Na sexta-feira (27), a polícia da Noruega concluiu uma investigação envolvendo Marius Borg Høiby, filho da princesa Mette-Marit, que responde por 23 acusações criminais — entre elas, estupro. O caso veio à tona em novembro do ano passado, quando Marius passou uma semana detido após surgirem duas novas suspeitas de estupro durante as investigações.
Segundo o advogado da polícia, Andreas Kruszewski, as autoridades norueguesas passaram os últimos 10 meses analisando a vida de Høiby em busca de provas que sustentassem as denúncias. Entre as acusações investigadas estão dois casos de estupro sem penetração, quatro de conduta sexual ofensiva, além de ameaças, vandalismo, abuso e crimes relacionados ao tráfico.
“Foi uma investigação abrangente, que incluiu a análise de extenso material digital, e inúmeras testemunhas foram interrogadas”, afirmou Kruszewski em coletiva de imprensa. “Não posso detalhar o número de vítimas no caso, exceto para confirmar que estamos falando de um número de dois dígitos”, completou.
Com a conclusão do inquérito, algumas suspeitas, como a de abuso sexual contra uma ex-namorada, foram descartadas por falta de evidências. O processo agora foi encaminhado ao Ministério Público norueguês, que decidirá se Høiby será formalmente acusado.

Entre as supostas vítimas, estão mais de uma dúzia de mulheres — incluindo ex-parceiras do jovem de 28 anos. Høiby, por sua vez, admite apenas crimes de violência contra mulheres e ameaças contra homens, mas nega qualquer envolvimento em estupros.
A advogada de defesa, Ellen Holager Andenaes, reforçou que seu cliente rejeita as três acusações de estupro. Ele já havia admitido culpa por agressão e vandalismo em um episódio envolvendo a namorada, ocorrido em agosto de 2024. Após ser preso, Marius declarou publicamente que agiu “sob influência de álcool e cocaína, após uma discussão”, e revelou enfrentar “problemas de saúde mental” e uma longa luta contra o vício em substâncias.
Não é a primeira vez que Marius se envolve em episódios polêmicos. Em agosto do ano passado, ele foi detido por algumas horas após um incidente no apartamento de uma ex-namorada. Poucos dias depois, confessou parte das acusações e reconheceu o uso abusivo de álcool e drogas, além de problemas psiquiátricos. Desde então, foi preso outras três vezes.
O caso despertou grande atenção da imprensa norueguesa e internacional, além de gerar constrangimento à família real. Durante a investigação, a residência oficial da realeza em Skaugum foi vasculhada pelas autoridades.
A postura reservada da Casa Real diante do caso gerou críticas no país. Apesar disso, o príncipe Haakon, marido de Mette-Marit, reconheceu publicamente a “seriedade” das alegações. Já a princesa afirmou que o último ano foi “muito difícil” e que a família tem recebido “ajuda profissional” do sistema de saúde pública.

Histórico problemático
Marius nasceu em 13 de janeiro de 1997, fruto do relacionamento de Mette-Marit com Morten Borg, que também possui histórico criminal por violência e crimes ligados ao tráfico de drogas. Na época, Mette-Marit frequentava a cena eletrônica “house” na Noruega, frequentemente associada ao consumo de álcool e entorpecentes.
Quando Marius tinha quatro anos, sua mãe se casou com o príncipe herdeiro Haakon, com quem teve mais dois filhos. Embora nunca tenha exercido funções oficiais como membro da realeza, Høiby foi acolhido pela família real e frequentemente aparecia em celebrações públicas, como aniversários dos meio-irmãos. Ele sempre manteve contato próximo com Haakon, o rei Harald V e a rainha Sonja.
Mesmo assim, sua vida foi constantemente alvo da mídia, apesar dos esforços da princesa para protegê-lo da exposição. “Ele foi colocado em uma posição quase impossível. Tecnicamente, não faz parte da família real, mas cresceu dentro dela”, explicou a comentarista Sigrid Hvidsten, do jornal Dagbladet. “Ele vivia em uma área cinzenta, uma espécie de gaiola dourada”, destacou, em entrevista à AFP em dezembro de 2024.
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