João Victor Gonçalves, o Mau Mau em “Quem Ama Cuida”, acusa streamer de homofobia após abordagem no Rock in Rio; assista

Ator chorou ao relatar o episódio; streamer GH Rell RJ pediu desculpas e negou ter preconceito

O ator João Victor Gonçalves, de “Quem Ama Cuida”, acusou o streamer GH Rell RJ de homofobia após ser abordado e ridicularizado durante uma live no entorno do Rock in Rio. Nas redes, o artista desabafou sobre a situação, enquanto o influenciador pediu desculpas e negou ter tido intenção preconceituosa.

O ator João Victor Gonçalves, intérprete de Mau Mau na novela “Quem Ama Cuida”, acusou um streamer de homofobia após ser abordado por ele e outros homens no entorno do Rock in Rio, no Rio de Janeiro. O episódio ocorreu na noite de sexta-feira (4), foi transmitido ao vivo pela plataforma Kick e ganhou repercussão nas redes sociais após um trecho da transmissão ser compartilhado.

Nas imagens, o streamer GH Rell RJ aparece acompanhado de amigos enquanto se aproxima de João Victor. Durante a abordagem, o grupo faz comentários depreciativos sobre a aparência e a roupa do ator. “C*ralho, que é isso. Cara horroroso. Cara meteu um tomate”, dizem.

Em seguida, os homens continuam seguindo João Victor por alguns segundos. A repercussão gerou críticas à forma como o ator foi tratado durante a transmissão.

Veja:

João Victor fala sobre o episódio

Após as imagens viralizarem, João Victor se manifestou nas redes sociais e classificou o que aconteceu como homofobia. Em um vídeo publicado neste sábado (5), o ator apareceu emocionado ao comentar as mensagens de apoio que recebeu e relacionou o episódio à trajetória de Mau Mau na novela.

“O Mau Mau é um personagem forte, valente, que encara essa homofobia estrutural, que vive dentro de casa, de uma forma muito corajosa. Ele engole e segue. Talvez tenha sido isso que eu fiz hoje”, afirmou.

O ator usava uma roupa vermelha no momento da abordagem. (Foto: Reprodução / Instagram)

Na sequência, João Victor contou que, apesar de ter sentido o impacto da situação, seu maior receio naquele momento era ser vítima de um roubo. “Dentro de mim talvez eu estivesse sentindo alguma coisa, mas o meu medo de ser roubado era maior, eu acho. Então, eu queria agradecer mesmo o carinho. As coisas que eu estou lendo lá no Twitter e aqui no Instagram estão sendo lindas. Eu estou emocionado. Obrigado por vocês serem assim”, disse, chorando.

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O ator também destacou a relação entre o episódio que viveu e a temática abordada por seu personagem na novela. “Isso é o retrato de tudo que a gente mostra”, afirmou João Victor.

Em outra publicação, o artista reforçou sua indignação com o episódio e afirmou que os responsáveis não deveriam ficar impunes. “Nós somos muito mais fortes que qualquer coisa. Impunes não vão ficar. Homofobia é crime”, escreveu.

Assista:

Streamer pede desculpas e nega preconceito

Após a repercussão, GH Rell RJ também se pronunciou sobre o episódio. O streamer afirmou que costuma produzir conteúdos de entretenimento nas ruas e disse que a abordagem fazia parte desse tipo de transmissão.

Segundo ele, o trecho que viralizou teria sido retirado do contexto da live. GH afirmou ainda que passou a receber críticas e mensagens de ódio depois que as imagens foram compartilhadas nas redes sociais. “Estava numa live, fico fazendo um monte de entretenimento no meio da rua, doideira com maluquice. Fui fazer um entretenimento com um cara que estava passando na rua, me dei mal. Sabe por quê? Cliparam, postaram lá no Twitter, estou recebendo um monte de hate”, declarou.

O streamer pediu desculpas a João Victor. “Se eu errei, peço desculpas, porque nós somos seres humanos, nós erramos. […] Estou pedindo desculpa de coração aberto. Perdão aí, irmão. Deus abençoe sua vida grandiosamente”, afirmou.

GH Rell RJ também negou ser homofóbico e disse que não teve a intenção de praticar preconceito. “Tem um monte de gente me mandando mensagem, falando que eu fui homofóbico. Jamais. Não tenho preconceito com ninguém. Só fiz aquilo pelo entretenimento, pelo conteúdo. Tem gente que gosta e tem gente que não gosta”, apontou.

Apesar de alegar que o vídeo foi tirado de contexto, o streamer afirmou que não pretendia se colocar como vítima e admitiu que errou. “Não estou aqui para ficar me vitimizando, até porque eu realmente errei. Mas quem me conhece sabe que eu sou um menor bom. Vocês que estão me xingando no direct nunca erram?”, concluiu.

Veja:

João Victor diz que só entendeu agressão após chegar em casa

Em um novo vídeo publicado no feed do Instagram, João Victor Gonçalves voltou a falar sobre o episódio e contou que, no momento da abordagem, sua principal preocupação era conseguir chegar em segurança ao festival. O ator afirmou que se sentiu acuado e não sabia o que os homens poderiam fazer, por isso acelerou o passo.

Segundo o ator, só depois de concluir um trabalho no festival e voltar para casa, que ele conseguiu processar o que havia acontecido. “Só quando eu cheguei em casa, depois de fazer essa entrega, que eu fui sentir o que eu tinha vivido e entender que tinha se tratado de uma agressão e de um ataque homofóbico”, relatou.

João Victor também fez um alerta à organização do Rock in Rio sobre a segurança no entorno do evento. Ele explicou que, após desembarcar do carro de aplicativo, precisou seguir por uma área delimitada por grades até chegar ao festival, acreditando que estaria protegido naquele trecho. “Eu achei que a gente estaria seguro, mas aparentemente a gente não está, em lugar nenhum. Então, isso também é um alerta ao Rock in Rio. Rock in Rio, por favor, vamos melhorar a segurança aqui em volta”, afirmou.

Na sequência, o ator criticou a justificativa apresentada pelo streamer GH Rell RJ, que disse ter abordado João Victor como parte de um conteúdo de entretenimento.

O intérprete de Mau Mau destacou que possui visibilidade por integrar o elenco de “Quem Ama Cuida”, novela que aborda justamente a temática da homofobia, e refletiu sobre pessoas que passam por situações semelhantes sem terem a mesma exposição. “Eu sou um garoto que tenho 300 mil seguidores no meu Instagram, faço parte de uma das novelas mais legais, faço um personagem que fala sobre isso. Eu tenho visibilidade e eu passei por isso”, pontuou.

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Em seguida, ele questionou quantas pessoas sem essa visibilidade enfrentam situações semelhantes e não conseguem denunciar ou chamar atenção para o problema. “São 100 mil pessoas acompanhando esse tipo de entretenimento que viola, que machuca, que fere, que abusa”, afirmou, referindo-se ao número de seguidores do streamer.

João Victor encerrou o vídeo dizendo estar bem e agradecendo o apoio recebido: “A gente merece respeito e a gente merece poder viver. Só viver. Só poder lutar, poder chegar dentro do festival, do maior festival do Brasil, sem ser agredido”.

Assista:

Érika Hilton aciona Ministério Público

A deputada federal Érika Hilton se pronunciou sobre o caso na manhã deste sábado (5) e afirmou, em publicação no X (antigo Twitter), que acionou o Ministério Público contra os homens envolvidos na abordagem a João Victor Gonçalves e também contra a plataforma Kick, em que a transmissão foi realizada. Segundo a parlamentar, a situação não pode ser tratada como entretenimento. “Gravar uma pessoa na rua, sem mais nem menos, submetê-la ao deboche e ofensas de teor homofóbico e transmitir tudo isso ao vivo não é entretenimento”, escreveu.

Hilton também defendeu a aplicação de multas, com os valores destinados a políticas públicas de proteção à população LGBTQIA+ e de combate aos crimes de ódio.

Além da responsabilização dos envolvidos, Érika Hilton afirmou que pretende cobrar da organização do Rock in Rio e da Prefeitura do Rio de Janeiro melhorias na segurança nas áreas de entrada e saída do festival. “Toda a minha solidariedade ao João Victor. Não podemos aceitar jamais a homofobia e qualquer forma de LGBTfobia recreativa. Quando nossas existências viram conteúdo ou piada, a desumanização já está em curso”, declarou.

A deputada também destacou que a homofobia é considerada crime no Brasil desde 2019, quando o Supremo Tribunal Federal determinou que atos de discriminação por orientação sexual e identidade de gênero fossem enquadrados na Lei nº 7.716/1989, que trata dos crimes de racismo.

Leia a íntegra:

A deputada se pronunciou no X. (Foto: Reprodução / X)
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