O bilionário da tecnologia Bryan Johnson, de Utah, nos Estados Unidos, fez revelações surpreendentes sobre sua saúde em meio à busca milionária pela juventude. Segundo o empresário, que gasta cerca de US$ 2 milhões por ano para alcançar “o corpo de um jovem de 18 anos”, ele desenvolveu uma doença autoimune incurável.
Johnson ficou conhecido por seus tratamentos considerados “extremos” no chamado Projeto Blueprint, sistema baseado em algoritmos que busca ajudá-lo a “programar” o próprio corpo para funcionar de forma otimizada e retardar o envelhecimento. Em 2023, o bilionário ganhou notoriedade nas redes ao revelar gastos elevados com sua saúde, submetendo-se a procedimentos que, segundo ele, ajudaram a eliminar microplásticos de seus testículos, melhorar sua performance sexual e até combater a calvície.
Na época, Johnson afirmou que o projeto foi criado para “impedi-lo de adotar comportamentos autodestrutivos”. Entre as práticas adotadas, ele chegou a realizar transfusões de sangue com seu filho, então com 17 anos, e com seu pai, de 70, além de exames diários de gordura corporal e ressonâncias magnéticas frequentes — tudo supervisionado por uma equipe de cerca de 30 médicos.
No entanto, na semana passada, o empresário — que já declarou o desejo de “viver para sempre” — revelou ter sido diagnosticado com uma doença autoimune rara e incurável, que, segundo ele, afeta entre 2% e 5% da população mundial. Após anos lidando com estresse, ganho de peso e depressão crônica, seu organismo passou a desenvolver um processo autoimune que afetou a tireoide e o revestimento do estômago, condição conhecida como gastrite autoimune.

Johnson afirmou que a doença faz com que seu estômago “se autodestrua” e reconheceu que o prognóstico é preocupante. “A medicina tradicional admite derrota, dizendo que não há nada a ser feito além de controlar a condição”, declarou.
De acordo com o bilionário, o problema pode estar relacionado a hábitos do passado. Ele relatou que, na infância, consumia regularmente fast food e bebidas açucaradas. Johnson afirmou ainda que não sabia que convivia com a doença, apesar de ela causar, segundo ele, “danos irreversíveis ao corpo, incluindo deficiência nutricional, anemia e aumento do risco de câncer”.
Diagnosticado com hipotireoidismo aos 21 anos, Johnson passou a usar medicamentos para manter o funcionamento adequado da glândula. Em retrospecto, ele acredita que já apresentava sinais iniciais de gastrite autoimune naquela época, embora não tenha “conectado os pontos”, mesmo diante de níveis baixos de ferritina — proteína responsável pelo armazenamento de ferro — sem sinais de anemia.

Apesar da suplementação, seus níveis de ferritina continuaram abaixo do normal, o que levou à realização de uma série de exames para investigar a causa e entender por que seu “ferro continuava desaparecendo”. Uma colonoscopia sem alterações descartou câncer de cólon, levando a equipe médica a avançar para uma endoscopia bidirecional, além da análise de biomarcadores sanguíneos.
Os exames de sangue revelaram níveis elevados de anticorpos contra células parietais, indicando a possibilidade de gastrite autoimune — condição em que o sistema imunológico ataca células saudáveis do estômago, geralmente associada a histórico familiar ou a outras doenças autoimunes, como as que afetam a tireoide.
Diante da ausência de sintomas evidentes, que podem incluir dor abdominal, deficiência de ferro, perda de apetite, náuseas ou perda de peso inexplicada, os médicos optaram por aprofundar a investigação. A confirmação veio por meio de biópsias do estômago, que indicaram enfraquecimento inicial do revestimento gástrico, um sinal precoce da doença.
Johnson explicou que seus problemas de saúde estão interligados, tanto a deficiência de ferro quanto a doença autoimune da tireoide e a própria gastrite autoimune, o que dificulta o tratamento. “O ferro e a tireoide se influenciam mutuamente: níveis baixos de ferro prejudicam a conversão do hormônio tireoidiano em sua forma ativa, enquanto uma tireoide pouco ativa compromete a forma como o corpo utiliza o ferro”, afirmou.
Embora a gastrite autoimune não tenha cura, o quadro pode ser controlado com injeções de vitamina B12 ou infusões de ferro. Johnson, inclusive, relatou ter recebido uma infusão de 1.000 mg de ferro Monoferric. Fiel à sua abordagem, o bilionário de 48 anos disse que pretende “tentar resolver [a condição]” com seus médicos.
“Na era da IA, da multi-ômica e do DNA, proteínas e células personalizados, nenhuma condição deve ser considerada incurável simplesmente porque ninguém ainda tentou curá-la com o conjunto de tecnologias atual”, concluiu.
