J.K. Rowling causa revolta nas redes sociais após publicar uma série de tuítes transfóbicos: “Essa mulher é uma fraude”

Mais uma vez, J.K. Rowling teve seu nome envolvido em uma polêmica, e foi acusada de transfobia nas redes sociais. Tudo começou quando, na noite passada (6), a autora dos livros de “Harry Potter” comentou sobre um artigo de um site, intitulado “Criando um mundo pós-Covid-19 mais igualitário para pessoas que menstruam”.

“‘Pessoas que menstruam’. Tenho certeza que costumava existir uma palavra para essas pessoas. Alguém me ajude. Wumbem? Wimpund? Woomud? (nota da tradução: variações propositais da palavra ‘woman’, que significa mulher em inglês), escreveu Rowling, em seu Twitter.

Muitos internautas se incomodaram com a publicação feita pela escritora, confundindo sexo com gênero, e pontuaram que homens transsexuais e pessoas não-binárias também podem menstruar. Após a repercussão, J.K. criticou a ideia de que o sexo biológico de alguém não é real.

“Se o sexo não é real, então não existe atração pelo mesmo sexo. Se o sexo não é real, a realidade vivida por mulheres ao redor do mundo é apagada. Eu conheço e amo pessoas trans, mas excluir o conceito de sexo remove a habilidade de muitos discutirem suas vidas de maneira significativa. Não é ódio falar a verdade”, declarou.

A escritora disse ser empática às mulheres trans, mas insistiu na ideia de que o sexo biológico de alguém estaria ligado ao gênero. “A ideia de que mulheres como eu, que são empáticas por pessoas trans há décadas, se identificando porque elas [mulheres trans] são vulneráveis da mesma maneira que as mulheres [cis] – ou seja, à violência masculina -, ‘odeiam’ pessoas trans porque acham que o sexo é real e viveram as consequências – é um absurdo”, disparou.

“Eu respeito o direito de todas as pessoas trans a viver da forma que for autêntica e confortável para elas. Eu marcharia em protestos com vocês caso fossem discriminadas por serem pessoas trans. Ao mesmo tempo, minha vida foi podada por ser uma mulher. Eu não acredito que dizer isso seja propagar ódio”, finalizou.

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Após as publicações, a autora recebeu uma enxurrada de críticas dos seguidores e até de outras celebridades. “Imagine escrever uma saga que definiu uma geração sobre uma revolta juvenil, que derrota um monstro tirânico motivado pela preservação do ‘sangue puro’, e olhando para ESTE momento no mundo, diz: ‘Hm… sim. Vou invalidar pessoas trans'”, alfinetou Halsey, sem citar o nome de J.K.

Sarah Paulson foi mais enfática e retuitou uma postagem do ativista por direitos trans, Ben O’Keefe. “Essa mulher é uma fraude. Cale a boca, sua transfóbica do c*ralho. Você não conhece ou ama nenhuma pessoa trans, se nem ao menos reconhece a existência delas. Obrigado por estragar os livros da minha infância. Apenas pare de falar. Sabemos que você é uma ‘TERF’ (termo em inglês que significa ‘feminista radical que exclui transexuais’). Você não precisa continuar fazendo isso”, esbravejou. “É isso. Boa noite e cale a boca, J.K. Rowling”, acrescentou Sarah.

A atriz e comediante Whitney Cummings também fez uma observação irônica sobre o caso: “Todos esses amigos trans que a J.K. Rowling diz ter devem estar exaustos”.

Peppermint, ativista trans e ex-participante do reality “Ru Paul’s Drag Race”, também mostrou seu descontentamento com as mensagens da autora. “Nós já entendemos. A sua falha ao expressar empatia com homens e mulheres trans, e pessoas não-binárias nos mostra exatamente quem você é. Você está vomitando essas palavras que se conectam com pessoas que não querem que nós sejamos reconhecidos em lugares públicos. Seu coração foi exposto”, lamentou.

“Realmente queria que a J.K. Rowling parasse de tuitar, ou ao menos aprendesse algo. De toda maneira, feliz mês do orgulho [LGBTQ+], espero que mais pessoas aceitem vocês pelas pessoas lindas que são”, comentou o youtuber Jack Septic Eye.

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