“Convenção das Bruxas”: Warner Bros. pede desculpas após filme ser criticado por pessoas com deficiência; entenda o caso

Nesta quarta-feira (4), a Warner Bros. se desculpou publicamente após o remake de “Convenção das Bruxas” ser criticado pelo modo como caracterizou as bruxas da produção. No filme, elas têm três dedos em cada mão e, para muitas pessoas, a aparência usada para as personagens foi ofensiva, por associar personagens malvadas e monstruosas a deficiências físicas.

Em um comunicado enviado à imprensa internacional, o estúdio disse que está “profundamente triste ao saber que nossa representação dos personagens fictícios em ‘Convenção das Bruxas’ pode perturbar pessoas com deficiência” e que “lamenta qualquer ofensa causada”.

No longa, Anne Hathaway assumiu o papel da poderosa Grande Bruxa, uma vilã que é apresentada com longas mãos em forma de garras e sem alguns dos dedos. A trama do filme aponta que essa característica é comum das bruxas — e também uma maneira de identificá-las.

“Convenção das Bruxas” foi criticado por ser ofensivo às pessoas com deficiência. (Foto: Reprodução/ Warner Bros.)

No entanto, a ex-campeã de natação paraolímpica Amy Marren observou que a fisionomia de Hathaway imitava diretamente a deficiência de pessoas da vida real. Pelo Twitter, ela questionou se “houve muita reflexão sobre como essa representação das diferenças de membros afetaria as pessoas com ectrodactilia [deformidade em que há ausência de um ou mais dedos centrais das mãos ou dos pés]”.

“Sim, estou plenamente ciente de que se trata de um filme. Mas bruxas são essencialmente monstros. Meu medo é que as crianças assistam a este filme, sem saber que ele exagera enormemente o original de Roald Dahl, e que as diferenças de membros comecem a ser temidas”, pontuou a atleta.

A postagem de Amy foi rapidamente apoiada pela conta oficial do Comitê Paralímpico Internacional: “A diferença de membros não é assustadora. As diferenças devem ser comemoradas e a deficiência deve ser normalizada”, declarou a organização.

A atriz Melissa Johns, que nasceu sem o antebraço e a mão direita, também criticou o filme. “Por que faltar dedos? Aqui vamos nós novamente… Usar a deficiência como traje e destacar um personagem como um ‘vilão'”, escreveu no Twitter.

Ela ainda continuou: “Crianças com diferenças de membros raramente conseguem se ver representadas com veracidade. Mas em vez disso ser mostrado como monstros assustadores? Não é o que precisamos”.

Outros ativistas da deficiência criaram a hashtag #NotAWitch (não é uma bruxa) para compartilhar suas próprias histórias pessoais e desafiar as representações do filme. “Ei, Warner Bros, obrigada por sua tentativa de convencer o público que as pessoas com diferença de membros (LD) são más, assustadoras e vilãs. Não é como se as crianças com LD já tivessem muito contra elas”, afirmou uma usuária da rede social.

Com a repercussão, o porta-voz da Warner Bros. ainda disse, em nota à imprensa, que o estúdio adaptou a história original, trabalhando com designers e artistas para chegar a uma nova interpretação das garras felinas que são descritas no livro de Roald Dahl.

“Nunca houve intenção dos espectadores sentirem que as criaturas fantásticas e não-humanas deveriam representá-los. Este filme é sobre o poder da bondade e da amizade. É nossa esperança que famílias e crianças possam desfrutar do filme e abraçar este tema empoderador e cheio de amor”, finalizou o comunicado.