Nesta quarta-feira (4), o brasileiro Wagner Moura cumpriu mais um compromisso da agenda de divulgação de “O Agente Secreto“, longa indicado ao Oscar. O ator participou do talk show ‘Jimmy Kimmel Live!’, quando comentou o governo do ex-presidente condenado Jair Bolsonaro (PL) e comparou o político ao presidente norte-americano Donald Trump.
O assunto surgiu quando Kimmel e Moura lembraram que ambos estiveram na cerimônia do ‘Critics Choice Awards’, realizada em janeiro. “Você já pensou em seu discurso caso vença o Oscar?”, perguntou o apresentador. “Sabe, eu pensei em você. Durante o seu discurso no Critics Choice Awards, você agradeceu ao Trump. E eu achei que isso foi uma ideia brilhante”, respondeu Moura.
O ator explicou: “Eu deveria, basicamente, agradecer a Bolsonaro. Bolsonaro é o nosso Donald Trump brasileiro”. “Mas o nosso Trump está na cadeia”, soltou Wagner, para aplausos da plateia. Aos risos, Kimmel questionou qual é a sensação de ver o ex-presidente punido por tentativa de golpe de Estado no Brasil. Moura respondeu: “É uma sensação boa!”
Kimmel chegou a ser retirado do ar no ano passado pela ABC, após pressão do presidente norte-americano por conta de um discurso do apresentador sobre o atirador de Charlie Kirk, ativista de extrema-direita morto em setembro. Mesmo diante das ameaças de cancelamento, Kimmel voltou à televisão com forte apoio de nomes de Hollywood e acabou vencendo o Critics Choice Awards na categoria de “Melhor Talk Show”.
Ao subir ao palco para receber o prêmio, ele ironizou Trump: “E, acima de tudo, quero agradecer ao nosso presidente, Donald Jennifer (sic) Trump, sem o qual estaríamos indo para casa de mãos vazias esta noite. Então, obrigado, Sr. Presidente, por todas as muitas coisas ridículas que você faz a cada dia”.
Jimmy Kimmel roasts Donald Trump after winning the #CriticsChoiceAward for Best Talk Show:
“And most of all, I want to thank our president, Donald Jennifer Trump, without whom, we would be going home empty handed tonight. So thank you, Mr. President, for all the many ridiculous… pic.twitter.com/kpEc8JZTa9
— Variety (@Variety) January 5, 2026
Durante a entrevista, Moura também explicou o que motivou a criação de ‘O Agente Secreto’. “Esse filme não teria acontecido se não fosse por causa dele (Bolsonaro). ‘O Agente Secreto’ surgiu de mim e do diretor [Kleber Mendonça Filho], compartilhando nossa perplexidade sobre o que estava acontecendo no Brasil com o Bolsonaro”.
Na sequência, Kimmel contextualizou para o público norte-americano a trajetória política de Bolsonaro, mencionando suas posições contra minorias e instituições democráticas. “Ele era antidemocracia, e é por isso que está na cadeia”, declarou Moura. “E, claro, o Trump o ama”, ironizou o apresentador.
Os dois também falaram sobre ameaças tarifárias de Trump contra o Brasil e sobre as dificuldades enfrentadas por Moura para lançar o filme ‘Marighella’, dirigido por ele, durante o governo Bolsonaro. “Foi muito azar, porque ele foi eleito democraticamente em 2018. E então meu filme estreou em Berlim em 2019. É um filme sobre esse revolucionário, um personagem real, um cara que foi líder da resistência no Brasil contra a ditadura. Então, o Bolsonaro, claro, não gostou da ideia. Ele elogia a ditadura. Ele acha que a ditadura foi um momento incrível da história brasileira”, afirmou.
O ator relembrou que o lançamento no Brasil acabou sendo adiado por anos: “O filme estreou em Berlim em 2019, e nós simplesmente não conseguimos lançar o filme no Brasil. Só conseguimos lançar o filme no Brasil em 2021, porque ele basicamente fez tudo o que pôde para impedir que isso acontecesse”. Moura também afirmou que os ecos da ditadura militar ainda são muito presentes no país e que a eleição de Bolsonaro foi, em parte, reflexo desse cenário.
Por fim, o ator criticou o momento político dos Estados Unidos e citou a morte de dois cidadãos norte-americanos a tiros por agentes federais da ICE (U.S. Immigration and Customs Enforcement), em Minneapolis. “Esse é o país que exporta para o resto do mundo a luta pelos direitos civis? Esse é o país de Martin Luther King?”, questionou.
Assista à entrevista completa abaixo:
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