O diretor de fotografia Barry Markowitz, um dos amigos próximos e colaboradores de longa data de Rob Reiner, revelou como foram seus últimos dias ao lado do ator e de sua esposa, Michele Singer. Ao Page Six, ele contou que o casal estava “desfrutando de jantares carinhosos e momentos assistindo à televisão com seus filhos” apenas algumas semanas antes de serem encontrados mortos.
Markowitz havia se hospedado recentemente na residência dos Reiner, em Brentwood, Califórnia. Segundo ele, o próprio Rob o convidou para ficar em sua casa enquanto estivesse na cidade para a estreia de seu novo filme, “The Perfect Gamble”, em 14 de novembro.
“Talvez eu tenha sido uma das últimas pessoas a vê-los. Eles diziam: ‘Você vai ficar aqui. Não vai para um hotel. Não tem geladeira, papel higiênico de qualidade, nem família'”, recordou. Sendo assim, o diretor de fotografia acabou acompanhando a rotinha do casal e de dois dos seus filhos, Nick, de 32 anos, e Romy, de 28.
“A Romy entrava e saía [de casa]. Na hora do jantar, ela vinha e a gente ficava conversando besteira juntos. [Nós] gritávamos para a TV, assistíamos a um filme e a um jogo de basquete. Brincávamos com os cachorros. [Passávamos um] tempo em família, uma grande demonstração de amor”, descreveu.

Ele acrescentou que Nick, preso por suspeita de ter assassinado os pais, parecia estar “em sua melhor fase”. Como se sabe, o rapaz já teve problemas no passado e chegou a morar nas ruas devido à dependência química. “Ele estava ótimo. Estava sentado conversando com a família. Eles jantam juntos, à moda antiga, e com muito amor, sempre muito amor”, enfatizou.
De acordo com Markowitz, Nick saía para praticar esportes, mas também ficava em casa e ajuda nas tarefas domésticas. “Ele ajudava, levava o lixo para fora, assistia à TV, lavava a louça. Ele me trazia algo para beber. Nesse sentido, ele era normal”, afirmou, salientando que não notou “nada de estranho” na dinâmica familiar.
“Eles estavam ocupados trabalhando e fazendo coisas. Os funcionários estavam lá, as secretárias estavam lá, entrando e saindo da casa. Tudo como de costume”, observou.
O diretor ainda descreveu sua estadia de cinco noites com os Reiners como “incrível”. No papo, ele acabou abordando a acusação contra Nick. “Acho que o que mais intriga, essa reviravolta de 360 graus, é que havia tanto amor envolvido, que isso não faz sentido. Não estou aqui para julgar ninguém. Amor foi a única coisa que vi, e não acho que fosse fingido. Eles tinham um vínculo verdadeiro”, opinou.
Quando ao estado mental de Nick, ele declarou: “É simplesmente uma doença. Esse é o meu veredicto”. Em seguida, garantiu que Rob e Michele “nunca, jamais, jamais” desistiram de Nick durante sua batalha pública contra o vício em drogas ao longo dos anos. “Eles deram tudo para ele, tentaram de tudo. Não deram dinheiro, mas o mandaram para os melhores lugares [de reabilitação]. Rob nunca desistiu. Ele tentou de tudo. Se você conhecesse o Rob, saberia que ele era pura bondade”, pontuou.

Em outro momento, Markowitz, que foi o diretor de fotografia do filme “Being Charlie” (escrito por Nick e dirigido por Rob), negou que houvesse qualquer tensão entre pai e filho no set de filmagem. “Não me lembro de nenhuma tensão. Estávamos todos nos divertindo bastante. Uma grande família, sem brigas”, recordou.
Conforme ele, Rob e Michele não tinham motivos para pensar que Nick pudesse machucá-los, embora o filho tivesse admitido ter destruído a casa de seus pais durante um acesso de fúria provocado por drogas.
“[Rob] nunca teve medo pela sua segurança. Eu não sei o que se passava na cabeça dele, mas nós conversamos. [Nick] não era do tipo violento. Dormi na mesma casa que o Nick. Acredito que nunca passou pela cabeça do Rob [que o Nick representasse um perigo]. Se ele tivesse achado que sua vida estava em perigo em algum momento, ele teria resolvido a situação”, relatou.
Após a prisão de Nick, Markowitz disse não acreditar que ele cometeu os assassinatos. “Quando alguém tem um distúrbio mental, não é preciso um motivo. Não há lógica nem razão. Doença mental, essa é a razão”, reforçou.
Ao final, o diretor, que trabalhou em três filmes com Rob e o considerava “como irmão”, confessou estar “totalmente devastado” após perder seus amigos. “Não consigo acreditar que eles não estão aqui. Estou olhando para o iPad, tudo é do Rob Reiner. Comecei a chorar… Quero ligar para ele e dizer: ‘E aí, amigo’. [Rob] era como da família para mim. Quatro, cinco dias depois, estou aqui neste maldito pesadelo”, lamentou, por fim.
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