A Justiça do Rio Grande do Sul negou o pedido de Andressa Urach para reaver os R$ 2 milhões que ela teria doado para a Igreja Universal, segundo a Folha de S. Paulo. O processo foi considerado improcedente, pois, de acordo com informações obtidas pelo jornal, ela não teria sido coagida a destinar os valores à organização.
Em sua decisão, a juíza Karen Rick Danilevicz Bertoncello, da 13ª Vara Cível de Porto Alegre, declarou que a criadora de conteúdo adulto tinha participação ativa e envolvimento na instituição, sem indícios de “submissão cega e coagida”.
O revés na ação ocorreu no dia 11 de agosto. A magistrada citou a autobiografia de Urach, “Morri para Viver”, de 2015, em que ela relata a conversão e se diz grata à Universal. Os autos mostram que o livro foi escrito por Douglas Tavolaro, autor da biografia do líder da instituição, Edir Macedo, que teria inserido na obra um conteúdo que não poderia ser mudado por Urach.
No processo, a criadora de conteúdo adulto relatou ter doado quatro veículos, incluindo um Land Rover e uma Porsche Cayenne, além de R$ 1 milhão por meio de transferência bancária.

Conforme o jornal, o valor total, registrado no documento, foi de R$ 2.040.042. A modelo também afirmou nos autos que é uma pessoa religiosa, fazendo uma diferenciação entre a própria espiritualidade e a instituição, e que havia dedicado seis anos de sua vida a Deus, não à Universal.
Urach igualmente teria relatado que estava fragilizada após a sua internação, em 2014, devido a uma infecção generalizada por aplicação de hidrogel nas pernas. Ela passou a frequentar a igreja naquela época, mesmo se sentindo contrariada no início, conforme sua declaração no documento.
A alegação de fragilidade, segundo a juíza Bertoncello, não foi o bastante para caracterizar uma incapacidade para atos da vida civil ou problemas de consentimento, “especialmente quando não há qualquer prova de interdição ou de comprometimento de suas faculdades mentais“. Ainda, a magistrada declarou que os apuros financeiros alegados por Urach não foram comprovados e que não foi anexado nenhum tipo de comprovante de renda que corrobore a afirmação.
Diante da derrota, Urach precisará pagar 10% do valor da causa em honorários de advogados, concluiu o jornal. Em nota, ela afirmou que vai recorrer, pois teria testemunhas que comprovam o prejuízo. “A Justiça não avaliou ainda que a doação foi feita sem instrumento público, o que é um ponto essencial. Por fim, vamos recorrer até a última instância, após a decisão dos embargos, porque todos sabem o que passei. Isso está provado e deve ser revisto“, anunciou.

A modelo também se pronunciou em suas redes sociais, nesta segunda (25). Em vídeo no Instagram, ela lamentou a mudança de juízes ao longo do processo, aberto no início de 2021, e definiu como “injustiça” que “pontos importantes não foram avaliados”, como as testemunhas que afirmaram o prejuízo e as doações terem sido feitas “sem instrumento público”.
“Eu não vou me calar diante do que chamo de estelionato da fé. Dou voz a tantas pessoas que passam ou já passaram pelo mesmo, mas não tiveram forças para lutar. Essa luta não é só minha. Vou até o fim“, completou.
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