Artistas que abririam turnê de Ed Sheeran tomam decisão após afastamento de Macklemore

Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e Beoga anunciaram saída após rapper ser retirado dos próximos shows

Os artistas escalados para abrir os próximos shows de Ed Sheeran desistiram de participar da “Loop Tour”. A decisão foi anunciada após o afastamento de Macklemore da turnê, depois de discursos em apoio à Palestina durante suas apresentações.

Ed Sheeran não terá mais os artistas escalados para abrir os próximos shows de sua turnê. Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga anunciaram, nesta terça-feira (15), que deixaram a “Loop Tour”, um dia depois de Macklemore ser retirado das apresentações após discursos em apoio à Palestina.

Com as desistências, nenhum dos artistas de abertura anunciados anteriormente seguirá na turnê, que tem compromissos marcados até 11 de dezembro. Finneas, inclusive, estava escalado para participar dos shows de Ed em São Paulo, nos dias 5 e 6 de dezembro. Já a banda irlandesa Beoga não atuava apenas como atração de abertura, mas também acompanhava o britânico em alguns momentos de seus shows.

A movimentação ocorreu após a saída de Macklemore ser anunciada pelos promotores da turnê na segunda-feira (14). O rapper participaria de oito das dez apresentações restantes nos Estados Unidos, mas os organizadores disseram ter sido avisados de que alguns locais não receberiam os shows caso ele permanecesse na programação.

Finneas, Aaron Rowe e Lukas Graham e a banda Beoga. (Fotos: Getty/ Reprodução; Instagram)

“Artistas não devem ser silenciados por se manifestar contra a opressão”, escreveu Finneas, em seu Instagram. “Decidi me retirar das minhas próximas datas da turnê com Ed Sheeran. Estou com a Palestina e seu povo”, acrescentou.

Publicação de Finneas. (Foto: Reprodução/ Instagram)

Aaron Rowe também comunicou sua saída e destacou a importância de Ed em sua trajetória. O músico, no entanto, afirmou que não conseguiria permanecer na turnê diante do que aconteceu com Macklemore. “Não tomo essa decisão de forma leviana. Ed é meu amigo e mudou minha vida, e eu nunca conseguiria agradecê-lo o suficiente por isso. Mas, como irlandeses, sabemos muito bem o que são genocídio, fome forçada e ocupação violenta”, escreveu.

Rowe também criticou o uso de poder para impedir manifestações sobre o conflito. “Não posso ficar parado e permitir que bilionários usem sua posição de poder para silenciar as vozes legítimas daqueles que se manifestam contra o genocídio israelense e denunciam o assassinato brutal de crianças”, declarou. “Eu perderia todo o respeito por mim mesmo se continuasse normalmente. Preciso ser fiel a mim mesmo e aos meus antepassados, que resistiram à colonização e lutaram por uma liberdade que desfruto hoje na Irlanda”, completou.

Post feito por Aaron. (Foto: Reprodução/ Instagram)

Lukas Graham também explicou a decisão em uma publicação nas redes sociais. O grupo começou lamentando o sofrimento de famílias em outras partes do mundo e defendeu que as pessoas possam falar sobre guerras e as mortes provocadas pelos conflitos. “Deveríamos poder falar sobre guerra, sobre civis sendo mortos, sobre crianças que merecem crescer. Não importa onde vivam. Não importa qual bandeira esteja sobre elas”, afirmou.

O comunicado ainda relacionou o posicionamento às origens do vocalista Lukas Forchhammer. “Cresci em Christiania, uma pequena comunidade na Dinamarca onde expressar sua opinião fazia parte da vida cotidiana. Ter mais dinheiro não tornava a sua opinião mais importante do que a de qualquer outra pessoa”, declarou.

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Na sequência, o grupo criticou a influência do poder econômico sobre o debate público: “Dinheiro não dá a você o direito de ser dono da conversa. O saldo bancário de ninguém deveria decidir quem pode falar ou qual sofrimento temos permissão para reconhecer”.

Apesar da decisão, Lukas Graham ressaltou que sua relação com Ed não mudou e demonstrou gratidão pelos momentos compartilhados com o britânico. O grupo explicou, porém, que não poderia fazer aquela manifestação e continuar normalmente na turnê. “Eu amo o Ed e sou grato por tudo o que compartilhamos. Isso não mudou. Mas não posso colocar essas palavras no mundo e continuar esta turnê como se as coisas estivessem normais. Estamos nos retirando das datas restantes”, anunciou.

Por fim, o grupo pediu desculpas aos fãs que esperavam vê-lo nas apresentações e reforçou a decisão: “Sinto muito por não estarmos lá. Esta é uma decisão difícil, mas é uma decisão que preciso sustentar”, concluiu.

Publicação feita pela banda. (Foto: Reprodução/ Instagram)

A banda Beoga também deixou as apresentações. O grupo irlandês, que além de abrir os shows acompanhava Ed em partes do espetáculo, anunciou que não participará das datas restantes nos Estados Unidos. Apesar da decisão, os músicos destacaram a amizade de mais de dez anos com o cantor e afirmaram que a relação entre eles continuará.

Em seu posicionamento, o Beoga afirmou que não considera uma opção tocar em locais que, segundo o grupo, silenciam manifestações em defesa da Palestina. A banda também declarou ter acompanhado o discurso de Macklemore no MetLife Stadium e manifestou apoio à mensagem transmitida pelo rapper.

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Por fim, os músicos relacionaram a decisão às próprias origens. “Somos irlandeses que entendem o colonialismo. Como membros fundadores do movimento Irish Artists For Palestine, somos ativistas comprometidos com a justiça e continuaremos sendo”, escreveram. O grupo encerrou a publicação com “Palestina Livre”.

Confira o comunicado:

 

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Entenda o caso

A saída de Macklemore veio depois das apresentações do rapper no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos dias 4 e 5 de setembro. Durante um dos shows, ele fez um discurso em solidariedade aos palestinos, disse “Palestina Livre”, exibiu imagens da guerra e apresentou “Hind’s Hall”, música de protesto lançada por ele.

Na segunda-feira (14), os promotores da “Loop Tour” anunciaram que Macklemore não continuaria como atração de abertura. Segundo os organizadores, os locais que receberiam as próximas datas informaram que não permitiriam a presença do rapper na programação. Caso ele permanecesse, as apresentações poderiam ser canceladas. Macklemore estava previsto em oito dos dez shows restantes da etapa norte-americana.

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Nesta terça-feira (15), Ed Sheeran se pronunciou sobre o episódio e afirmou que a decisão de retirar Macklemore partiu dos promotores, e não dele. O britânico disse que tentou conversar com os envolvidos após ser informado da posição dos locais e confirmou ter falado com Robert Kraft, proprietário do Gillette Stadium e do New England Patriots.

Macklemore também se manifestou após sua saída. O rapper afirmou que não precisava permanecer em todas as datas para considerar sua participação relevante. “Eu não precisava de 10 shows do Ed. Precisava de dois. Duas oportunidades de ficar diante de 90 mil pessoas e dizer as palavras que, de alguma forma, se tornaram perigosas demais para serem ditas. Palestina Livre”, escreveu. “Mas, se essas palavras me custaram o palco e, ao mesmo tempo, fizeram a conversa voltar para a Palestina, então essa foi a turnê mais bem-sucedida da qual já participei”, acrescentou.

O artista ainda ressaltou que não se considera vítima da situação. “Eu não sou uma vítima. Ed Sheeran não é uma vítima. Pink não é uma vítima. Temos carreiras, dinheiro, oportunidades, segurança e públicos ao redor do mundo. Quaisquer que sejam as consequências que qualquer um de nós enfrente pelo que dizemos, podemos voltar para casa e para nossas famílias. As vítimas são o povo palestino”, declarou.

Confira a publicação:

 

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