Renato Góes se abriu sobre os traumas emocionais causados pelo vitiligo. Em entrevista à nova edição da revista GQ, o ator falou sobre a descoberta da doença crônica – caracterizada pela perda de pigmentação da pele – em meio ao divórcio dos pais, e como isso afetou a sua adolescência.
Segundo o artista, o diagnóstico veio aos 12 anos, após perceber uma pequena mancha na coxa esquerda. “Foi bem no momento em que voltei a desfilar. Eu ficava envergonhado. Na escola, ia só de calça. Na praia, de bermuda“, relembrou.
Góes decidiu pedir a ajuda dos pais depois de ter pesadelos nos quais a marca se espalhava por todo o seu rosto, e se olhar no espelho diariamente para procurar novos pontos da doença. “Até que pensei: ‘Que loucura é essa? Não quero isso para mim’. Bruscamente, a mancha diminuiu e hoje é muito pequena“, contou.
Após o auxílio de um terapeuta, ele voltou a se sentir mais confortável com o próprio corpo, especialmente nas praias do Recife, sua cidade natal. Atualmente com 38 anos, casado com Thaila Ayala e pai de dois filhos, o ator afirmou que a doença foi apenas mais um dos desafios em sua vida que o levaram ao amadurecimento.

“Quando perco um trabalho, sei que vai vir algo melhor. Isso acontece com tudo. Ao ver o lado bom das coisas, acabei lidando da melhor forma com a vida e fui recompensado por isso. O mais importante disso não é que a mancha encolheu, mas como eu passei a lidar com grandes desafios“, declarou.
Para Góes, que costumava desfilar para marcas de roupas – a pedido da mãe – e aceitar convites para atuar em comerciais de lojas, entre a infância e a adolescência, conviver com o vitiligo fez com que ele se sentisse “preparado para lidar com as coisas da melhor maneira possível“.
Sotaque recifense
O ator também relembrou o início da carreira no Rio de Janeiro, onde passou a viver aos 19 anos. Em meio às adversidades, Góes disse que nunca deixou de mostrar suas origens, especialmente o sotaque do Recife. “Ouvi que era imaturo. Verde. Me disseram para voltar para minha terra. Eu e muitos colegas viemos cheios de sonhos, mas muitos retornaram com sonhos frustrados. Decidi não desistir. Ao contrário, me fortaleci e amadureci nesse processo“, relatou.
Intérprete de Ivan Meireles no remake de “Vale Tudo“, o artista manteve o sotaque em cena. “O sotaque nordestino parece não ter liberdade para invadir o Brasil, chegar ao topo, e precisa derrubar as barreiras. A cada vez, provar que está ali. Usá-lo não é só uma reparação histórica, mas também a construção de uma nova história de país“, concluiu.
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