da Gama lamenta e repudia qualquer canto ou manifestação de caráter homofóbico por parte de alguns de seus torcedores. Da mesma forma, a Diretoria Administrativa do Clube manifesta seu pedido de desculpas a todos que, corretamente, se sentiram ofendidos por este comportamento”, iniciou a nota.

“O combate a este tipo de postura – iniciado ainda em campo, quando o técnico Vanderlei Luxemburgo, os jogadores, parte da torcida e o próprio Vasco da Gama, através do sistema de som do estádio, clamaram para que os gritos cessassem – não deve ser motivado pelo receio de punição desportiva (eventual perda de pontos), mas, sim, por uma questão de cidadania e respeito ao próximo e cumprimento da lei. Preconceito é crime”, reforçou a diretoria no comunicado.

Por fim, a nota disse que a diretoria administrativa do clube vai se comprometer na promoção de ações educativos junto ao torcedor. “A plateia de um estádio de futebol e a sociedade de maneira geral passam por um processo de aprendizado e conscientização necessário para que atos de preconceito fiquem no passado – um triste passado, diga-se. A Diretoria Administrativa do Club de Regatas Vasco da Gama compromete-se em promover ações educativas neste sentido junto ao seu torcedor, certa de que encontrará em cada vascaíno um aliado no combate a qualquer tipo de discriminação. O Vasco é a casa de todos”, concluiu.

Pelas redes sociais, a atitude do árbitro foi muito comemorada. “Quando a torcida do Vasco cantou gritos homofóbicos, Daronco parou o jogo. Luxemburgo e os jogadores pediram que a torcida parasse. O sistema de som do estádio também. A torcida vascaína obedeceu, o jogo foi reiniciado. O fato não voltou a se repetir. Sim, o futebol está mudando”, tuitou a jornalista esportiva Gabriela Ribeiro.

“Não existe mais espaço para homofobia no futebol (e na vida). Luxemburgo e os jogadores tentam pedir que a torcida pare. É preconceituoso, ridículo, vai contra a linda história construída clube e ainda gera punição. Chega disso. Respeitem”, pediu a repórter Luiza Sá.

“Vasco deveria ter abraçado melhor isso contra a homofobia. Clube terá papel fundamental nisso, papel educativo. Avisar nas redes sociais, no estádio. Incoerente cantar “time se viado” e depois “tive que lutar contra o seu racismo”. Precisamos (todos) evoluir”, analisou o torcedor Pedro Henrique.

Felipe Neto também elogiou o acontecimento. “Primeira vez na história do futebol brasileiro de elite que o árbitro para o jogo, chama o técnico e capitães e age contra homofobia. A torcida do Vasco gritava ”viado viado” contra o São Paulo. O jogo só recomeçou quando pararam. Isso é HISTÓRICO!”, escreveu no Twitter.

E que continue assim!