Anthony Hopkins colocou as cartas na mesa durante uma entrevista para David Marchese, do The New York Times, divulgada neste sábado (25). O astro está promovendo seu livro inédito de memórias, “We Did OK, Kid”, e no bate-papo falou tanto de sua vida pessoal quanto da carreira.
Entre os assuntos abordados na obra, Hopkins reflete sobre o afastamento da única filha, Abigail. Os dois não se falam há 20 anos. Questionado pelo jornalista sobre uma possível reconciliação com ela, o ator deu uma resposta direta. “Minha esposa, Stella, enviou um convite para ela vir nos visitar. Nenhuma resposta. Então pensei: tudo bem. Desejo-lhe tudo de bom, mas não vou me estressar por causa disso. Se ela quer desperdiçar a vida remoendo ressentimentos, que faça isso. Não é problema meu. Eu poderia guardar ressentimento pelo passado, mas isso é morte. Você não está vivendo”, começou o galês.

“Você precisa reconhecer uma coisa: que somos imperfeitos. Não somos santos. Somos todos pecadores e santos, ou o que quer que sejamos. Fazemos o melhor que podemos. A vida é dolorosa. Às vezes as pessoas se machucam. Às vezes nós nos machucamos. Mas você não pode viver assim. Você tem que dizer: Supere isso. E se você não conseguir superar, tudo bem, boa sorte. Não tenho nenhum julgamento a fazer. Mas eu fiz o que pude. Então é isso. É tudo o que eu quero dizer”, completou ele.
Sobre a possibilidade da filha ler a obra, Anthony deixou claro que não gostaria de seguir no assunto. “Não vou responder a isso. Não. Eu não me importo. Eu não quero magoá-la”, ressaltou o ator. Em 2006, em uma entrevista ao The Telegraph, Abigail disse que estava aberta a se reconciliar com o pai.
O vencedor do Oscar também relembrou dos tempos em que vivia no País de Gales e como entrou no mundo da atuação. Crescido em uma família da classe trabalhadora e filho de um padeiro, ele revelou que tudo aconteceu de forma natural, aos 17 anos.
“Algo me inspirou e eu consegui uma bolsa de estudos para uma escola de atuação. Eu nunca tinha atuado na vida, mas fiz um teste e eles me deram uma bolsa. Lembro-me de ter ido assistir a uma peça de teatro com o grande Peter O’Toole. Ele estava interpretando Jimmy Porter em ‘Look Back in Anger’, e de repente surgiu no palco um verdadeiro raio: Peter O’Toole!”, contou.

“Dez anos depois, eu estava no Teatro Nacional, na produção de Laurence Olivier, ‘Três Irmãs’, de Tchekhov. No final da noite, alguém bateu na porta, e quem estava lá? Peter O’Toole. Isso sim é estranho. Ele me disse: ‘ Quero que você faça um teste de cinema para mim. É um filme com Katharine Hepburn chamado ‘O Leão no Inverno””, explicou Hopkins.
O astro destacou que apareceu para a audição e conseguiu o primeiro papel em um longa, e guarda com carinho a chance que teve. “Quando eu assisto a esse filme, o que faço de vez em quando, penso: ‘Como isso aconteceu? Por que eu?’ Até hoje não sei a resposta. Faz parte do jogo, o maravilhoso jogo chamado vida. Sem problemas, nada demais. Não existem grandes problemas”, disse.
Marchese, então, o questionou se a vida escolhida por ele teve algum significado. “O único significado que consigo atribuir a ela é que tudo o que busquei e almejei me encontrou. Eu não fui atrás. Ela veio até mim”, refletiu o ator.
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