Solange Maia, advogada e amiga de Elke Maravilha, rebateu as recentes declarações sobre a artista feitas por Chico Felitti. Em conversa com o hugogloss.com, nesta sexta-feira (16), ela negou que Elke tenha nascido na Alemanha, conforme falado pelo jornalista, mas sim na Rússia. Solange explicou a origem do documento alemão citado por Felitti e, ainda, rebateu que a estrela tenha morrido “quase no esquecimento”.
Nacionalidade russa
“O pai da Elke era russo e a mãe, alemã. Quando a mãe se casou, ela perdeu a cidadania alemã por conta desse casamento. Ela vivia na Rússia com o marido. Quando o pai foi preso e levado para a Sibéria, a mãe estava grávida de seis meses de Elke. Ela ficou na Alemanha, tentando ajudar o marido e teve a Elke na Rússia. Ocorre que o pai perdeu a cidadania por ser considerado um traidor da pátria. Ele realmente fazia campanhas contra o país dele a favor da Finlândia“, declarou.
Solange explicou que a família da mãe de Elke era “muito poderosa e de grandes fortunas” na Alemanha. “Tinha uma influência política muito grande. Então, eles conseguiram que a mãe levasse Elke até um cartório e pegasse um documento alemão. A Elke tinha direito a um documento alemão por ordem de nascimento, é uma lei alemã. Por ser filha de uma alemã, ela também teria esse direito. Ocorre que a mãe também estava irregular, porque ela tinha perdido a cidadania. Mas ela conseguiu para a Elke“, contou.
“É completamente falsa a afirmação dele (Chico Felitti). Se a mãe dela não tinha mais cidadania alemã, Elke não poderia mais, pelos caminhos normais, ter cidadania alemã. A lei não permitia isso. Eles só conseguiram esse documento por ‘baixo dos panos’, por negociações de família. Ela conseguiu esse documento e veio para o Brasil. Quando Elke perdeu a cidadania brasileira, ela ficou apátrida. Mas na Alemanha, já havia possibilidade de ter um documento por aquela lei ter caído em desuso. Ela, então, conseguiu um passaporte alemão. Ela nunca negou esse documento, mas não precisava ficar explicando a origem“, detalhou.
“Quando o Chico foi fazer essa pesquisa, provavelmente por não entender de Direito ou não entender de História, ele foi no embalo de um papel. Sem procurar saber o que aconteceu de fato. Ele não entrevistou a Elke, não era amigo, não pode simplesmente falar sobre a vida de Elke e contar mentiras. Ele nunca esteve com ela, não conhece a verdade dela, nunca veio nenhuma informação da boca dela. Então é fácil ficar contando essas mentiras“, rebateu.
A advogada esclareceu que Elke não se dava bem com os irmãos que foram procurados pelo jornalista. “Esses irmãos nunca foram amigos de Elke“, afirmou.

100 sacos de lixo
A advogada também repudiou a declaração de Felitti sobre terem saído “100 sacos de lixo” do apartamento de Elke depois da morte dela. “É um absurdo falar que saíram 100 sacos de lixo da casa de Elke. A casa dela era mínima. Era pequena e muito organizada. Eu frequentava a casa de Elke. São muitas mentiras para uma pessoa só, por isso fiquei muito indignada“, lamentou.
Solange reforçou seu depoimento no perfil “Falando de Elke” no Instagram. “Recebi esse vídeo e fiquei indignada ao assistir a esse senhor (Felitti) falar da Elke. Elke nunca foi entrevistada por ele. Elke nunca foi amiga dele. Elke não morreu no esquecimento. O apartamento da Elke era pequeno e não havia possibilidade de retirar de lá 100 sacos de lixo. Elke tinha a Evinha que cuidava do apartamento e deixava sempre limpo“, declarou.
“O que esse senhor escreveu em seu livro é um absurdo. Ele afirma que o pai de Elke era alemão. Que erro feio! O pai dela era russo e a mãe alemã. A Elke era minha amiga e, de fato, nasceu na Rússia e tinha um documento falso da Alemanha em virtude da importância da família. Sobre os parentes, ela mesma dizia que ‘irmãos não são de sangue, são de alma’. O único irmão querido era o Fred. ‘Pegar ela no pulo!’. Quanta mentira!!!! Eu sou a pessoa que teve autorização dela para fazer um filme sobre ela. Fiz um documentário curta-metragem e estávamos juntas preparando seu longa-metragem. Gravei seus shows. Fui eu quem gravei o último show da vida dela. Fui eu quem pedi ao Fred pra levá-la ao hospital quando ela adoeceu e caso não fosse possível, eu a levaria para Belo Horizonte“, detalhou.
Solange disse que, em seu filme sobre Elke, há a explicação sobre o documento alemão e ressaltou seu repúdio pelas falas do biógrafo. “Quando ela morreu eu estava na Rússia para gravar cenas do nosso filme. No nosso filme há uma explicação muito clara sobre esse documento. Parece que esse senhor conseguiu holofote usando a imagem da Elke. É um absurdo destruir a imagem de uma pessoa tão verdadeira. Agora ele quer um filme? Ganhar dinheiro falando mal dela? LIXO!!!“, completou.

Amigo também se manifesta
Ton Lucas Garcia, autor do livro “Elke Maravilha: Além das perucas, saltos e batons”, publicado em novembro de 2024, também se manifestou sobre as falas de Felitti. Assim como Solange, o escritor salientou que a artista nasceu na Rússia e que a própria Elke “deixou isso claro em todas as entrevistas concedidas“. “Ela nunca escondeu ou inventou sua nacionalidade para ninguém. Infelizmente, colocaram na Wikipédia que ela nasceu em uma cidade da Alemanha, o que eu explico no livro“, declarou Garcia.
“Sobre a entrevista, gostaria de lançar luz sobre a nacionalidade de Elke: russa e não alemã. Em entrevistas, ela sempre deixou claro que era russa, nascida em Leningrado no dia 22/02/1945, hoje São Petersburgo. Ela nasceu no território russo, mas durante a guerra, seu pai, envolvido em movimentos políticos, foi considerado traidor da pátria e, por isso, ela não conseguiu um documento para comprovar sua nacionalidade. Mas sua mãe, que era alemã e possuía uma posição influente no seu país, obteve os documentos alemães apenas para Elke (única filha do casal que nasceu no exterior). Elke nunca escondeu o fato de que possuía um passaporte alemão para viajar, mas que isso não a tornaria alemã“, completou.
Chico Felitti se pronuncia
Na manhã desta sexta-feira (16), Felitti se pronunciou sobre a repercussão de suas declarações sobre Elke. “Eu vi que deu uma viralizada de um trecho da minha participação no ‘Sem Censura’. O trecho que viralizou foi falando sobre o fim da vida da Elke Maravilha. Escrevi um livro sobre a Elke e muita gente questionou o que eu disse. O que eu posso dizer é que tudo ali é verdade e é comprovado“, afirmou.
“Eu tenho a certidão da Elke da Alemanha, de uma cidade pequena no centro da Alemanha, apesar de ela falar que tinha nascido na União Soviética. A história da retirada dos itens da casa dela, foram sacos e mais sacos mesmo, de coisas que alguns chamam de acúmulos, outros vão dizer que ela era uma colecionadora, mas tinha de tudo, perucas, objetos que ela levou pelo mundo, tinha muita roupa“, detalhou.
Chico também tentou explicar a declaração de que Elke teria morrido “quase no esquecimento”. “A questão de ela ter terminado sozinha, valeria mais contexto, mas era o que cabia no programa. Ela tinha um ressentimento muito grande pela falta de trabalho que ela teve no fim da vida. Ela não tinha reconhecimento, não tinha dinheiro para pagar um plano de saúde, por exemplo. Ela estava com problemas financeiros sim e sentindo que faltou reconhecimento“, contou.
O jornalista ressaltou que tudo o que falou é verdade. “Eu vejo tudo isso que está acontecendo como uma homenagem a ela. Ela era uma pessoa tão amada, tão reverenciada que as pessoas querem proteger a imagem dela. Essa proteção é o tamanho do amor que as pessoas sentem por ela. Mas um biógrafo precisa trabalhar com fatos, o que ele investiga e descobre. Entrevistei mais de 100 pessoas para esse livro. Na época que ele saiu, nada nunca foi contestado pela família, por mais que a família não quisesse que ele saísse. É o meu trabalho, é trazer uma narrativa mais próxima possível dos fatos. E a realidade é inegociável. Sinto muito se alguns amigos não gostam, se discordam, mas tudo o que está lá é comprovável. E me comove esse amor e essa defesa que as pessoas têm pela Elke, por isso mesmo ela merece todo tipo de reconhecimento em filmes e musicais“, finalizou.
Assista:
Chico Felitti se manifesta após declarações sobre Elke Maravilha repercutirem na web pic.twitter.com/2fLVMNxGHe
— WWLBD ✌🏻 (@whatwouldlbdo) January 16, 2026
O que aconteceu?
A controvérsia se deu após Felitti participar do “Sem Censura” na quarta-feira (14). Na entrevista, ele disse que Elke nasceu, na verdade, em uma pequena cidade alemã, e não em Leningrado, na Rússia, como ela dizia. De acordo com o escritor, a família da artista seria apoiadora do regime nazista.
“Ela falava que nasceu na Rússia, em Leningrado [atual São Petersburgo], era mentira. Ela nasceu na Alemanha, durante o período da Segunda Guerra, que a Alemanha estava no jogo nazista. E, possivelmente, a família dela apoiava o regime. Eles vieram para o Brasil assim que terminou“, afirmou.
“Elke transformava a história dela numa coisa mais interessante. Então, ela falou que nasceu em Leningrado, porque o pai estava lutando na guerra pelo lado da Finlândia. Quando eu comecei a pesquisar e fui para a Europa, eu falava: ‘Cara, não bate aqui. Ele lutou pela Finlândia? Sendo que ele era alemão?’. E aí eu acho um documento dela, de que ela nasceu em uma cidadezinha no interior da Alemanha [Leutkirch], em que era muito forte, o movimento fascista. E uns parentes dela me falam: ‘Você pegou ela no pulo’“, destacou.
O jornalista publicou a biografia de Elke em 2020, quatro anos após a morte dela. A artista faleceu aos 71 anos, no dia 16 agosto de 2016, devido a complicações de uma cirurgia para tratar uma úlcera. Ainda conforme Felitti, a atriz morreu “quase no esquecimento” com mais de 100 sacos de lixo em seu apartamento.
“Eu amava a imagem da Elke. Eu não entendia, mas eu amava. O final dela foi muito triste. Ela morreu quase no esquecimento, em um apartamento no Leme, com mais de 100 sacos de lixo dentro. Quando ela morreu, foram retirar o que ela tinha, saíram mais de 100 sacos de lixo. E era uma sensação de injustiça por ela ter terminado daquela maneira. De alguém que foi tão grande para o Brasil, um farol para tanta gente que nem eu, ter terminado sem um fim digno“, lamentou.
Confira:
Siga a Hugo Gloss no Google News e acompanhe nossos destaquesO escritor e podcaster Chico Felitti, autor da biografia de Elke Maravilha, revela no #SemCensura curiosidades e detalhes sobre a trajetória da atriz e modelo, como o fato de ela ter nascido na Alemanha, algo que preferiu manter em segredo ao longo da vida. pic.twitter.com/jhQzOVkno8
— TV Brasil (@TVBrasil) January 15, 2026