Nesta segunda-feira (8), a cantora Lorde foi anunciada como capa da nova edição da revista DAZED, para a qual concedeu uma entrevista reveladora. Além de falar sobre a nova fase da carreira, a artista abordou sua identidade de gênero e fez uma reflexão franca sobre sua experiência com drogas.
A neozelandesa estampa a edição de setembro, que chega às bancas ao redor do mundo nesta quinta-feira (11). Na conversa, ela contou que o uso de psicodélicos a ajudou a explorar a espiritualidade.
“Desde que comecei a usar psicodélicos, sinto-me mais conectada à minha infância. Liguei alguns pontos, alguns sentimentos sobre espiritualidade e trabalho. É algo bastante corporal ou físico”, explicou.

Lorde revelou ter uma substância de preferência: o MDMA — conhecido popularmente como ecstasy. A droga atua como estimulante e alucinógeno, provocando efeito energizante, distorções na percepção de tempo e espaço, e maior prazer nas experiências táteis. Também pode afetar a frequência cardíaca, a pressão arterial e a temperatura do corpo.
Segundo a artista, ela experimentou a droga cedo demais, mas guarda memórias marcantes, entre elas a do “melhor cigarro da sua vida”. “Quando eu tinha 19 anos, tomava MDMA, melhora o cigarro. Nunca fui muito fã de fumar, mas lembro de dizer em voz alta: ‘Este é o melhor cigarro da minha vida’– e guardar a bituca num envelope”, contou.
Identidade de gênero
Lorde também falou sobre sua decisão de usar fita para cobrir o peito pela primeira vez e como isso a ajudou a expressar sua identidade de gênero.
Ela explicou que a primeira experiência aconteceu em 2023: “Eu já vinha sentindo essas coisas borbulhando e falando muito sobre isso na terapia. Começamos a escrever uma música e eu visualizei uma apresentação na TV, nem estava finalizada ainda. Nessa apresentação, eu me via de jeans, sem camisa. E pensei em como realmente faria isso na TV. Não era um sutiã”.
O momento decisivo veio durante a criação da faixa “Man of the Year”: “Eu tinha esse rolo de fita, peguei, coloquei a calça jeans, enfaixei o peito e me vi – e pensei: ‘P*rra, essa sou eu’. De repente, consegui enxergar. Foi assustador. Cheguei a uma compreensão sobre mim mesma e senti uma versão muito pura de mim presente”.
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A cantora contou que o processo de identidade é uma montanha-russa diária: “Em alguns dias, não consigo usar roupas femininas. Precisei descobrir como fazer a maquiagem de um jeito que não me fizesse sentir presa, desconfortável ou no lugar errado. Agora eu só digo às pessoas: ‘Tratem como grooming masculino’. Eu não fazia ideia de que haveria dias em que me sentiria totalmente fora do corpo, e era porque estava usando roupas femininas quando não era o certo”.
Rumores de que Lorde passaria a se identificar como pessoa não binária ganharam força no início da divulgação do novo álbum “Virgin”. A confusão começou quando ela contou à Rolling Stone que Chappell Roan chegou a lhe perguntar sobre o assunto.
Lorde fez questão de esclarecer: “Acho que me expressei errado, me sinto mal por isso. Ela disse, de forma muito doce, algo como: ‘Então seus pronomes estão mudando?'”.
Por enquanto, ela reforça que nada mudou oficialmente: “No momento, está como deve ser. Mas alguns dias, eu não consigo vestir roupas femininas. Tive que descobrir como fazer a maquiagem de um jeito que não me faça sentir presa, sufocada ou como se fosse algo errado. Tudo é uma jornada”.
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