Viola Davis se arrependeu de ter feito “Histórias Cruzadas” e dá a melhor resposta para explicar o porquê!

Uma estrela consciente! Capa da revista Vanity Fair neste mês, Viola Davis cedeu uma entrevista reveladora e se abriu, inclusive, sobre o arrependimento que sente de ter participado do filme “Histórias Cruzadas”, de 2011. A atriz explicou que sente ter “traído” o povo negro ao participar da produção.

A atriz lembrou que a personagem Aibileen era uma grande oportunidade, principalmente para ganhar mais atenção dentro da indústria cinematográfica. “Eu era a atriz trabalhadora, tentando entrar”, falou. Como era previsto, a produção foi sucesso de público, elogiada pela crítica especializada, e ainda rendeu uma indicação ao Oscar de “Melhor Atriz” para Viola Davis.

No entanto, olhando com distanciamento para o filme e de maneira crítica, a artista percebeu que no aspecto da representatividade para o povo negro, a produção deixa muito a desejar. “Poucas narrativas investem em nossa humanidade. Eles investiram na ideia do que significa ser negro, mas… atendendo ao público branco. O público branco, no máximo, pode sentar-se e obter uma lição acadêmica sobre como somos. Então eles deixam o cinema e falam sobre o que isso significava. Eles não são tocados realmente por quem nós éramos”, analisou.

Em “Histórias Cruzadas”, Viola Davis interpretava a empregada Aibileen. Foto: Reprodução/YouTube

“Não há ninguém que não se divirta com ‘Histórias Cruzadas’. Mas há uma parte de mim que parece ter me traído, e meu povo, porque eu estava em um filme que não estava pronto para [contar toda a verdade]. O filme, assim como muitos outros, foi criado com o filtro e na fossa do racismo sistêmico”, falou a atriz.

Atualmente, a militância aponta algumas problematizações pertinentes ao longa, como o fato da história ser contada sob a perspectiva de personagens brancas, especialmente Eugenia Phelan, interpretada por Emma Stone. O livro que inspirou a trama também foi escrito por uma autora branca, e a direção da filme ficou no comando de um homem branco, Tate Taylor.

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Presenting our July/August cover star: @ViolaDavis. Last month, the Oscar winner took to the streets to protest the death of George Floyd—but she’s no stranger to fighting for what’s right. As a Black woman in Hollywood, she’s spent her career doing it: “My entire life has been a protest,” Davis says. “My production company is my protest. Me not wearing a wig at the Oscars in 2012 was my protest. It is a part of my voice, just like introducing myself to you and saying, ‘Hello, my name is Viola Davis.’” Davis was photographed by @dario.studio—the first Black photographer to shoot a Vanity Fair cover. At the link in bio, Davis speaks with V.F. about her extraordinary journey out of poverty and into the stubbornly unequal Hollywood system. Story by @soniasaraiya Photographed by @dario.studio Styled by @elizabethstewart1 Coatdress @maxmara Earrings @pomellato

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Apesar disso tudo, Viola Davis fez questão de garantir que não existe qualquer sentimento ruim em relação às pessoas que trabalharam com ela, pelo contrário. “Não posso explicar o amor que tenho por essas mulheres e o amor que elas têm por mim”, disse.

A estrela também comentou que, mesmo com todo o sucesso, a produção não atraiu outras personagens profundas para que ela interpretasse no cinema. E, mesmo assim, as pessoas a questionavam sobre sua decisão de se dedicar à série “How To Get Away With Murder” ao invés de estar nas telonas. “Eu sempre pergunto para eles: [Vou trabalhar] em quais filmes? O que seriam esses filmes? Escute, eu consegui fazer ‘As Viúvas’, mas se eu apenas confiasse no funil [de seleção] de Hollywood… Não, não existiriam esses papéis”, declarou.