Doutorando de 28 anos é suspeito de ser o maior estuprador em série do Reino Unido; polícia revela detalhes chocantes dos crimes

Homem drogava e deixava vítimas inconscientes antes dos ataques

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Zhenhao Zou, estudante de doutorado chinês da University College London (UCL), foi condenado em março por drogar e estuprar dez mulheres na capital inglesa entre 2019 e 2023. Agora, o rapaz de 28 anos enfrenta novas denúncias. Segundo a BBC, mais 23 mulheres se apresentaram à polícia no último mês alegando também terem sido vítimas de Zou, reforçando as suspeitas das autoridades britânicas de que o número total pode ultrapassar 50.

Conforme informações do The Guardian, Zou usava aplicativos de namoro e plataformas sociais, como WeChat e Little Red Book, para conhecer mulheres, principalmente de ascendência chinesa. Ele as convidava para seu apartamento sob falsos pretextos, como estudar ou socializar. Lá, ele drogava e agredia sexualmente as vítimas enquanto elas estavam inconscientes.

Zou é um estuprador em série e um perigo para as mulheres“, afirmou Saira Pike, do Serviço de Promotoria Pública à BBC.

Zou foi considerado culpado por um total de 28 crimes, incluindo 11 estupros contra dez mulheres, três casos de voyeurismo, dez crimes relacionados à posse de imagens pornográficas extremas, um caso de cárcere privado e três por posse de drogas com intenção de cometer abusos sexuais. Ele será sentenciado em 19 de junho.

Veja o momento em que Zou foi preso em seu apartamento em Londres:

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Vídeos e drogas

Durante a prisão do homem, em 2024, foram apreendidos mais de 1.270 vídeos, totalizando 1.660 horas de gravações — entre eles, 58 vídeos que mostram Zou estuprando mulheres. Os registros também mostram o doutorando cometendo os crimes na sua cidade natal, na China.

Além das imagens, foram encontradas câmeras ocultas, drogas como ecstasy, álcool e 1,4-Butanodiol (semelhante ao “Boa Noite, Cinderela”), e uma pipeta utilizada para medir doses administradas às vítimas. De acordo com o The Times, ainda foi localizado no apartamento do chinês uma caixa contendo joias, chaves e roupas íntimas das vítimas, descrito pelas autoridades como um “baú de troféus” com objetos supostamente retirados de suas vítimas.

Droga encontrada no apartamento do homem. (Foto: Metropolitan Police)

O detetive-chefe Richard Mackenzie contou ao The Guardian que alguns vídeos mostram claramente Zou atacando mulheres que estavam “drogadas ou sob o efeito de alguma substância”. Ele afirma que apenas isso já poderia ser suficiente para condená-lo e refutar a defesa apresentada por ele no julgamento. O doutorando alega que as mulheres haviam consentido em participar de uma “encenação de estupro” em troca de presentes e dinheiro.

Em um dos registros, Mackenzie revela que o chinês olha para a câmera enquanto a vítima aparece com hematomas ao redor do olho esquerdo e em parte da bochecha. O áudio do vídeo, em mandarim, mostra Zou ignorando pedidos de misericórdia e zombando depois que a mulher reclama do ataque. “Está doendo muito”, teria dito a vítima.

Câmera secreta encontrada na residência de Zou. (Foto: Metropolitan Police)

Os jurados assistiram nove das várias filmagens encontradas nos dispositivos de Zou e, segundo The Guardian, alguns tiveram crises de choro. Por fim, eles concluíram que o homem era um estuprador em série, que drogava mulheres e filmava os ataques.

Como as vítimas eram dopadas, muitas se lembram pouco ou nada dos ataques, o que dificulta as denúncias. “Ele cometia essas agressões sexuais enquanto elas estavam incapacitadas e possivelmente até mesmo dormindo, completamente inconscientes“, explicou o comandante Kevin Southworth, da Polícia Metropolitana, em entrevista à BBC.

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Kevin também apareceu em um apelo divulgado nesta quarta-feira (2) pela polícia, ele agradece as 23 mulheres que se manifestaram após a condenação de Zou e pede para que outras possíveis vítimas denunciem os abusos. “Queremos garantir a todas as potenciais vítimas sobreviventes que quaisquer denúncias serão totalmente investigadas e tratadas com a máxima sensibilidade, cuidado e compaixão“, afirma o comunicado.

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