Marcos Palmeira entrega bastidores de cenas quentes com Grazi Massafera em “Três Graças”, e dá opinião sincera sobre rótulo de galã

O intérprete de Joaquim comentou os rumos imprevisíveis da trama, refletiu sobre a carreira e falou das escolhas fora das câmeras

“Três Graças”: “Não sabia de nada”, revela Marcos Palmeira sobre romance com personagem de Grazi Massafera. (Foto: Globo)

Marcos Palmeira fala sobre seu trabalho em “Três Graças”, comenta a parceria com Grazi Massafera, reflete sobre a carreira na TV e aborda projetos recentes. O ator também compartilha visões sobre a profissão, escolhas pessoais e a vida fora das telas.

Marcos Palmeira se diz tão surpreso quanto o público com o romance entre Joaquim e Arminda, personagem de Grazi Massafera, na novela “Três Graças”. Em entrevista para O Globo, o ator comentou sobre sua parceira de cena, refletiu sobre o rótulo de galã que acompanha sua carreira, falou da sequência intensa de trabalhos na TV e abordou seu engajamento ambiental, que também se estende à vida fora das telas.

O ator considera a novela das 9 uma experiência estimulante e marcada por descobertas constantes em cena. “Não sabia de nada. É obra aberta para todo mundo. Estou achando muito divertido fazer. Joaquim me surpreende cada vez mais. Vejo que as pessoas estão curtindo. Fico feliz. Eu e Grazi nunca tínhamos trabalhado juntos. Ela é uma querida. Está dando show numa personagem difícil”, afirma.

Apesar do entusiasmo, Palmeira evita criar expectativas sobre o futuro da história e ressalta a natureza imprevisível das novelas.“Posso me frustrar e não sei o quanto isso pode interferir na minha dinâmica. Novela é tiro longo. Fico procurando sempre ter um frescor para não ficar repetitivo. Parto do princípio de que tudo é possível”, reflete,

Além do envolvimento com Arminda, Joaquim também mexe com os sentimentos de Lígia, vivida por Dira Paes, sua ex, reforçando o status de galã do personagem. Segundo o ator, ele nunca teve problemas com esse rótulo ao longo de sua carreira. “Eu acho que minha mãe sempre ficou feliz com isso (risos). Eu nunca imaginei ser. Achava que estava mais para o amigo do mocinho, mas também nunca fiquei sofrendo por isso. No início eu era o malandro carioca, depois o policial e, então, o galã rural. Sempre querem empurrar rótulo. Eu vou fazendo”.

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Palmeiras também celebra o fato de, aos 62 anos, ainda ocupar esse lugar de desejo. “Se o público embarca, maravilhoso. Quando não embarca, a gente sofre um pouco, mas tem que fazer até o fim. É interessante agora, com 62 anos, ainda poder estar neste lugar da conquista, do frisson. Mostra que o sexo independe da idade”, opina.

Além de Grazi Massafera, o artistas divide muitas cenas com Belo, que vive Misael na trama: “Belo foi uma grande surpresa. Fui ver o documentário dele para conhecer mais. É um cara incrível. Ele gosta de atuar, busca uma composição. Não está fazendo só para ganhar seguidores com a questão da música. Acho que tem condições de seguir e pegar outros personagens se quiser”.

Marcos Palmeira diz ter sido surpreendido com o romance entre Joaquim e Arminda em "Três Graças". (Foto: Reprodução/Globo)
Marcos Palmeira diz ter sido surpreendido com o romance entre Joaquim e Arminda em “Três Graças”. (Foto: Reprodução/Globo)

Ao comentar a presença cada vez maior de cantores e influenciadores na teledramaturgia, Palmeira diz não ter resistência ao movimento e defende a experimentação artística. Ele lembra um ensinamento de José Wilker. “(José) Wilker falava uma coisa: ‘As pessoas às vezes confundem o cara de pau com bom ator’. Mas às vezes pode ter um bom cara de pau que é bom ator. Você sempre pode se descobrir como artista, seja na atuação, na pintura, na dança… Tânia Maria (do filme ‘O Agente Secreto’) está aí para mostrar para a gente”, afirma.

O ator reforça que não vê problema em contracenar com quem não tem experiência e lembra que a carreira artística é marcada por tentativas, quedas e permanências. “Todo mundo está tentando achar o seu espaço. Muitos vão cair pelo caminho, muitos vão chegando. É a dinâmica que a própria vida tem. Não cabe a minha julgar se o cara merecia estar aqui ou não. Está correndo atrás como todo mundo está. Estou junto nesta luta também. A carreira é difícil. Tem uma seleção natural grande. E às vezes não é só talento, é questão de personalidade”, diz.

Palmeira afirma que também aprende com os iniciantes. “Eu me divirto. Quando tem pessoas sem experiência, (falo) ‘vambora!’. Vou ajudando e aprendendo com a crueza do outro. O cru tem seu frescor. É legal, é um jogo”, continua.

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Após sair do ar em setembro de 2024, com o fim de “Renascer”,  Palmeira voltou à TV um ano depois em “Três Graças”. Antes disso, esteve em “Pantanal”, exibida entre março e outubro de 2022. O ator reconhece os desafios de manter uma sequência contínua de trabalhos na televisão. “Eu acho que a gente tem que ficar atento. Repetir uma novela atrás da outra sempre tem um risco. Confesso que, quando Luiz Henrique (Rios, diretor artístico da novela) me convidou, eu não tinha noção de que estava há tão pouco tempo fora. Não tinha nem um ano desde ‘Renascer’. Depois é que pensei: ‘Caramba, tem muito pouco tempo de uma novela para a outra'”, confessa.

Ao refletir sobre os próximos passos da carreira, o artista destaca as transformações recentes em seus personagens. “Acho que venho fazendo algo diferente. Saí de dois coronéis para um cara urbano, da favela, mal-humorado. Um perfil totalmente diferente do meu”, afirma. Ele diz que pretende analisar sem pressa os próximos convites. “Depois desta novela talvez eu tenha que pensar um pouco mais até a próxima, mas não quero assinar compromisso com a eternidade. Dependendo do papel, sou um operário da arte”, diz o ator, ao destacar a disposição para se reinventar.

A fazenda foi comprada pelo ator em 1997 e tinha como objetivo inicial a produção de leite e seus derivados. Atualmente, o espaço também abriga a produção de mel, hortaliças, café e até chocolate. (Foto: Reprodução/Redes sociais)
Fora das telas, o ator se dedica à sua fazenda, comprada em 1997, que tinha como objetivo inicial a produção de leite e seus derivados e hoje também abriga a produção de mel, hortaliças, café e até chocolate. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Paralelamente às novelas, o ator mantém outros projetos. No ano passado, codirigiu com o pai, Zelito Viana, o filme “Sedução”, rodado na Amazônia e ainda sem data de estreia. Também lançou a segunda temporada de “Manual de sobrevivência do século XXI”, no canal Futura, em que aborda soluções sustentáveis para comunidades e cidades. Ativista ambiental há décadas, Palmeira alerta para a gravidade da crise climática. “Acho que está distante de as pessoas terem consciência real do que são as mudanças climáticas. Ainda tem um caminho longo, mas é o que tem. Não consigo pensar de outra forma. A gente precisa acordar para a questão da preservação ambiental e do aquecimento global. Não é balela”, afirma.

Esse discurso se reflete na prática. O ator tem uma fazenda na Região Serrana do Rio, onde desenvolve projetos de agrofloresta e produção orgânica. “Produzo leito orgânico, de vaquinhas criadas a pasto, felizes. Também tenho trabalho com café e agrofloresta. Um trabalho de regeneração bem consciente, de tentar produzir um produto ético, que você pode consumir e não tem resíduo. É o que me move ”, explica.

Para ele, o contato com a terra é essencial. “A vida é analógica. Não sou ser uma IA, um avatar de mim mesmo. Lá é onde posso me recarregar nesse contato com a terra, as frutas, as plantas… Isso melhora a relação com as pessoas em volta, tendo respeito e reconhecendo a importância de todos”, ressalta.

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Na saúde, Palmeira também busca caminhos alternativos, sem radicalismos. “Eu me trato com medicina antroposófica, que resgata a energia da natureza. Eles trabalham buscando minha energia vital, trabalham nas sensações, na autoestima, nas ansiedades, nos medos e nas carências. É muito interessante. Parece homeopatia, mas não é, embora eu não tenha nada contra, muito pelo contrário. Não tomo remédio de verdade há mais de 20 anos”, conta.

Apesar disso, ele faz questão de pontuar que segue orientações médicas tradicionais quando necessário. “Mas tomo todas as vacinas, não sou radical. Se precisar, tomo remédio para uma operação, uma infecção, sem problema algum. Mas é uma medicina mais paralela, que me ajuda a ter menos danos colaterais”, conclui.

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