Nesta sexta-feira (9), a Justiça de São Paulo rejeitou o pedido feito por Marcão do Povo para a censura de um vídeo de Ludmilla. O apresentador e a cantora estão em um embate desde que o âncora do SBT chamou a artista de “macaca” ao vivo durante um programa.
O vídeo contestado foi publicado em dezembro, após Marcão do Povo declarar publicamente que teria sido inocentado da acusação de racismo. Na gravação, Ludmilla apresenta outra interpretação do desfecho jurídico e critica o resultado do processo. “Ele não foi inocentado, gente. Na verdade, ele usou uma manobra para se livrar das consequências. A Justiça reconhece o racismo que ele cometeu comigo, contra mim. Mas ele não vai pagar nada por isso. É uma manobra processual absurda”, afirmou a cantora.
Em outro trecho, ela também direciona críticas à emissora em que o apresentador trabalha atualmente: “Agora, o SBT, que é uma emissora histórica, que sempre representou a pluralidade do Brasil, precisa saber quem mantém em sua casa um apresentador condenado por racismo”. Desde então, o SBT tem sido pressionado pelo público para tomar uma atitude. A emissora chegou a se manifestar, mas a declaração não foi considerada suficiente para a cantora.
🚨Ludmilla publicou um Reels após Marcão do Povo divulgar vídeo alegando inocência. A cantora afirma que ele não foi inocentado e que a Justiça reconheceu o racismo, embora não haja punição efetiva. pic.twitter.com/tisNt0fSW7
— Africanize (@africanize_) December 20, 2025
De acordo com o F5, do jornal Folha de S. Paulo, a decisão foi tomada pela juíza Thaís da Silva Porto, que negou a concessão de liminar afirmando que não há elementos suficientes para justificar a medida. A magistrada também destacou que o pedido poderia caracterizar censura, uma vez que a artista apenas manifestou sua opinião sobre fatos públicos e decisões judiciais.
Na avaliação da juíza, o conteúdo publicado por Ludmilla não configura ataque pessoal ao apresentador e se limita a questionar o resultado do processo criminal. “A publicação questionada muito mais reflete descontentamento de Ludmilla com o resultado de processo judicial de natureza criminal, em que houve suposta absolvição de Marcão, reforma da decisão para posterior condenação e, após nova reforma, com restabelecimento da sentença proferida em primeiro grau, do que ataque à imagem do requerente [Marcão]”, afirmou a magistrada em um trecho divulgado pelo veículo.
Marcão do Povo sustenta que foi absolvido no âmbito criminal e que a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), proferida em dezembro de 2024 e mantida após recurso neste ano, o afastou qualquer condenação. Após a publicação do vídeo, segundo o jornal, ele registrou uma notícia-crime contra Ludmilla, e o caso passou a ser investigado pela polícia.
Além disso, o jornalista também acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para que a Ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, preste esclarecimentos sobre uma nota oficial divulgada pelo ministério em dezembro, na qual a pasta manifestou solidariedade à cantora e classificou o episódio ocorrido em 2017 como racismo. A defesa de Marcão do Povo solicita que seja esclarecido se o posicionamento fazia referência direta ao apresentador, argumentando que a ausência de nomes poderia gerar associações indiretas.
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