Thiago Salvático quebra silêncio, concede primeira entrevista e fala sobre como era vida com Gugu: ‘Ele não era o mesmo cara da TV’

O processo iniciado por Thiago Salvático para reconhecer uma união estável com Gugu Liberato tem exposto supostas histórias da vida privada do apresentador. A ação judicial foi confirmada e divulgada na última semana (7) pelo site Notícias da TV, que teve acesso a documentos relatando, segundo advogados, experiências do chef de cozinha vividas ao lado do comunicador.

Em entrevista à coluna de Leo Dias, publicada nessa manhã (11), Salvático falou pela primeira vez sobre seu relacionamento com Liberato, e explicou o porquê de não ter dado entrada na disputa judicial mais cedo. “Precisei primeiro respeitar o meu luto. Foi muito difícil dar prosseguimento à minha vida depois do dia 21 de novembro. Alternava dias normais com dias muito ruins. Logo após o falecimento do Gugu, minha irmã e meu cunhado vieram morar aqui na Alemanha para me dar suporte emocional e me ajudar a dar continuidade ao meu trabalho e aos meus negócios”, contou.

No processo formalizado em 9 de abril, foram anexados comprovantes e fotos de várias viagens que Gugu e Thiago fizeram juntos ao redor do mundo. Consta ainda um longo relato sobre o suposto romance do casal, lembrando do dia em que ambos se conheceram numa ponte aérea São Paulo-Rio de Janeiro, até a última vez em que se viram, uma semana antes da morte do apresentador.

“Meus advogados pediram para escrever em detalhes a minha história com o Gugu, do primeiro ao último dia. Tinha momentos em que eu não conseguia escrever por lembrar de tudo o que passamos juntos. O vazamento da petição inicial da ação —com quebra de segredo de Justiça— à imprensa expõe a minha intimidade. Sou julgado por pessoas que não me conhecem e nada sabem da minha história com o Gugu. Sou obrigado agora a me manifestar e expor a minha versão dos fatos. Meus advogados já estão tomando as providências para a proteção dos meus direitos”, afirmou.

Desde 2014, Thiago mora na Alemanha. O apresentador, por sua vez, dividia sua vida entre o Brasil e Orlando, nos Estados Unidos. A distância, entretanto, não teria prejudicado o suposto relacionamento dos companheiros. “Nós sempre mantivemos um relacionamento muito sólido e próximo. Eu viajei muito ao Brasil durante esse período, e ele também me visitava na Alemanha. Realizamos diversas viagens juntos pelo Brasil e pelo mundo. Não medíamos esforços para nos encontrarmos”, assegurou o chef.

“As pessoas estranham e perguntam: como é possível manter um relacionamento a distância? Mas para mim isso apenas mostra a força do nosso relacionamento. E também é preciso entender a dinâmica de vida do Gugu. Ele se dedicava à mãe, aos irmãos, aos filhos em Orlando e a mim. Quando estava envolvido em gravações, tinha pouco tempo livre”, acrescentou, sobre a agenda atarefada do comunicador.

Thiago e Gugu em suas viagens ao redor do mundo. (Foto: Thiago Salvático/Arquivo Pessoal)

O gaúcho preferiu não expor os motivos pelos quais Gugu não teria assumido uma suposta homossexualidade publicamente. “Esse tema é muito sensível. As razões que levaram Gugu a preservar a intimidade e privacidade dele estão muito bem explicadas na ação. O local apropriado para essa discussão é a Justiça”, declarou.

Thiago, porém, revelou que, com exceção dos três filhos de Gugu, e de dona Maria do Céu, mãe do apresentador, os amigos próximos de Liberato conheciam o chef, e sabiam da relação. “Quanto ao nosso relacionamento, desde o início ele deixou claro que deveríamos nos preservar. O que não significa dizer que vivíamos de forma secreta ou escondida. Muito pelo contrário. As pessoas mais próximas ao Gugu, com exceção dos filhos e da mãe dele, me conheciam”, garantiu.

“Gugu era muito reservado. Viajávamos juntos, ficávamos no mesmo quarto, fazíamos as refeições e os passeios juntos. No Brasil, eu também andava ao lado dele e frequentava todas as residências na condição de companheiro. Mas essa decisão de preservar a intimidade o impedia de abordar esse assunto livremente junto aos filhos, ao irmão, à mãe, aos fãs e à imprensa”, acrescentou.

Em seu testamento, Liberato deixou 75% da herança de R$ 1 bilhão aos filhos (João Augusto, 18 anos, e as gêmeas Sofia e Marina, de 16) e 25% aos sobrinhos. O documento assegura ainda a Maria do Céu, de 90 anos, uma espécie de pensão vitalícia de R$ 163 mil, segundo a revista Veja. Assim como Rose Miriam di Matteo, mãe dos herdeiros, Salvático não foi citado como um dos beneficiários do comunicador.

“Quando o Gugu fez o testamento, em 2011, ele não me conhecia. Existe aí uma questão jurídica para advogados e para o juiz, mas o fato de eu não constar no testamento de 2011 não retira a minha condição de herdeiro, como companheiro. Eu sei o papel e a importância que tive na vida do Gugu”, contestou o rapaz.

Thiago reforçou que tem direito a parte da herança, e se mostrou confiante com o resultado do processo. “Nosso relacionamento só terminou em razão do falecimento dele. A minha pretensão é legítima. Eu tenho a obrigação de defender a nossa relação e a verdade. Apresentei muitos documentos na ação. Também juntei parecer jurídico elaborado pela Dra. Maria Berenice Dias, uma das maiores autoridades em direito homoafetivo no Brasil. Confio que a Justiça reconhecerá a união estável que mantive com Gugu”, comentou.

Por fim, o gaúcho deu mais detalhes sobre o suposto namorado, que segundo ele, era uma pessoa diferente da figura da TV. “Como todo ser humano, ele tinha momentos de alegria e de tristeza. O Gugu, que eu conheci na intimidade, era uma pessoa diferente do apresentador. Na TV, ele mantinha uma energia incrível e contagiava a todos com muita alegria. Eu brincava com ele: você não é o mesmo cara da TV. Ele sempre ria do meu comentário. Na intimidade ele era divertido e carinhoso, mas, em muitos momentos, ficava sério, reflexivo e preocupado, com coisas como a performance do programa, audiência, patrocinadores, renovação de contratos, como que inovar, negócios, produtora, criação e educação dos filhos, saúde da mãe, etc.A necessidade de preservação da intimidade também contribuía para momentos de angústia e tristeza. Conversávamos muito sobre isso. Quando estávamos juntos, posso declarar com muita tranquilidade e segurança que ele era feliz”, enfatizou.

Salvático não poupou elogios a Liberato. “A lembrança que guardo do Gugu é a de uma pessoa correta, divertida, educada, inteligente, gentil e carinhosa. Ele era, antes de tudo, um ‘gentleman’. Um filho que fez de tudo pelos pais e um pai apaixonado pelos filhos. Curioso por novidades, ele adorava conhecer novos lugares e culturas diferentes. Um companheiro que transmitia muito amor e que contribuía para o meu crescimento pessoal. Era simples na essência e não ficou deslumbrado pelo sucesso que conquistou”, concluiu.