Laís Gamarra se manifestou pela primeira vez sobre a violência doméstica que sofreu do então namorado, o influenciador Thiago Schutz, conhecido como Calvo do Campari. Em entrevista ao “Domingo Espetacular” deste domingo (30), ela detalhou a noite da agressão e explicou como conseguiu pedir ajuda. Gamarra também falou que o comportamento de Schutz era diferente no início do relacionamento.
A mulher, de 30 anos, saiu de Sorocaba, no interior de São Paulo, para visitar o namorado em Salto, a 42 km de sua cidade. “No começo da semana, a gente já tinha se desentendido. Ele falava: ‘Me desculpa, eu quero resolver com você’. A intenção era a gente se ver, dar o apoio para o problema que ele estava precisando e se resolver. A gente começou a tomar vinho e quando vejo, ele está em cima de mim, me enforcando. É difícil falar isso, mas parecia que ele realmente queria me matar“, declarou.
Além de agressão física, ela acusou Schutz de tentativa de estupro. “A gente estava tomando um vinho e foi para o quarto. Eu falei: ‘Tiago, eu não quero fazer isso agora, vai me machucar’. Ele ficou transtornado, começou a me xingar de vagabunda, falou que eu já tinha feito isso com outras pessoas. Eu levantei pra ir embora, só que na hora que eu estava no corredor, ele puxou o meu cabelo, me enforcou na parede e começou a dar muito tapas na minha cara“, contou.
Segundo Gamarra, o pedido de ajuda só foi possível após ela conseguir deixar a casa. “Foi muito rápido, eu comecei a arranhar o rosto dele, aí ele foi pra trás. Nessa hora, consegui pegar o meu celular e gravar“, relembrou. “Eu corri desnorteada e vi uma rua principal. Ele foi atrás de mim, cheguei a um estabelecimento, passou uma viatura e eu comecei a gritar“, detalhou.

Questionada sobre o discurso de ódio contra as mulheres que Schutz costuma compartilhar nas redes, ela relatou que o então namorado agia de forma diferente no início do relacionamento. “No começo, ele não agia assim“, afirmou. “Era: ‘Em público, eu sou sua namorada. Mas se tiver alguma coisa que você fale e eu não concordar, a gente vai conversar’. Isso chegou a acontecer mesmo. Ele falou uma coisa em uma live que eu achei desnecessária. Assim que ele terminou, eu falei: ‘Aquilo que você falou não foi legal’. Ele falou: ‘Não, tudo bem. Eu vou mudar meu jeito de falar, eu vou me policiar mais’“, revelou.
Conforme Gamarra, ele só começou a dar “sinais” no início de novembro. “Ele foi dando sinais que foram me afastando. Chegou um momento que ele falou: ‘Você não pode falar de nenhum outro homem para mim’. Não importa se é seu professor, seu chefe. Os únicos homens na sua vida são seu pai, eu, e os seus parentes que eu conheço“, compartilhou. “Eu não imaginei que chegaria a uma agressão. Foi um espaço de tempo muito curto que todas essas coisas aconteceram. E logo vieram as agressões“, falou.
Gamarra lamentou a situação e disse que se sente “humilhada” diante do ocorrido. “Eu estou muito envergonhada, me sentindo muito humilhada, em choque. Tem horas que eu não consigo acreditar no que aconteceu. É um sentimento que eu sei que não é racional, mas penso: ‘Como eu me expus a uma situação dessa?’. Não tem como imaginar que vai acontecer isso. Você não espera isso de uma pessoa que você confia e você se culpa“, desabafou.
Schutz foi solto no dia seguinte à agressão, na manhã de sábado (29), após passar por audiência de custódia. Ele ganhou liberdade provisória desde que cumpra medidas cautelares, como a proibição de se aproximar da vítima e de entrar em contato com ela, por qualquer meio de comunicação, seja por aplicativo de mensagens ou redes sociais. O influenciador também não pode frequentar bares e casas noturnas. A defesa afirmou que ele está colaborando com a Justiça e respeitará todas as determinações legais.
A advogada da vítima, Nayara Thibes, entrou com um pedido de prisão preventiva contra Schutz por entender que a liberdade dele representa risco à integridade de Gamarra. “O Thiago é um perigo, o pior tipo de agressor. É um risco ele estar solto, ainda mais quando falamos de uma acusação tão grave, como a tentativa de estupro e diversas lesões que a Laís passou“, declarou.
Assista à reportagem:
O caso
Schutz foi preso na noite de sexta-feira (28), em Salto, no interior de São Paulo. De acordo com o boletim de ocorrência obtido pelo Splash UOL, a discussão entre ele e Gamarra começou quando ela se recusou a manter relações sexuais. A negativa teria motivado uma sequência de agressões que, segundo o documento, incluiu tapas, chutes, puxões de cabelo e golpes no rosto.
O laudo pericial confirmou que Gamarra apresentou diversas lesões. O documento aponta que ela foi “alvo de, no mínimo, 11 agressões que violaram sua integridade física, distribuídas pela face e pelos membros superiores e inferiores, incluindo sinais de tentativa de defesa“.
Veja fotos:
No boletim de ocorrência, o influenciador afirmou que não obrigou a namorada a manter relações sexuais. Ele alegou ainda que foi atacado por ela, levando alguns arranhões no rosto, e que, ao tentar se defender, acabou dando um chute para afastá-la da cama.
Em um dos vídeos entregues pela vítima às autoridades, ela aparece caminhando enquanto arruma uma bolsa. “Sai de perto de mim“, exclamou ela. O acusado se aproxima e, em seguida, parece agarrá-la. A mulher reage: “Você é louco“. Schutz responde: “Para mim você não nega. Chama a polícia“. A namorada afirma que vai ligar, e ele conclui: “Estou esperando“.
Assista:
Lembram do redpill conhecido como Calvo da Campari? Pois é, o tal Thiago Schutz foi preso por agredir a namorada. Mais um boy lixo covardão desmascarado. pic.twitter.com/F5QKyp2GGA
— GugaNoblat (@GugaNoblat) November 29, 2025
Red Pill
A prisão não foi o único episódio envolvendo o influenciador. Em 2023, ele foi denunciado pelo Ministério Público por ameaçar a atriz Livia La Gatto e a cantora Bruna Volpi. Na ocasião, Schutz teria exigido que ambas retirassem vídeos que o mencionavam nas redes sociais. Caso contrário, segundo ele, seria “processo ou bala”.
A denúncia foi protocolada pelo Ministério Público de São Paulo em 16 de março daquele ano e, pouco depois, a juíza Sônia Nazaré Fernandes Fraga, da 24ª Vara Criminal do Foro Central, aceitou o pedido, tornando o influenciador réu. Schutz tentou minimizar o episódio nas redes sociais. Em vídeo, afirmou que usa “muito palavrão” e que o termo “bala” não teria sido empregado de forma literal. “É a forma que eu me comunico, tá? Não tenho vergonha de falar dessa forma“, declarou.
A repercussão do caso levou a novos ataques dirigidos à atriz Livia La Gatto, que relatou ter sido alvo de integrantes de um grupo ligado ao movimento “red pill”, conforme contou a Tati Bernardi no videocast “Desculpa Alguma Coisa”. “Eles mandam emojis da pílula vermelha e de Campari. Mandam isso para mostrar que são de um movimento mesmo. Ao mesmo tempo que é muito infantil e doentio, é muito perigoso“, disse ela.
Em novembro de 2023, a Justiça de São Paulo decidiu suspender temporariamente o processo que envolvia Schutz. A medida seguiu o artigo 89 do Juizado Especial Criminal (JECRIM), após o Ministério Público, que reconheceu que Livia foi ameaçada, sugerir a suspensão como forma de advertência. O advogado da atriz, Iberê Bandeira de Mello, declarou: “O Ministério Público sugeriu a suspensão, pois entendeu que isso era o suficiente, ainda como punição e lição, para ele não cometer mais crimes“.
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