Roteirista revela por que Steven Spielberg se recusa a trabalhar com Ben Affleck; assista

Em participação no podcast “One Bad Movie”, o cineasta e roteirista Mike Binder revelou motivo por trás de rusga antiga entre Spielberg e Affleck

O cineasta e roteirista Mike Binder contou, no podcast One Bad Movie, como um desentendimento antigo levou Steven Spielberg a vetar Ben Affleck em um projeto da DreamWorks. A história envolve bastidores de Hollywood e ajuda a explicar por que os dois nunca trabalharam juntos.

Em um episódio recente do podcast “One Bad Movie”, o cineasta Mike Binder revelou o motivo pelo qual Steven Spielberg se recusa a trabalhar com Ben Affleck. Durante a conversa, disponível no YouTube, Binder contou que a rusga entre os dois teve início há muitos anos e acabou interferindo diretamente em um projeto que envolveria os três.

“Eu fiz um filme chamado “Um Cara Quase Perfeito” para a Lionsgate, com o Ben Affleck. Eu tinha escrito o roteiro para o Steven Spielberg. Ele tinha amado “A Outra Face da Raiva”. Ele me viu em “The Contender” e me colocou em “A Nova Lei (Minority Report)”. Depois, mostrei pra ele “A Outra Face da Raiva”, que eu ainda estava editando, e ele disse: ‘A gente precisa fazer algo juntos. Quero que você escreva alguma coisa pra mim'”, lembrou.

O plano inicial era que Binder assinasse o roteiro, enquanto Spielberg ficaria responsável pela direção. O projeto, no entanto, acabou sendo fortemente inspirado por uma experiência pessoal do cineasta, que, na época, lidava com um perseguidor. “Na época, nós dois morávamos em Pacific Palisades e conversávamos muito sobre poder e conflitos. Além disso, ele estava passando por uma situação pesada: um cara tinha invadido a casa dele tarde da noite. Encontraram bilhetes dizendo que o sujeito pretendia eletrocutar o Steven, bater nele… foi horrível”, contou.

A partir disso, Binder desenvolveu o roteiro de “Um Cara Quase Perfeito” centrado em um poderoso agente que passa a ser atormentado por um stalker e vê sua vida desmoronar. “Trabalhei com ele no escritório dele por muito tempo nesse projeto, e ele estava completamente envolvido”, disse.

Ben Affleck estrelou o longa “Um Cara Quase Perfeito”. (Foto: Lionsgate)

Apesar do entusiasmo inicial, a esposa de Spielberg, Kate Capshaw, acabou convencendo o diretor a se afastar da produção, por considerá-la “autobiográfica demais”. “[Ele me disse:] ‘Você deveria dirigir. Se quiser, fazemos aqui na DreamWorks, mas eu não vou dirigir'”, contou Mike.

Foi nesse momento que o roteirista se encontrou com Affleck, com quem já havia trabalhado anteriormente. O ator demonstrou interesse imediato em participar do novo projeto: “Contei que estava fazendo esse filme na DreamWorks, e ele respondeu que queria fazer o projeto, mesmo sem ter lido o roteiro. Fizemos um acordo com um aperto de mãos”.

Tudo mudou, porém, quando a notícia de que Affleck seria o protagonista chegou a Spielberg: “Liguei para o Steven. Ele disse não. Falou que não podia fazer com o Ben, que o último filme dele tinha fracassado, que tinha toda aquela história com a JLo e que ele tinha outros problemas pessoais com o ator. Aí ele me contou o motivo mais pessoal”.

Segundo ele, a rejeição tinha origem em um episódio ocorrido anos antes, durante uma viagem de Spielberg com Affleck e Gwyneth Paltrow, então namorada do ator e afilhada do diretor. “O Steven disse que, quando o Ben namorava a afilhada dele, a Gwyneth Paltrow, todos viajaram juntos para a Espanha. O filho pequeno do Steven estava brincando na piscina. O Ben entrou na área da piscina totalmente vestido, e o garoto o empurrou na água. O Ben ficou muito bravo, saiu da piscina, pegou o menino e o jogou de volta na água, fazendo o garoto chorar”, detalhou.

Gwyneth é afilhada de Spielberg e namorou Affleck nos anos 1990. (Foto: Getty)

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O episódio teria sido decisivo para Spielberg, que bateu o martelo sobre não trabalhar com Affleck. “O Steven concluiu: ‘Eu simplesmente não gosto de trabalhar com ele. Encontre outra pessoa. Qualquer um, menos ele'”, relatou Binder.

O cineasta disse que avisou o agente de Affleck, mas o ator acabou entrando em contato pessoalmente. “O próprio Ben me ligou perguntando se o Spielberg tinha dito que ele jogou o filho dele na água e se esse era o motivo de ele ter sido tirado do filme. Neguei, mas ficou claro que ele sabia”, admitiu.

Mesmo assim, Binder tentou insistir: “Liguei de novo para o Steven e disse que realmente queria usar o Ben, que ele era o cara certo para o papel. O Steven respondeu: ‘Ok, use o Ben'”. No dia seguinte, porém, veio o golpe final: a DreamWorks desistiu do projeto, embora tenha liberado Binder para levá-lo a outro estúdio.

No fim das contas, o diretor acabou realizando o filme sem o envolvimento de Spielberg e com Affleck no elenco. O resultado, porém, foi decepcionante. “A gente se divertiu fazendo, mas eu fiz um filme ruim. Fiz escolhas de elenco erradas e foi grande demais pra mim. O filme saiu direto em vídeo”, concluiu Binder. Assista abaixo:

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