Nana Gouvêa revela ter sido forçada a casar com homem que a abusou, aos 16 anos: ‘Eu nunca quis’

Atriz relatou ter sido vítima de violência sexual e doméstica, e contou como teve a vida ditada por seu pai

Nana Gouvêa revelou ter sido obrigada a se casar aos 16 após engravidar do homem que a abusou. A atriz relatou ter sido vítima de violência sexual, doméstica e de traições do então marido. Nana ainda contou como foi forçada pelo pai a seguir na relação.

Nana Gouvêa revelou ter sido obrigada a se casar aos 16 após engravidar do homem que a abusou. Em relato sensível no Instagram, nesta quarta-feira (26), a atriz contou que foi forçada por seu pai a manter o relacionamento, apesar da violência sexual, doméstica e traições. Ela só conseguiu se divorciar três anos depois.

A declaração foi feita após a repercussão de um caso julgado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que absolveu um homem condenado por estupro contra uma menina de 12 anos. Foi então que Nana afirmou que situações como essa seriam comuns, contando sua própria história.

“Lá na minha terra, Uberlândia, Triângulo Mineiro, e em Goiás… Meninas são abusadas o tempo todo. E se ficar grávida, como foi meu caso, apanha no meio da rua como eu apanhei do meu pai, e é forçada ao casamento. Com o abusador! Que diz que ama. A solução? Casar a garota com o abusador”, indignou-se.

Em seguida, a artista desabafou sobre como teve sua vida ditada pelo pai. “Eu nunca quis me casar. Eu queria meu bebê, eu não queria me casar. Mas meu pai disse que ‘era o jeito’. Eu tinha 16 anos!”, recordou. Segundo ela, o divórcio ocorreu três anos depois, quando já tinha duas filhas.

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“Meu ex-marido me maltratava e me deixava sozinha, grávida da minha segunda filha e com a primeira ainda bebezinha, sem leite dentro de casa por dias para viajar com a amante. E quando voltava fazia de tudo para me engravidar de novo, porque queria ‘concertar o casamento com mais filhos'”, continuou.

Nana ainda detalhou a postura do então companheiro quando se tratava da relação dos dois, e como seu pai reprovava a separação. “O que ele queria mesmo era me manter trancada em casa, enquanto ele estava na rua se drogando e saracutiando. Meu pai disse: ‘Volte para o seu marido. Na minha família, nunca teve mulher divorciada. Mulher divorciada só serve pra ser mulher da vida'”, relatou.

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Nana fez carreira na TV e ficou famosa ao integrar o elenco da “Casa dos Artistas”, do SBT (Foto: Reprodução/Instagram)

Segundo a atriz, ela só conseguiu encerrar esse ciclo com a ajuda da mãe. “Fui muito maltratada, até minha mãe me aconselhar a aceitar um trabalho no Rio de Janeiro, prometendo que cuidaria das meninas – o que eu não queria -, porque não teria como levar minhas filhas. Mas fui, porque meu pai não me queria em casa”, narrou.

“E detalhe, minha família não precisava de dinheiro. Isso é como eles pensam. Apenas”, completou a estrela de Porto dos Milagres (2001), da TV Globo. Ao final, Nana lamentou que, tantos anos depois, a história continue se repetindo: “A maioria das meninas não entendem o que está acontecendo, como eu não entendia, e não têm força para fugir do cativeiro. Triste como décadas depois, tudo está igual”.

Gouvêa é mãe de Daphyne e Angel Aguiar, frutos do antigo casamento forçado. Nana se separou do homem em 1994. Ela teve um segundo casamento, de oito anos, com o empresário norte-americano Carlos Reyes. A união, porém, chegou ao fim em dezembro de 2019.

Relato de Nana nas redes sociais (Foto: Reprodução/Instagram)

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Denúncia

Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 180 e denuncie. A Central de Atendimento à Mulher funciona em todo o país e no exterior, 24 horas por dia. A ligação é gratuita e o serviço também oferece orientação de especialistas, faz encaminhamento para serviços de proteção e auxílio psicológico.

O contato ainda pode ser feito pelo WhatsApp através do número (61) 99656-5008 ou pelo aplicativo Direitos Humanos Brasil e a página da Ouvidoria Nacional de Diretos Humanos (ONDH) do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH). Vítimas de violência doméstica podem fazer a denúncia em até seis meses. Outra possibilidade é o Disque 100, que apura violações aos direitos humanos.

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