O diretor de “Conspiração”, Adam Marcus, fez duras críticas a Val Kilmer mais de um ano após a morte do ator. Segundo a Entertainment Weekly, o cineasta deixou os comentários nesta segunda-feira (1), em uma série de publicações nas redes sociais, que posteriormente foram apagadas.
“#SegundaDoMicroIntelecto para aquela época em que dirigi aquele cara. O cara que interpretou o Iceman e o Doc Holliday. Vocês sabem qual. Aqui estou eu e o idiota resolvendo as coisas no set”, escreveu Marcus em uma publicação que incluía uma foto ao lado do ator.
O diretor também antecipou as críticas que poderia receber por falar negativamente de Kilmer, que morreu de pneumonia em abril de 2025. “E para qualquer um revirando os olhos por causa dessa história de ‘não fale mal dos mortos’, dane-se. Se esse cara tivesse feito um décimo do que fez no meu set hoje, teria sido cancelado em um piscar de olhos”, disparou.
“O pior ser humano que já conheci… e isso quer dizer muita coisa”, concluiu Marcus.

Em “Conspiração”, Kilmer interpreta William “Spooky” MacPherson, um veterano da Guerra do Iraque com deficiência que viaja até uma cidade na fronteira do Arizona para visitar um velho amigo. Ao chegar, ele descobre que o amigo e toda a sua família desapareceram e que ninguém sequer admite que eles tenham vivido ali. A investigação acaba revelando uma conspiração corporativa voltada contra imigrantes não documentados.
Adam Marcus não é o primeiro a retratar Kilmer como alguém difícil de lidar nos bastidores. Joel Schumacher, diretor de “Batman Eternamente” (1995), descreveu o ator como “infantil e impossível” e um “ser humano psicologicamente perturbado” em entrevista à Entertainment Weekly em 1996. Já John Frankenheimer, que dirigiu Kilmer em “A Ilha do Dr. Moreau”, afirmou que nunca mais trabalharia com ele após o projeto.
Kilmer respondeu a essas críticas em uma entrevista à Rolling Stone em 2003. “Fui descuidado na forma como encarei meu trabalho. Mas confio que a verdade é a verdade e a mentira é a mentira. Frankenheimer, Deus o tenha, já faleceu, mas tinha um histórico de falar mal das pessoas”, afirmou.

O ator também rebateu os comentários de Schumacher. “Schumacher não é um grande diretor, mas faz todo mundo feliz e dá lucro. Quanto à versão dele de que eu sou instável, ele é muito inteligente para falar qualquer coisa sobre o meu trabalho, porque eu poderia processá-lo por difamação”, pontuou.
Ele ainda contestou a acusação de que seria irresponsável. “A ideia é que eu não sou responsável. Em relação a quê? Fazer o dever de casa? Interpretar o personagem? Gerar lucro? Fiz aqueles que me contrataram ganharem mais de um bilhão de dólares. Não foi algo que planejei, mas tenho muito orgulho de ter gerado retorno financeiro de forma consistente”, declarou.
Anos depois, no documentário “Val”, de 2021, que revisita sua trajetória profissional, o ator voltou a abordar a imagem que construiu na indústria do entretenimento. “Já me comportei mal. Já fui corajoso. Já fui estranho para algumas pessoas. Não nego nada disso e não me arrependo, porque perdi e encontrei partes de mim que nem sabia que existiam”, refletiu.
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