Antonio Fagundes revelou o que o motivou a retornar para a TV Globo após seis anos. Em entrevista à Folha de S. Paulo neste domingo (28), o ator atribuiu a decisão às mudanças que ocorreram na televisão. O ator volta à emissora para “Quem Ama, Cuida”, próxima novela das nove escrita por Walcyr Carrasco.
“Eu acho que a TV aberta passou por uma reformulação. Eles tiveram que reestruturar administrativamente e agora estão recomeçando. Ao mesmo tempo, foi bom para todo mundo que conseguiu se espalhar fora da Globo. Eu fiz streaming, TV Cultura, cinema. A vida não parou por ter saído da Globo. Mas, ao mesmo tempo, é uma grande emissora e, na TV aberta, é a maior produtora”, reconheceu.
Os planos de Fagundes no canal carioca se estendem para além das novelas. “Fazer algum trabalho lá é importante para qualquer um. Gravarei também um longa-metragem e eles farão o licenciamento de um filme que é produção minha, ‘Contra a Parede’, de 2018”, antecipou o artista.
Ele retornará dando vida ao milionário Artur na trama. “[Voltar] Está sendo perfeito, ótimo. Volto para uma novela do Walcyr e adoro o trabalho dele. Nós tivemos uma experiência muito boa em ‘Amor à Vida’ (2013), com um personagem que ele foi desenvolvendo ao longo da trama [o médico César Khoury]. O personagem era para morrer no capítulo 40, e eu acabei ficando até o fim, o que resultou em um dos finais mais bonitos de novela da Globo”, reconheceu.

“E com a Amora [Mautner], eu trabalhei quando ela ainda era assistente de direção. Vai ser um reencontro gostoso. Tenho 44 anos no grupo, estou sempre com um pedacinho do coração lá”, acrescentou. No papo, Fagundes ainda falou sobre os acordos feitos com a Globo para ter suas exigências atendidas. Entre elas, ter dias na livres para conciliar com seu trabalho no teatro.
“Isso sempre foi um acordo meu com a Globo. Desde que comecei a fazer novela, nunca parei de fazer teatro. Embora eu goste muito de TV, e tive a sorte de fazer grandes personagens, eu não queria parar de fazer teatro. O teatro é a pátria do ator, é lá que ele se desenvolve”, defendeu o veterano.
Fagundes ainda entregou se teve contratempos nos bastidores por conta dos direitos que reivindica na Globo. “Eu sempre tive muito diálogo lá dentro e sempre consegui com que a gente realmente conversasse. Teve um período de uns cinco, seis anos, em que fazíamos reuniões na minha casa. Começou com atores da Globo, mas depois vieram de outras emissoras. A gente se reunia para discutir a nossa realidade. A alta diretoria da Globo também fazia parte. Nós recebemos o Boni, a Mônica Albuquerque, o Sílvio de Abreu”, detalhou.
Segundo o ator, o teatro foi a única constante na sua vida profissional. “Já parei de fazer TV, cinema, mas o teatro foi ininterrupto. E teve períodos da minha vida que eu estava nos três veículos ao mesmo tempo. Fora tudo que a gente faz na profissão, como audiobooks, documentários, dublagens. Tem um mercado bastante aberto e eu sempre gostei muito de me exercitar em qualquer veículo que aparecesse”, refletiu.
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