A deputada estadual da Geórgia, Marjorie Taylor Greene, deu detalhes de um desentendimento com Donald Trump, em entrevista ao The New York Times nesta segunda-feira (29). A antiga aliada do presidente dos Estados Unidos relatou que colocou um fim na parceria com o republicado após expressar seu apoio às vítimas de Jeffrey Epstein.
“Epstein era tudo. Os arquivos de Epstein representam tudo o que há de errado em Washington. Elites ricas e poderosas fazendo coisas horríveis e saindo impunes. E as mulheres são as vítimas”, afirmou ela, ao abordar o caso.
Na sequência, Marjorie opinou sobre a relação de Trump com o financista, acusado de tráfico sexual internacional de menores. “Para mim, a história era que eu tinha visto fotos do Epstein com todas essas pessoas. E o Trump é apenas um entre vários. Além disso, eu tinha visto que o Bill Clinton aparece nos registros de voo do avião dele cerca de 20 vezes”, relatou.
“Então, para pessoas como eu, não era suspeito. E então ouvimos as histórias gerais de como o Epstein costumava ser membro do Mar-a-Lago, mas o Trump o expulsou. Por que eu pensaria que ele fez algo errado, certo?”, indagou ela.

Em setembro, Greene conversou diretamente com as vítimas de Epstein, durante uma audiência fechada do Comitê de Supervisão da Câmara, o que a motivou a lutar por justiça em nome deles. Após deixar a audiência, ela reuniu jornalistas e ameaçou publicamente que, se necessário, trabalharia com as vítimas para revelar os nomes dos associados de Epstein que cometeram abuso sexual contra mulheres e meninas.
De acordo com da deputada estadual, essa ameaça resultou em um telefonema hostil de Trump, marcando a última conversa séria que eles tiveram. Como relatado pela reportagem, o presidente ligou para o escritório dela no Capitólio para expressar sua frustração com a defesa pública feita por ela. Além disso, “todos no escritório puderam ouvi-lo gritando com ela enquanto ela escutava no viva-voz”.
Marjorie, então, teria questionado o motivo da atitude de Trump, principalmente a resistência dele em revelar os nomes dos possíveis cúmplices de Epstein. Foi quando a deputada entregou o que o republicano lhe disse: “Meus amigos vão se machucar”.
Quando ela sugeriu que o presidente convidasse sobreviventes de Epstein ao Salão Oval para mostrar que suas histórias estavam sendo ouvidas, o republicano teria afirmado que “elas não haviam feito nada para merecer tal honra”.
Greene renunciará formalmente ao Congresso em 5 de janeiro. Anteriormente, em entrevista à Lesley Stahl, da CBS News, a deputada já havia explicado a decisão de divulgar os arquivos do caso Epstein.
Ela, inclusive, assinou uma petição da Câmara dos Representantes dos EUA para que o governo fizesse a liberação. “Conversamos sobre os arquivos de Epstein, e ele ficou extremamente irritado comigo por eu ter assinado a petição para liberar os arquivos”, recordou.
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