O jornalista Don Lemon falou pela primeira vez sobre sua prisão na semana passada. O antigo âncora da CNN foi detido após ser acusado de violar os direitos humanos durante a cobertura de um protesto contra a aplicação de leis de imigração nos Estados Unidos. Lemon foi entrevistado no programa “Jimmy Kimmel Live!” desta segunda-feira (2) e revelou que chegou a tentar um acordo por meio de seus advogados, mas não obteve resposta das autoridades.
Durante a entrevista, Lemon afirmou que sua defesa entrou em contato com o governo dias antes da prisão para informar que ele se apresentaria voluntariamente. Segundo o jornalista, a falta de retorno levou a uma operação que teve caráter intimidatório. “Eles querem isso. Eles querem te envergonhar. Eles querem te intimidar. Eles querem incutir medo”, disse.
O jornalista contou que foi preso em um hotel de Beverly Hills, onde estava hospedado enquanto cobria eventos do Grammy. Ele afirmou que voltava para o quarto quando foi surpreendido por agentes.
“Eu estava subindo para o quanto e apertei o botão do elevador, e de repente, senti que estava sendo empurrado e que as pessoas estavam tentando me agarrar e me algemar”, relatou. Lemon ainda disse que pediu para ver o mandado de prisão e que os agentes não o apresentaram naquele momento. A cópia do documento só foi mostrada depois, na tela de um celular.
Segundo Lemon, cerca de uma dúzia de agentes participaram da abordagem. Ele classificou a ação como excessiva e afirmou que, por já ter se colocado à disposição, a prisão foi “um desperdício de recursos”. O jornalista também relatou que ficou detido por mais de 12 horas em uma sala de espera e que não teve direito a fazer ligações telefônicas nem a falar com seu advogado ou seu marido durante esse período.
A prisão está relacionada à cobertura de um protesto ocorrido no dia 18 de janeiro, quando manifestantes interromperam um culto em uma igreja na cidade de St. Paul, em Minnesota, em ato contra a atuação do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE). Na época, a procuradora-geral Pam Bondi descreveu o episódio como um “ataque coordenado” ao local religioso. A acusação sustenta que Lemon teria reconhecido a desobediência civil do protesto e participado de uma reunião de planejamento antes da ação.

Lemon também comentou que já esperava algum tipo de ação contra ele após o protesto. Ele ainda negou qualquer envolvimento como manifestante e reforçou que estava no local exclusivamente a trabalho. “Eu fui lá para fazer um relato, documentar e registrar. Há uma diferença entre um manifestante e um jornalista”, declarou.
Apesar de uma juíza federal ter rejeitado inicialmente uma queixa-crime por falta de provas, um grande júri federal em Minnesota indiciou Lemon e outras oito pessoas. Ele responde por acusações de conspiração por violar o direito à liberdade religiosa e de interferência no exercício desse direito em um local de culto. O advogado do jornalista afirmou que ele pretende se declarar inocente. A próxima audiência está marcada para o dia 9 de fevereiro.
Assista à entrevista:
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