Daniel Radcliffe se manifesta sobre tuítes transfóbicos de J.K. Rowling, e manda mensagem poderosa para jovens trans e fãs da série Harry Potter; confira!

Após J.K. Rowling, autora da série Harry Potter, postar uma série de tuítes transfóbicos neste final de semana, muitas personalidades do entretenimento se mostraram contra suas falas. Uma delas foi o ator Daniel Radcliffe, protagonista dos filmes do bruxinho. Nesta segunda (8), o astro se pronunciou sobre o caso com um texto no site Trevor Project, uma organização sem fins lucrativos destinada à prevenção de suicídio entre pessoas LGBTQ.

“Mulheres trans são mulheres”, ele escreveu. “Qualquer declaração contrária apaga a identidade e a dignidade de pessoas transgêneros, e vai contra todas as indicações dadas por associações de profissionais de saúde, que têm bem mais experiência neste assunto do que Jo ou eu”, acrescentou. O astro disse que 78% dos jovens transgêneros e não-binários afirmam que já foram discriminados por sua identidade de gênero. “É claro que nós precisamos fazer mais para apoiar as pessoas transgêneros e não-binários, não invalidar suas identidades, e não causar mais danos”, disse o astro.

Radcliffe também se dirigiu aos fãs da saga Harry Potter. “Para todas as pessoas que agora sentem que sua experiência com os livros foi prejudicada ou diminuída, eu sinto profundamente pela dor que esses comentários causaram em vocês”, garantiu.

“Eu realmente espero que vocês não percam tudo que era valioso nessas histórias para vocês. Se esses livros ensinaram a vocês que o amor é a força mais forte do universo, capaz de superar tudo; se eles ensinaram vocês que força é encontrada na diversidade, e que ideias dogmáticas de pureza levam a opressão de grupos vulneráveis; se vocês acreditam que um personagem em particular é trans, não-binário, ou gênero fluído, ou que eles são gay ou bissexuais; se você encontrou qualquer coisa nessas histórias que ressoou com você e ajudou você em qualquer período da sua vida — então isso é entre você e o livro que você leu, e isso é sagrado. E na minha opinião, ninguém pode mudar isso. [O livro] significa para você o que ele significa, e eu espero que esses comentários não vão prejudicar demais isso”, escreveu Radcliffe em sua mensagem.

Na abertura de sua publicação, o ator reconheceu que a mídia pode refletir seu texto como “uma briga entre J.K. Rowling e ele”, e Radcliffe deixou claro que a escritora foi “inquestionavelmente responsável” pelo curso de sua vida. No entanto, ele sentiu necessidade de se pronunciar. “Como alguém que ficou honrado de trabalhar com e continua a contribuir com o The Trevor Project pela última década, e apenas como ser humano, eu me senti compelido a dizer algo neste momento”, explicou.

Texto de Daniel Radcliffe no site The Trevor Project. (Foto: Reprodução)

Entenda o caso

Mais uma vez, J.K. Rowling teve seu nome envolvido em uma polêmica, e foi acusada de transfobia nas redes sociais. Tudo começou quando, no sábado (6), a autora dos livros de “Harry Potter” comentou sobre um artigo de um site, intitulado “Criando um mundo pós-Covid-19 mais igualitário para pessoas que menstruam”.

“‘Pessoas que menstruam’. Tenho certeza que costumava existir uma palavra para essas pessoas. Alguém me ajude. Wumbem? Wimpund? Woomud? (nota da tradução: variações propositais da palavra ‘woman’, que significa mulher em inglês), escreveu Rowling, em seu Twitter.

 

Muitos internautas se incomodaram com a publicação feita pela escritora, confundindo sexo com gênero, e pontuaram que homens transsexuais e pessoas não-binárias também podem menstruar. Após a repercussão, J.K. criticou a ideia de que o sexo biológico de alguém não é real.

“Se o sexo não é real, então não existe atração pelo mesmo sexo. Se o sexo não é real, a realidade vivida por mulheres ao redor do mundo é apagada. Eu conheço e amo pessoas trans, mas excluir o conceito de sexo remove a habilidade de muitos discutirem suas vidas de maneira significativa. Não é ódio falar a verdade”, declarou.

A escritora disse ser empática às mulheres trans, mas insistiu na ideia de que o sexo biológico de alguém estaria ligado ao gênero. “A ideia de que mulheres como eu, que são empáticas por pessoas trans há décadas, se identificando porque elas [mulheres trans] são vulneráveis da mesma maneira que as mulheres [cis] – ou seja, à violência masculina -, ‘odeiam’ pessoas trans porque acham que o sexo é real e viveram as consequências – é um absurdo”, disparou.

“Eu respeito o direito de todas as pessoas trans a viver da forma que for autêntica e confortável para elas. Eu marcharia em protestos com vocês caso fossem discriminadas por serem pessoas trans. Ao mesmo tempo, minha vida foi podada por ser uma mulher. Eu não acredito que dizer isso seja propagar ódio”, finalizou.

Após as publicações, a autora recebeu uma enxurrada de críticas dos seguidores e até de outras celebridades. “Imagine escrever uma saga que definiu uma geração sobre uma revolta juvenil, que derrota um monstro tirânico motivado pela preservação do ‘sangue puro’, e olhando para ESTE momento no mundo, diz: ‘Hm… sim. Vou invalidar pessoas trans'”, alfinetou Halsey, sem citar o nome de J.K.

Sarah Paulson foi mais enfática e retuitou uma postagem do ativista por direitos trans, Ben O’Keefe. “Essa mulher é uma fraude. Cale a boca, sua transfóbica do c*ralho. Você não conhece ou ama nenhuma pessoa trans, se nem ao menos reconhece a existência delas. Obrigado por estragar os livros da minha infância. Apenas pare de falar. Sabemos que você é uma ‘TERF’ (termo em inglês que significa ‘feminista radical que exclui transexuais’). Você não precisa continuar fazendo isso”, esbravejou. “É isso. Boa noite e cale a boca, J.K. Rowling”, acrescentou Sarah.

A atriz e comediante Whitney Cummings também fez uma observação irônica sobre o caso: “Todos esses amigos trans que a J.K. Rowling diz ter devem estar exaustos”.

Peppermint, ativista trans e ex-participante do reality “Ru Paul’s Drag Race”, também mostrou seu descontentamento com as mensagens da autora. “Nós já entendemos. A sua falha ao expressar empatia com homens e mulheres trans, e pessoas não-binárias nos mostra exatamente quem você é. Você está vomitando essas palavras que se conectam com pessoas que não querem que nós sejamos reconhecidos em lugares públicos. Seu coração foi exposto”, lamentou.

“Realmente queria que a J.K. Rowling parasse de tuitar, ou ao menos aprendesse algo. De toda maneira, feliz mês do orgulho [LGBTQ+], espero que mais pessoas aceitem vocês pelas pessoas lindas que são”, comentou o youtuber Jack Septic Eye.

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