Marca de bebidas é acusada de não pagar personalidades após campanha milionária; empresa esclarece ligação com MC Livinho e MC Daniel

Marca que uniu personalidades de diversos setores em sua publicidade agora é alvo de ações judiciais e denúncias de falta de pagamento

A marca de bebidas Goly, lançada oficialmente em abril, enfrenta processos de personalidades que alegam não terem recebido após campanha milionária. Em nota, a empresa negou que MC Livinho e MC Daniel sejam sócios e disse trabalhar para regularizar pendências.

Presente nas redes sociais desde setembro de 2024, mas lançada oficialmente apenas em abril deste ano, a marca de bebidas Goly chamou atenção por sua intensa campanha de marketing. Com personalidades de peso à frente da divulgação, a companhia chegou a alcançar buzz significativo, mas agora problemas nos bastidores vêm à tona. A Goly está sendo processada na Justiça, com a iminência de novas ações por famosos que afirmam não terem sido pagos.

No lançamento, nomes como Malu Borges, Silvia Braz, Maria Braz, Ana Paula Siebert, Lele Burnier e até rappers como Xamã, Kayblack e Rael estamparam as campanhas de divulgação dos produtos: licores saborizados de melancia com hortelã e whisky com canela.

Na mesma época, MC Livinho e MC Daniel chegaram a declarar publicamente que eram sócios e proprietários da Goly. Além de divulgarem os produtos, os dois também participaram das campanhas ao lado dos influencers que agora se queixam de inadimplência pela empresa.

Processo

De acordo com documentos obtidos pelo hugogloss.com, a influencer Lele Burnier já ingressou com ação contra a Goly. Ela afirma ter sido lesada em R$ 1,1 milhão, referente a um contrato que se estenderia de março de 2025 a março de 2026.

Fontes ouvidas pelo site, que preferiram não se identificar, afirmaram também terem sido prejudicadas pela marca. “Não recebi um centavo por nada. Pela campanha, pelo uso de imagem, pelos conteúdos. Nada. Demoramos muito pra perceber e entender tudo que estava acontecendo, acho que todo mundo, na verdade”, relatou uma influencer.

“A parte mais triste da história é que além de nenhum influenciador ter recebido, centenas de prestadores de serviços — estúdios, locadoras, transporte, maquiadores, figurino, manicure — também não foram pagos. Tem pessoas que participaram da produção e ficaram endividadas”, lamentou.

Outra influenciadora confirmou: “Primeiro golpe que levei na vida. História pesada, não pagaram ninguém. Estou entrando com processo”.

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Influencers se manifestam

Também teriam sido lesadas, as influencers Silvia Braz, Maria Braz, Ana Paula Siebert e Malu Borges. De acordo com a assessoria de Malu, o caso já está sendo tratado por sua equipe de advogados. “A assessoria de imprensa de Malu Borges confirma que todas as questões sobre a marca citada serão tratadas judicialmente. Sua equipe jurídica está cuidando de todas as tramitações no momento”, declarou ao hugogloss.com.

Maria Braz confirmou não ter recebido qualquer remuneração pelo trabalho. “Esclareço que mantenho contrato publicitário com a empresa mencionada, cujos termos estão protegidos por confidencialidade. Embora tenha participado de uma das ações contratualmente previstas, até o momento não recebi qualquer remuneração, questão que me deixa bastante chateada e que vem sendo devidamente tratada por minha equipe jurídica. Reforço, ainda, que sempre atuei com responsabilidade e boa-fé, observando os limites legais aplicáveis à participação em campanhas publicitárias. O caso está sendo conduzido pelos canais competentes, e eventuais esclarecimentos adicionais serão prestados oportunamente, com a cautela que o tema exige”, ressaltou.

Silvia também endossou já ter acionado a empresa judicialmente. “Fiquei surpresa e profundamente desapontada com essa postura, que vai contra os valores éticos e profissionais que sempre guiaram minha trajetória profissional. Já tomamos as medidas jurídicas cabíveis e, em todos esses anos de trabalho sério e comprometido, nunca tinha passado por algo parecido. Sigo acreditando que respeito e integridade são indispensáveis em qualquer relação de trabalho”, pontuou.

Ana Paula Siebert, por sua vez, afirmou que não pretende se pronunciar, mas confirmou que a situação também já está sendo cuidada pelos seus advogados.

Os artistas Xamã, Rael e Kayblack, que estiveram envolvidos em publicidades da Goly, foram procurados pelo hugogloss.com, mas não retornaram até o fechamento da matéria. O espaço continua aberto para esclarecimentos. 

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Goly se manifesta

Diante da polêmica, a reportagem entrou em contato com os representantes da empresa, assim como com as equipes de MC Daniel e MC Livinho, que se diziam sócios da marca.

Em nota, a Goly afirmou atravessar um período de adaptação e consolidação no mercado, o que tem afetado o cumprimento de compromissos assumidos com parceiros e colaboradores. “Estamos trabalhando de forma intensiva em um plano de ação voltado à regularização de pendências financeiras e operacionais, com prioridade total ao restabelecimento da confiança e da estabilidade nas relações construídas ao longo do tempo”, declarou a empresa.

A companhia também esclareceu a relação de MC Livinho e Daniel com a marca: “Não procede a informação de que artistas sejam sócios da GOLY. Alguns possuem contratos de performance vinculados a resultados de vendas, mas não integram o quadro societário nem possuem obrigações legais relacionadas à gestão da empresa”.

De acordo com documentos públicos, o único sócio-administrador nomeado é Breno de Jesus Xavier Gomes.

Leia a nota na íntegra:

“Ao Hugo Gloss, a GOLY vem esclarecer pontos relacionados às recentes notícias envolvendo a companhia.

Estamos atravessando um período de adaptação ao processo de consolidação de uma nova marca no mercado, o que tem gerado desafios. Reconhecemos que este cenário impactou compromissos assumidos e, sobretudo, trouxe dificuldades para parceiros e colaboradores que confiaram em nossa marca. Temos plena consciência desses efeitos e lamentamos profundamente pelos transtornos causados.

Estamos trabalhando de forma intensiva em um plano de ação voltado à regularização de pendências financeiras e operacionais, com prioridade total ao restabelecimento da confiança e da estabilidade nas relações construídas ao longo do tempo. É importante destacar que processos ou contratos envolvendo a companhia serão conduzidos exclusivamente no âmbito legal e institucional, e não pela esfera midiática.

Também esclarecemos que não procede a informação de que artistas sejam sócios da GOLY. Alguns possuem contratos de performance vinculados a resultados de vendas, mas não integram o quadro societário nem possuem obrigações legais relacionadas à gestão da empresa. Ressaltamos que o quadro societário é público e pode ser consultado nos canais oficiais competentes.

A companhia tomará medidas judiciais cabíveis contra aqueles que divulgarem notícias falsas ou distorcidas, preservando assim a verdade e o respeito às nossas relações comerciais e institucionais. Seguimos comprometidos com clientes, parceiros e colaboradores na condução de nossas atividades com responsabilidade e firmes na construção de um futuro mais estável e sólido”.

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MC Livinho se pronuncia

Através de sua assessoria, o funkeiro negou que seja proprietário ou sócio da Goly. “Livinho foi contratado para fazer uma publicidade, mas ele não é dono. Foi contratado apenas para essa publicidade, assim como todos os outros artistas e influenciadores foram”, esclareceu.

Procurada pela equipe do hugogloss.com, a equipe de MC Daniel não se pronunciou até o fechamento da matéria.

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