Nesta terça-feira (20), a Justiça de São Paulo determinou, a pedido do Ministério Público (MP-SP), a reabertura do caso do influenciador PC Siqueira, que morreu há dois anos. Segundo informações do g1, o MP não concordou com a conclusão do inquérito policial, que apontou a causa da morte como suicídio, e solicitou que a Polícia Civil retome as investigações.
De acordo com a Promotoria, laudos periciais e depoimentos que sustentaram a tese de que o apresentador tirou a própria vida possuem inconsistências. O MP apontou contradições tanto nos depoimentos quanto nos laudos técnicos e defende que outras linhas de investigação sejam apuradas, além da hipótese de suicídio. Entre elas, estão a possibilidade de instigação ao suicídio ou até mesmo a ocorrência de um homicídio.
Diante da reabertura do caso, o Ministério Público defende a realização da reconstituição da morte do influenciador, além de outras diligências, como novos depoimentos de testemunhas — inclusive com acareações — e a realização de perícias complementares. Também foi solicitada a reprodução simulada dos fatos no edifício onde PC Siqueira morava, na Rua Bela Vista, no bairro Campo Belo, Zona Sul da capital paulista.
A reprodução simulada — nome técnico da reconstituição — será realizada por peritos da Polícia Científica, com acompanhamento de agentes da delegacia responsável pelo caso. O procedimento foi marcado para as 10h30 desta terça-feira (20), após ter sido adiado anteriormente.
PC Siqueira foi encontrado morto em 27 de dezembro de 2023, em seu apartamento, localizado no terceiro andar do prédio onde residia. Ele tinha 37 anos. Segundo a Polícia Técnico-Científica, o influenciador teria se suicidado na presença da ex-namorada. Ouvida como testemunha, ela afirmou à Polícia Civil que tentou salvá-lo, mas não conseguiu.
O inquérito foi concluído pelo 11º Distrito Policial (DP), de Santo Amaro, em outubro de 2025. Na ocasião, o Instituto de Criminalística (IC) afirmou que todos os indícios corroboravam a tese de suicídio. Já o laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a morte ocorreu por “asfixia mecânica por enforcamento”. Também foram identificados vestígios de cocaína e medicamentos no organismo do influenciador, mas, segundo os peritos, essas substâncias não foram a causa da morte.
Após a conclusão do inquérito, a família de PC Siqueira contestou os resultados dos laudos e o direcionamento das investigações. Os familiares alegam falhas periciais, como a ausência de análise de outros elementos presentes no imóvel, além de problemas na apuração, que teria deixado de ouvir ao menos uma testemunha indicada pela defesa.
Diante desses questionamentos, o Ministério Público optou por não solicitar o arquivamento do inquérito — procedimento comum em casos classificados como suicídio.
Advogados contestam suicídio
Segundo o advogado Caio Muniz, que representa a família de PC Siqueira, a hipótese de suicídio não pode ser considerada definitiva. “A hipótese de suicídio é contestável. Ela pode ter acontecido, sim, mas também pode ter sido outra coisa. Hoje, a gente trabalha com dois caminhos: ou o suicídio, o ato contra a própria vida, efetivado pelo próprio PC, ou uma possível instigação ao suicídio também. Se subdivide em dois caminhos. E a nossa outra alternativa, que cuidaria especificamente do assassinato, figurando, simulando um suicídio”, disse Caio.
Já o advogado Geraldo Bezerra da Silva Filho afirmou que o Ministério Público considerou pertinentes os pedidos apresentados pela defesa. “O Ministério Público compreendeu as nossas alegações e solicitou novas diligências à autoridade policial. As principais medidas são a reconstituição dos fatos e a perícia complementar”, declarou Geraldo.
Segundo a defesa, essas diligências são fundamentais para esclarecer todos os aspectos técnicos relacionados à morte, incluindo a análise de objetos e circunstâncias que, na avaliação dos advogados, ainda não foram examinados de forma conclusiva. Com o pedido de reabertura da investigação, o Ministério Público também solicitou que a polícia intime todas as pessoas que tiveram contato com Siqueira nas horas que antecederam sua morte.
Entre os intimados estão a ex-namorada do influenciador, uma vizinha e o síndico do prédio. O objetivo é que eles detalhem suas versões aos peritos, possibilitando a reprodução fiel dos acontecimentos do dia da morte. A presença é obrigatória, salvo justificativa formal aceita pelas autoridades.
Uma tentativa anterior de reconstituição, marcada para novembro de 2025, não foi realizada porque a ex-namorada de PC não compareceu — ela não teria sido localizada à época. A reprodução simulada foi então remarcada para esta terça-feira, mas, novamente, ela não participará do procedimento.
Nesta segunda-feira (19), a advogada da ex-namorada informou à Justiça que recebeu a intimação para a reconstituição, mas alegou que sua cliente não tem condições de comparecer, pois reside no Rio de Janeiro e está amamentando um bebê de cerca de três meses. A defesa ressaltou que a mulher tem interesse em colaborar com as investigações.
Diante disso, a versão da ex-namorada será reproduzida com base em seu depoimento prestado à polícia. A vizinha e o síndico do prédio deverão participar do procedimento. Até o momento, as autoridades afirmam que não há suspeitos identificados nem elementos que permitam concluir, de forma definitiva, a ocorrência de crime. As investigações seguem em andamento.
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