Uma mulher procurou a polícia meses depois do assassinato de quatro estudantes da Universidade de Idaho, para relatar que havia conhecido Bryan Kohberger em um aplicativo de namoro antes do crime. O depoimento dela foi anexado a um relatório do Departamento de Polícia de Moscou, divulgado após a condenação de Kohberger, que recebeu quatro sentenças de prisão perpétua.
Segundo a usuária, que não teve seu nome revelado, ela deu match com Kohberger no Tinder entre setembro e outubro de 2022, quando ele se apresentou como estudante de criminologia da Universidade Estadual de Washington. De acordo com o relatório, a mulher disse que os dois chegaram a falar sobre marcar um encontro nas férias de Natal, período em que ele viajou para a casa dos pais, na Pensilvânia, onde acabou preso.
O relato indica que, durante a conversa pelo aplicativo, eles trocaram mensagens sobre um assassinato ocorrido na cidade dela e sobre filmes de terror. O chefe de polícia Brett Payne registrou no relatório: “Em resposta a isso, [a mulher] disse que Kohberger perguntou qual ela achava que seria a pior maneira de morrer”. Ainda segundo Payne, a resposta foi “com uma faca”, e Kohberger insistiu: “como um Ka Bar?”. A mulher afirmou que não sabia o que era e pesquisou na internet. Mais tarde, os promotores confirmaram que o assassino comprou uma faca Ka-Bar, além de uma bainha e um amolador, em março de 2022, e que uma bainha contendo seu DNA foi encontrada na cena do crime.

Ela declarou ao detetive que decidiu cortar contato porque “as perguntas dele a deixavam desconfortável”. Somente após a prisão de Kohberger, a mulher reconheceu a foto na televisão e se lembrou da conversa, especialmente da menção à Ka-Bar.
A denúncia foi feita em março de 2023 por telefone, mas Payne explicou que não conseguiu confirmar o relato, já que a mulher não tinha mais acesso à conta nem ao identificador do perfil. Em outro relatório, ele detalhou que buscou informações diretamente com o Tinder, mas não encontrou registros vinculados aos dados fornecidos. “Neste momento, não há indícios de que existam registros que sustentem a denúncia [da mulher] nos registros do Tinder. Se mais informações ou novos identificadores forem encontrados, solicitarei um mandado de busca para as contas do Tinder”, escreveu.
Relembre o caso
Bryan Kohberger foi preso em 30 de dezembro do ano passado, acusado de matar a facadas Kaylee Gonçalves, de 21 anos, Ethan Chapin, de 20, Xana Kernodle, também de 20, e Madison Mogen, de 21. O crime ocorreu em 13 de novembro. No dia, a polícia recebeu um chamado envolvendo um “indivíduo inconsciente”.
Todas as vítimas eram alunas da Universidade de Idaho, e estavam numa casa em uma vizinhança próxima da caixa d’água estampada com o logo da instituição. Segundo o The New York Times, a cidade, que tem cerca de 25 mil habitantes, não registrava um assassinato desde 2015.
À Fox News, um policial revelou o cenário assustador que foi encontrado na residência em que o crime aconteceu. O sangue das vítimas chegou a descer pela parede, pingando do quarto do primeiro andar. Foi possível ver o líquido escorrendo até mesmo do lado de fora da casa, na parte dos fundos. “Foi uma cena muito sangrenta no lado de dentro”, afirmou o agente. (Alerta: imagens fortes!). Veja as fotos, clicando aqui.

Horas antes do assassinato brutal, o casal Ethan e Xana estava numa festa no campus, enquanto Kaylee e Madison foram até um bar no centro da cidade. As duas meninas, inclusive, foram registradas pelas câmeras de segurança. Todos eles voltaram para a casa após 1h45 da manhã.
Kohberger será poupado da pena de morte, mas foi condenado a quatro penas perpétuas consecutivas pelas acusações de homicídio e à pena máxima de 10 anos pela acusação de roubo.
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