O rei Charles III se pronunciou, na segunda-feira (9), sobre as acusações contra Andrew Mountbatten-Windsor no caso de Jeffrey Epstein. Após a recente divulgação de mais de 3 milhões de arquivos relacionados ao financista, o Palácio de Buckingham informou em comunicado que o monarca auxiliará a polícia em qualquer investigação formal que envolva o antigo príncipe.
“O rei deixou clara, em palavras e através de ações sem precedentes, sua profunda preocupação com as alegações que continuam a vir à tona a respeito da conduta do Sr. Mountbatten-Windsor. Embora as alegações específicas em questão devam ser abordadas pelo Sr. Mountbatten-Windsor, se formos procurados pela Polícia do Vale do Tâmisa, estamos prontos para apoiá-la, como seria de se esperar”, declarou o texto.
Ao final, o palácio reforçou a solidariedade de Charles não só com as vítimas de Epstein, mas com todas aquelas que sofreram algum abuso. “Conforme declarado anteriormente, os pensamentos e a solidariedade de suas majestades estiveram e continuam com as vítimas de todas e quaisquer formas de abuso”, concluiu.
Segundo a BBC, a Polícia do Vale do Tâmisa está avaliando “se há motivos para investigar” uma queixa do grupo antimonarquista Republic, “que denunciou Andrew à polícia por suspeita de má conduta em cargo público e violação de segredos oficiais”.
Os novos registros sugerem que o antigo príncipe tenha enviado documentos sensíveis e confidenciais para Epstein enquanto ele trabalhava como enviado comercial da Grã-Bretanha.

À Vanity Fair, fontes próximas ao rei Charles disseram que, embora o monarca se sinta responsável por ter destituído seu irmão dos títulos reais, há preocupação sobre o que mais pode ser exposto. “Há uma sensação de incerteza sobre o que virá a seguir, e isso é desestabilizador. O rei fez tudo o que pôde; retirou Andrew de seus títulos, o removeu de sua casa e está tentando mantê-lo fora de cena, mas está se provando impossível”, relatou.
Dickie Arbiter, ex-assessor de imprensa do palácio e da falecida rainha Elizabeth II , descreveu a situação como “a pior crise para a monarquia desde a abdicação [em 1936]“. O profissional salientou que, apesar da dura decisão, Charles “está de mãos atadas. Andrew ainda é o Duque de York — mesmo não tendo permissão para usar o título — e somente o parlamento pode cassá-lo”.
“Quanto à família real, o espetáculo deve continuar, mas este é um grande escândalo e, acredito, o pior desde a abdicação. Essencialmente, Andrew parece ter mentido para se safar dessa situação, o que é muito prejudicial para a monarquia”, avaliou Arbiter, por fim.
Em outubro do ano passado, Andrew chegou a renunciar a todos os seus títulos e honrarias reais em meio às acusações relacionadas à sua amizade com Epstein. Windsor, por sua vez, nega qualquer envolvimento com o financista ou os crimes pelos quais ele foi acusado.
Ele também foi obrigado a deixar o Royal Lodge, sua residência por mais de 20 anos, e se mudou para Sandringham, outra propriedade da família real.
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