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O ator mirim Ygor Marçal, de 11 anos, foi vítima de racismo na própria escola e estava sendo excluído por colegas. Em conversa com o Notícias da TV na última quarta-feira (20), Dia da Consciência Negra, e divulgada nesta terça (26), ele revelou que tem sido chamado de “macaco”, dentre outras ofensas. Desde então, o astro de “Amor Perfeito” (2023) passou a ficar mais introspectivo dentro de casa e com falta de apetite.
Ygor escondeu os episódios de racismo da mãe, Andrea Ribeiro Marçal do Nascimento, e só contou o que realmente acontecia cerca de um mês atrás. “As pessoas têm que pensar duas vezes, porque chamar o outro de ‘pretinho, macaco, cabelo de cogumelo, cabelo de miojo’, isso machuca”, confessou.
“Ficar falando do meu cabelo, falar do meu dente, falar da minha pele, falar do que eu sou, isso não tem cabimento. Isso não entra no meu coração. Não consigo entender essas coisas. São coisas que ninguém gostaria de presenciar”, analisou o menino. De acordo com o NTV, a família de Marçal procurou o site para denunciar o caso.
À reportagem, Andrea explicou que o filho é bolsista no Colégio Batista do Rio de Janeiro desde o ano passado, e que já teve reuniões privadas com a coordenação da escola. O site disse que chegou a ligar para a instituição, mas não teve respostas ao apresentar o assunto para a gestora, Bianca. Ao hugogloss.com, o advogado da instituição em ensino se pronunciou através de comunicado. [Leia a íntegra abaixo]

Quando começou
Antes de ir para o Colégio Batista, Ygor estudava em outra escola particular e nunca enfrentou problemas. Em 2023, quando já estava na nova instituição e atuava em “Amor Perfeito”, também não sofreu bullying. No entanto, as questões começaram a surgir no meio deste ano. A princípio, o ator mirim foi deixado de lado no futebol.
Andrea esclareceu que o menino não tem muita aptidão para esportes, mas não imaginava o que acontecia no colégio. “Ele se calou. Quando chegou uma coordenadora negra, ele achou que ia mudar, que ela ia entender o que ele estava passando, mas não mudou”, lamentou a mãe.
“A única coisa que ele já me falava desse outro coleguinha dele, que mexia com ele, que não queria que ele fosse jogar bola, que falava que tinha pretofobia, que é uma palavra nova, né?”, descreveu. Segundo Ygor, os episódios de racismos acontecem repetidas vezes. “O dia, na verdade, são vários. Eu tenho que ter um armazenamento na minha mente”, declarou.
Conforme a reportagem, a gota d’água para o ator mirim foi ser chamado de “ladrão” por um colega, por conta de uma caneta. Foi então que ele expôs os casos. “O menino disse que era um prazer dar uma caneta para um ladrão”, recordou a mãe.
Andrea foi procurada pelos próprios amigos de Ygor, que relataram o que acontecia. Numa das situações, uma menina não o deixou falar em uma apresentação de empreendedorismo porque “o grupo não precisava do pretinho”.
Em desabafo, a mulher admitiu temer os traumas emocionais que o filho pode desenvolver após ser alvo de racismo. A preocupação ocorre porque sua filha mais velha, Fernanda Ribeiro, 23 anos, passou pela mesma situação e entrou em uma depressão severa. A jovem dubla princesas de desenhos animados, e foi atacada por haters nas redes sociais.
Escola se manifesta
Em conversa com o hugogloss.com, o advogado da escola, Dr. Alex Riski Filho, se manifestou sobre o assunto. No comunicado, a instituição reiterou o “compromisso inabalável com os valores cristãos e éticos que norteiam sua missão”. Ainda sobre o tema, o colégio afirma que as alegações de descaso não condizem com a realidade, e que a resolução do conflito entre as crianças foi “imediata”.
Segundo o advogado, a mãe do menino tem mantido contato constante com as equipes pedagógica, psicológica e administrativa da escola. Ele também esclareceu a falta de retorno à imprensa citada pelo Notícias da TV e destacou algumas ações pedagógicas oferecidas pela escola – incluindo “projetos sobre igualdade, respeito, diversidade e empatia”.
Leia a íntegra:
“O Colégio Batista do Rio de Janeiro reafirma seu compromisso inabalável com os valores cristãos e éticos que norteiam nossa missão: promover o respeito, a dignidade e a inclusão de todas as pessoas, independentemente de etnia ou origem.
Fundado por um diretor negro, filho de pai carioca e mãe nordestina, temos orgulho de ser uma instituição que reflete a diversidade e a equidade em todos os aspectos. Nosso time de colaboradores é formado por pessoas de diversas etnias e origens, e mais de 50% dos nossos alunos se autodeclaram negros. Esse ambiente plural reforça nosso compromisso proativo com a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva, indo além do ambiente escolar.
Diante das recentes alegações de descaso, esclarecemos que tais acusações não condizem com a realidade. Como instituição cristã, somos alicerçados em valores como igualdade, fraternidade, amor e perdão, e rejeitamos veementemente qualquer forma de desrespeito.
Os fatos citados referem-se a um conflito entre crianças de 11 anos, onde ambas apresentaram suas versões. Embora conflitos sejam comuns nessa faixa etária, o Colégio Batista considera qualquer tipo de desrespeito inadmissível. Por isso, nossa atuação foi imediata, envolvendo as crianças e suas famílias em um trabalho conjunto para instrução, conscientização e reconciliação.
A responsável pelo aluno em questão tem mantido contato constante com nossas equipes pedagógica, psicológica e administrativa, sendo acolhida de maneira respeitosa e eficaz. Inclusive, publicações recentes do próprio aluno nas redes sociais demonstram seu apreço pela instituição, o que contraria relatos infundados.
Sobre a alegação de falta de retorno à imprensa, esclarecemos que, ao entrar em contato, a jornalista já informou o motivo da solicitação e após a ligação inicial ser interrompida, tomamos a iniciativa de retornar o contato imediatamente, também oferecendo atendimento presencial. Temos os registros disponíveis para consulta. Ressaltamos que a disseminação de informações incompletas compromete a imparcialidade e a credibilidade exigidas pelo jornalismo.
O Colégio Batista do Rio de Janeiro reitera seu compromisso com uma educação integral, fundamentada nos princípios cristãos, que promove respeito, igualdade e dignidade. Continuaremos trabalhando incansavelmente para oferecer um ambiente de acolhimento e excelência para nossos alunos e suas famílias.
Atenciosamente,
Colégio Batista do Rio de Janeiro”.
*Atualização, às 17h30, do dia 27 de novembro
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