Erika Hilton revela atitude da presidente do SBT, Daniela Beyruti, após deputada denunciar Ratinho por transfobia; assista

O apresentador fez comentários transfóbicos em seu programa após a deputada ser eleita como presidente da Comissão da Mulher

Erika Hilton revelou que recebeu uma ligação de Daniela Beyruti após declarações de Ratinho no Programa do Ratinho. Segundo a deputada, a executiva pediu desculpas em nome do SBT durante a conversa.

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) revelou que foi procurada pela presidente do SBT, Daniela Beyruti, após as declarações consideradas transfóbicas feitas pelo apresentador Ratinho durante seu programa. Em entrevista ao programa Jornal dos Famosos, da LeoDias TV, nesta quinta-feira (12), a parlamentar contou que recebeu uma ligação da executiva, que teria pedido desculpas em nome da emissora.

“Ela me ligou, tivemos uma conversa no telefone de dez minutos. Foi muito gentil, muito educada. Disse para ela, inclusive, o quanto a minha avó, a minha família sempre gostaram muito do SBT, gostaram do Silvio Santos. Eu cresci vendo SBT na minha casa. Ela ficou extremamente feliz e reiterou o pedido de desculpas no nome da emissora”, afirmou a deputada.  Assista ao vídeo completo abaixo:

Comentários transfóbicos

Nesta quarta-feira (11), Hilton foi eleita para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. A eleição da deputada federal enfrentou forte resistência do centro e da direita.

À noite, no “Programa do Ratinho”, o apresentador questionou o fato de a comissão ser liderada por uma mulher trans. Ele citou diretamente a identidade de gênero de Hilton. “Teve uma votação hoje, e deram a Comissão da Mulher para uma mulher trans. Não achei muito justo, com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? Ela não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres. Mulher para ser mulher tem de ser mulher. Eu até respeito todo mundo, comissão de defesa dos direitos da mulher, defendo quem tem comportamento diferente“, declarou.

Ratinho e Erika Hilton. (Foto: Lourival Ribeiro/SBT; Reprodução/Instagram)

Ratinho ainda chegou a se referir a Hilton como “deputado”, no masculino. “Agora, para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias”, disparou ele, desconsiderando a existência de mulheres cisgêneros que não têm útero e que não menstruam. “Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher. Mas quero dizer que não tenho nada contra a deputada, o deputado… A deputada Erika Hilton. Ela não me fez nada, ela só fala bem, mas não tenho nada contra ela. Acho que deveria ser uma mulher“, apontou.

Para quem não sabe, a deputada Erika Hilton é trans, mas será que ela entende dos problemas e desafios de uma pessoa que nasceu mulher? Não é fácil ser mulher. Imagine se mulher trans fosse defender as pautas relacionadas ao público masculino? Estaria certo? Também não. Está certo, vamos nos modernizar, ter inclusão, mas não precisa exagerar“, reclamou. Ratinho também atacou Pabllo Vittar, persona drag queen de um homem cisgênero. “Ela tem saco, gente, mulher não tem saco“, declarou.

Erika entrou com um processo contra Ratinho. Além de acionar o MPF (Ministério Público Federal) e pedir a prisão do apresentador por comentários transfóbicos, a deputada federal solicitou uma ação civil pública com indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos causados à população trans e travesti.

De acordo com a coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, o pedido defende que o valor da indenização seja destinado ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, com foco nos projetos e organizações de defesa dos direitos de mulheres trans, travestis e cisgênero vítimas de violência de gênero, especialmente as que se encontram em situação de vulnerabilidade.

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O documento solicita que Ratinho e o SBT sejam obrigados a veicular retratação pública sobre o conteúdo transmitido em horário nobre e com duração equivalente ao da fala discriminatória. De acordo com a Folha de S. Paulo, a deputada ainda pediu que o Ministério das Comunicações suspenda a exibição, por 30 dias, do “Programa do Ratinho”, exibido pelo SBT diariamente. Ela alegou que o apresentador cometeu um crime ao vivo.

Em nota divulgada nesta quinta-feira (12), o canal repudiou os ataques, e afirmou que as declarações não representam a opinião da emissora. O SBT também anunciou que o caso está sendo analisado pela direção e que medidas serão tomadas para que os valores da empresa sejam respeitados por todos os funcionários.

O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores“, informou a nota.

Ratinho se pronuncia

O apresentador se manifestou sobre o caso nesta quinta-feira (12), após a repercussão. Em conversa com Lucas Pasin, do Metrópoles, nesta quinta-feira (12), Ratinho negou qualquer ofensa e afirmou que “só acredita em dois gêneros”. “Talvez eu até converse com a Erika para que ela entenda o que eu quis dizer. Eu não a ofendi. E até aproveito esse espaço para pedir desculpas se ela considera que eu a ofendi. Mas repito, eu não a ofendi”, declarou.

Em seguida, Ratinho afirmou que pretende tomar medidas contra quem o acusou de transfobia: “Em nenhum momento falei mal de trans. Transfobia é você tratar mal o outro. E eu jamais fiz isso. Vou processar todos que me chamaram de transfóbico”.

O apresentador então voltou a contestar o gênero da deputada e indicou que ela não é uma “mulher de verdade”. “Eu não desrespeitei a deputada Érika Hilton em nenhum momento. Considero, inclusive, que ela é uma boa deputada. O que eu quis dizer é que Erika não é uma mulher mesmo. Sou contra uma mulher trans ser representante das mulheres. O que eu argumentei é que eu não a vejo como mulher, e acho que para presidir a Comissão da Mulher na Câmara seria necessário ser uma mulher de verdade”, disparou.

“Na minha opinião só existem dois gêneros, o masculino e o feminino. O restante é comportamento. E, comportamento, cada um pode ter da forma que achar melhor”, concluiu.

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