Adele é acusada de apropriação cultural após foto em carnaval de Notting Hill: “Vocês fecham os olhos”

Uma foto publicada por Adele neste domingo (30) virou assunto nas redes sociais e tem dividido a opinião dos internautas. Tudo isso porque a cantora apareceu comemorando o Carnaval de Notting Hill – festa tradicional da cidade que comemora diferenças culturais desde 1966 – usando um biquíni com a bandeira da Jamaica e o cabelo preso em coques, mais conhecidos como “Bantu knots”.

Esse estilo de penteado é originário e símbolo da cultura afro, e seu nome faz referência a centenas de grupos etnolinguísticos do continente africano. Por conta disso, muitos seguidores acusaram a artista de apropriação cultural.

“A Adele fez apropriação cultural sim. Isso é inegável. Eu, como negro,  acredito que o importante é sempre a pessoa reconhecer a origem e o significado daquilo que se apropria. E não tem necessidade de ficar atacando ela, porque se não nunca iremos evoluir com esse novo modelo de segregação racial, em que tudo fica rotulado e pertencente a isso e aquilo”, argumentou um seguidor.

Outros fizeram piada sobre a situação, mencionando a premiação musical da MTV que aconteceu neste domingo, o “Video Music Awards”: “Adele acabou de chegar no ‘VMAs’, ela tá concorrendo na categoria melhor apropriação cultural”. “Adele fez apropriação cultural sim, e só por ela ter um histórico imenso vocês fecham os olhos”, criticou um terceiro. “A Adele mandando uma apropriação cultural hoje era o que ninguém precisava em 2020”, lamentou mais uma.

“Totalmente enojado com a Adele aqui. Isso é literalmente a colonização moderna. Pessoas brancas não deixam pessoas negras terem nada! A apropriação cultural é o genocídio cultural”, esbravejou um rapaz.

“Como se 2020 não pudesse ficar mais bizarro, Adele apareceu usando Bantu Knots e entregou uma apropriação cultural que ninguém pediu. Isso oficialmente marca todas as grandes cantoras brancas do pop como problemáticas. Odeio ver isto”, desabafou o jornalista Ernest Owen.

Zara Larsson, por sua vez, também tirou sarro da situação, mas logo deletou a mensagem publicada no Twitter, que dizia: “A Adele vai nos dar um álbum de reggae antes da Rihanna”.

Tuíte deletado de Zara. (Foto: Reprodução/Instagram)

Em contrapartida, também teve quem saísse em defesa da diva. “Para as pessoas que estão detonando a Adele… se vocês não são jamaicanos, calem a boca”, esbravejou um internauta. “Pessoas jamaicanas de verdade não estão reclamando como vocês. Nós amamos ver nossa bandeira por todos os lugares. Essa foto me fez sorrir. Ela mostra o impacto que nossa pequena ilha tem no mundo, o quão influente nós somos. Adele, faça o que tiver que fazer!”, defendeu uma moça jamaicana.

“Não-jamaicanos, por favor, pesquisem sobre o Festival de Notting Hill. Se nós não estamos incomodados, porque vocês estão? Enxergamos como um sinal de respeito quando as pessoas promovem a Jamaica”, avisou um fã da cantora. “Antes que as pessoas comecem a detonar a Adele, meu pai é jamaicano. A Jamaica foi uma colônia britânica antes de ganhar independência, então esses lugares têm muito em comum. Tem muitos jamaicanos em Londres. Eles trançam os cabelos de todo mundo nesse festival. Isso não é apropriação cultural, é apreciação”, explicou mais alguém.

“O carnaval de Notting Hill acontece nessa época do ano em celebração à herança das Índias Ocidentais em Londres. A Adele cresceu em Tottenham, uma das maiores diásporas jamaicanas no Reino Unido. Me parece os norte-americanos se importarem com isso”, intrigou-se um britânico. “É assim que o carnaval acontece. As pessoas escolhem uma bandeira que gostam e vestem! O Carnaval de Notting Hill é uma celebração em Londres, que enaltece a cultura caribenha. É apreciação, não apropriação. Relaxem“, sugeriu uma mulher, por fim.

Até o momento, Adele não se manifestou sobre o caso.