Fani Pacheco revelou ter passado por um momento digno de “Grey’s Anatomy” durante seu primeiro plantão como médica. A ex-participante do “BBB 7” está atuando na emergência psiquiátrica de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, além de um consultório. Em entrevista à revista Quem, divulgada nesta segunda-feira (29), ela descreveu a rotina intensa na nova profissão.
Segundo Fani, o momento em que realmente se sentiu médica aconteceu logo no primeiro plantão de 24 horas na emergência psiquiátrica. A situação envolveu uma recepção lotada, pacientes em diferentes estágios de gravidade e a chegada de seis ambulâncias do SAMU. “Antes de qualquer coisa, eu precisava ter clareza das hipóteses diagnósticas que eu mesma havia levantado para então decidir. Tudo acontecia ao mesmo tempo. Parecia um filme, mas era real. Ali, eu vi o tamanho da minha responsabilidade”, relembrou.
Diante do cenário caótico, ela precisou tomar decisões rápidas e definir prioridades entre casos psiquiátricos e clínicos. “O mais impressionante é que eu simplesmente sabia o que fazer. Não precisei parar para pensar. Meu cérebro estava 100% preparado para lidar com aquele caos. E eu fiz com excelência. Essa consciência só veio depois, quando atendi o último paciente e consegui tomar um café. Confesso que pensei: ‘Se minha mãe estivesse ali, ela estaria orgulhosa de mim’”, afirmou.

A escolha pela psiquiatria, segundo ela, está diretamente ligada à história familiar. Desde pequena, Fani conviveu com a esquizofrenia da mãe, Adele Mara, que morreu em 2014. A experiência marcou sua forma de enxergar a saúde mental. “Aprendi observando. Nunca tive medo daqueles seres humanos, pelo contrário. Eu acolhia cada um com suas vulnerabilidades, junto da minha mãe. Muitas vezes, eu me sentia melhor ali do que sozinha em casa. Foi por causa da esquizofrenia dela que minha curiosidade cresceu”, disse.
Ela contou que enfrentou dificuldades financeiras durante a faculdade de Medicina, o que a levou a optar por atuar diretamente na área em vez de seguir uma residência tradicional. Ainda assim, mantém uma rotina intensa de estudos, cursos e prática clínica, com o objetivo de futuramente obter o título de especialista.

Ao falar sobre o aprendizado diário no contato com pacientes em sofrimento psíquico, Fani destacou a importância da empatia e da escuta. Para ela, o atendimento vai além de diagnóstico e medicação.
“Tudo isso me mostrou que um bom psiquiatra precisa ser um bom clínico. Precisa estudar comportamento humano. Psiquiatria não é só diagnóstico e medicação, é psicoeducação para o paciente e para a família. É acolhimento. Ainda existe muito preconceito, muita desinformação. Psiquiatra não é “médico de louco”, e, em muitos casos, a medicação precisa ser usada a longo prazo, assim como acontece com hipertensão ou diabetes”, explicou.
Segundo a ex-BBB, hoje ela vive um momento de plenitude. “Eu sou a mesma Fani, só mais madura. Já me reinventei muitas vezes. Mudam os rótulos, os saberes, não a essência. Aprendi a viver o hoje. Estou em paz, completa. E, sinceramente, quando me sinto assim… não tem por que fazer grandes planos”, concluiu.
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