Donald Trump teria “descartado” Jair Bolsonaro após considerá-lo um “perdedor”. Em entrevista à BBC News Brasil, publicada nesta segunda-feira (29), o ex-embaixador dos Estados Unidos John Feeley comentou a postura do presidente norte-americano em relação ao Brasil depois da prisão de Bolsonaro.
“Assim que Bolsonaro perdeu, ou seja, assim que foi condenado e preso, Donald Trump o viu como um perdedor, e se há algo que Donald Trump não tolera são perdedores”, afirmou Feeley.
John Feeley, que foi embaixador dos Estados Unidos no Panamá, é reconhecido como um dos maiores especialistas em assuntos latino-americanos no Departamento de Estado americano. Ele deixou o cargo em 2018 por discordar de decisões políticas de Donald Trump. Atualmente, Feeley é diretor-executivo do Centro para a Integridade da Mídia nas Américas (CMIA)

Em sua análise, ele acrescentou: “Não acho que Donald Trump saiba muito sobre Bolsonaro. Posso quase garantir que ele não acorda todos os dias pensando no Brasil. E assim que Bolsonaro deixou de ser uma referência na política brasileira e o Estado de Direito e a justiça democrática prevaleceram no Brasil, Donald Trump simplesmente o descartou”.
O ex-embaixador descreve o republicano como imprevisível e “narcisista”. Segundo Feeley, negociar com ele é quase impossível. O diplomata avaliou como “sorte” o resultado das conversas entre Brasil e Estados Unidos nos últimos meses: “Acho que Lula, francamente, teve sorte. E eu encorajaria tanto Lula quanto praticamente qualquer líder a se manterem fora da órbita de Trump, na medida do possível”.

Em julho deste ano, os Estados Unidos aplicaram tarifas de 40% em produtos brasileiros. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, também foram incluídos na lista de sancionados pela Lei Magnitsky. Essas medidas ocorreram enquanto Bolsonaro estava sendo julgado por tentativa de golpe de Estado. Em novembro, o republicano assinou decreto suspendendo as tarifas. Ele também retirou Moraes e a esposa da lista de sanções.
“Acho que a reação inicial dos Estados Unidos, ou da administração Trump, ao julgamento de Bolsonaro foi resultado direto do lobby de Eduardo Bolsonaro, seu filho, em Washington”, concluiu o especialista.
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