“Obsessão”, filme que está em cartaz nos cinemas, se tornou um dos assuntos mais comentados da web nos últimos dias por conta do sucesso. No entanto, a diretora de arte do longa, Sally Choi, fez um longo desabafo nesta quinta-feira (4), ao relatar o salário baixo que recebeu para trabalhar na produção.
No texto, publicado nas redes sociais, Sally afirmou ter recebido um valor considerado muito abaixo do esperado e não escondeu o arrependimento. “Venho debatendo isso por um bom tempo. Tenho carregado muito peso nos últimos dois anos, desde a produção de ‘Obsessão’, então vou só falar como as coisas são. O filme custou US$ 750 mil [cerca de R$ 3,8 milhões, na cotação atual], e as projeções indicam que vai faturar mais de US$ 250 milhões [R$ 1,2 bilhão]”, começou.
Na sequência, a cineasta detalhou quanto recebeu pelo trabalho e criticou as condições enfrentadas por parte da equipe: “Eu recebi US$ 300 [R$ 1,5 mil] por dia para trabalhar como diretora de arte. Descontados os impostos, isso rendeu um total de US$ 6.741,36 [R$ 34,6 mil]”.

A diretora acrescentou: “Algumas pessoas na equipe eram voluntárias, só ganharam o custo do combustível e milhas. Nem isso foi pago há tempo, então esses profissionais incríveis pagaram do próprio bolso para trabalhar num filme que vai arrecadar mais de R$ 1 bilhão nas bilheterias”.
Sally reconheceu que tinha conhecimento do valor que iria receber, mas destacou o contexto financeiro que a levou a aceitar a proposta. “Sim, eu sabia qual era o valor que seria pago antes e o aceitei, mas naquele momento eu estava vivendo de salário em salário, sem nenhuma reserva. Essa é a realidade da maior parte dos cineastas, especialmente aqueles que trabalham em cargos menores. Nós somos apenas uma linha na planilha de pagamentos, que precisam ser o mais baixo possível”, lamentou.
Outro ponto levantado pela profissional foi a sobrecarga de funções durante as gravações, algo que, segundo ela, é comum em produções de baixo orçamento: “Como acontece na maior parte das produções de baixo orçamento, todo mundo precisou assumir outras funções. Meu título oficial era diretora de arte, mas eu também fui assistente de produção, cenógrafa, designer gráfica, figurante, motorista, compradora”.
A profissional relembrou o impacto físico que sentiu durante a produção do filme, e disse que se arrepende de ter aceitado o trabalho. “Foi algo que exigiu tanto de mim fisicamente que comecei a perder peso, terminando as filmagens com 40 quilos. Eu me arrependo todos os dias de não ter desistido. Eles me incentivaram a ficar, e eu, ingenuamente, escutei”, contou.

Segundo Sally, o problema vai além de um único projeto ou equipe: “Estou dizendo tudo isso agora para ficar em paz comigo mesma. Sei que esse problema é muito maior do que ‘Obsessão’ (e Curry e sua equipe, não é sobre eles). Sei que isso é maior até do que a indústria cinematográfica”.
Por fim, a cineasta ainda incentivou outros profissionais a compartilharem experiências semelhantes. “Se você quiser conversar comigo sobre isso, sinta-se livre para fazê-lo. Estou disposta a estar errada, porque não sei todas as informações e minha perspectiva é apenas uma gota d’água num balde. Se você trabalhou em ‘Obsessão’, divulgue quanto recebeu e talvez nós possamos começar a mudar a indústria”, concluiu. Até o momento, Curry Barker, a produtora Focus Features e a distribuidora Universal Pictures não se pronunciaram sobre as declarações.
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